Entrevista: Alessandra Maestrini


 

Alessandra Maes

Por Renato Mello.

A atriz e cantora Alessandra Maestrini apresenta “Yentl Em Concerto”, de 16 de abril a 7 de maio, no Midrash Centro Cultural, localizado na Rua General Venâncio Flores 184, no Leblon, Rio. Já exibido em São Paulo, o espetáculo musical é baseado na obra “Yentl – The Yeshiva Boy”, de Isaac Bashevis Singer, e conta com as músicas imortalizadas na voz da Barbra Streisand no filme “Yentl”, vencedor do Oscar de melhor trilha sonora em 1984.

As canções serão o foco da encenação da Alessandra Maestrini, que, entre uma música e outra, conta a história de Yentl e seus questionamentos quanto ao gênero, à sexualidade e aos limites impostos pela sociedade de senso comum. Em cena, a atriz estará acompanhada do pianista João Carlos Coutinho, que assina a direção musical. Maestrini assina roteiro, direção e co-produção do espetáculo.

Alessandra Maestrini concedeu uma entrevista para o Botequim Cultural falando justamente desse seu trabalho atual, “Yentl”:

BC: – “Yentl” é apresentado como em um formato de espetáculo-concerto. De que maneira a dramaturgia da peça original está presente na encenação?
AM: – Eu conto a história

BC: – Além das belas canções de Michel Legrand com Alan e Merilyn Bergman, algo mais te motivou a querer a montar “Yentl”?
AM: – Sim. A compreensão da alma humana por divergentes pontos de vista, uma vez que uns podem vestir os sapatos dos outros: a mulher pode olhar pelos olhos do homem; o homem pode olhar pelos olhos da mulher, a tradição pode olhar pelos olhos da modernidade, e vice versa.. gays, héteros e trans podem vestir uns os sapatos dos outros e saber melhor como sente o outro e porque age assim. Além disto, e certamente não menos importante, a essência questionadora do conto e do filme, que sublinham a importância de que potencialidades devem ser exercidas como um ato de valorização à vida e do sentido de existir: Existir: Exercer-se.

BC: – Ao contrário dos grandes musicais com numerosas orquestras, que você está acostumada, em “Yentl” você está só no palco com o pianista João Carlos Coutinho. Trata-se uma necessidade sua a busca por um tom mais intimista e uma maior proximidade com o público?
AM: – Trata-se de uma feliz consequência de falta de tempo, falta de patrocínio (diante da falta de tempo) e extrema vontade de realização. A ideia inicial seria ter um pocket para captar patrocínio para algo maior. O resultado superou as expectativas de tal maneira que o público, ciente deste desejo, pediu que, independente de alguma mega produção futura, se mantenha este diáolgo mais intimista, que nos permite mergulhar mais a fundo na obra e nas questões que ela aborda… e que eu abordo ao longo da apresentação. Agradeci e cedi à solicitação pois senti o mesmo.

BC: – Seu álbum Drama n’Jazz traz standards do jazz e dos musicais.  Existe algum conceito específico por trás da escolha do repertório?
AM: – Meu album traz standards do jazz, dos musicais, composições inéditas minhas, pop, mpb, ópera em bossa… o conceito por trás do repertório foi o que deu título ao cd e ao show: “dramaticidade e bossa contagiante”, seja lento, agitado, amoroso, alegre ou agressivo… todas carregam muito ritmo e sentimento, de modo a mover e comover quem escuta… e a mim também: este espaço para ser, brincar e curtir.

BC: – Algum projeto em breve de montagem de um grande espetáculo musical ou você está num momento de opções mais pessoais?
AM: – Em agosto protagonizo em São Paulo, ao lado de Miguel Falabella (e grande elenco) “Antes Tarde do Que Nunca”, dos irmãos Gerswhin. Produção da T4F, no Teatro Tomie Ohtake.


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