Entrevista: Gisela de Castro


 

Eugenia- Foto-Credito-Thiago Sacramento

Por Renato Mello.

A partir do dia 11 de abril a atriz Gisela de Castro subirá o palco do teatro Maria Clara Machado para representar o espetáculo “Eugênia”, sob a direção de Sidnei Cruz a partir de um texto escrito por Miriam Halfim, em que representará a filha do governador de Minas Gerais Eugênia José de Menezes, que teve um romance com Dom João VI, engravidou e foi expulsa da Corte, sendo exilada num convento.

Dona de uma sólida e respeitada carreira teatral, Gisela de Castro trabalhou com alguns dos mais representativos diretores teatrais, como Domingos de Oliveira, Ivan Sugahara, Renata Mizrahi, Moacir Chaves, Gilberto Gawronski entre outros grandes nomes. Em 2014 esteve em cena em trabalhos extremamente relevantes, como “As Três Irmãs”, de Tchekov, dirigido por Morena Cattoni e o infantil “Bisa Bia Bisa Bel”, que tem 4 indicações ao Prêmio Zilka Sallaberry(incluindo Melhor Espetáculo)

Para falar um pouco de “Eugênia”, o 1º monólogo de sua carreira, Gisela de Castro concedeu uma entrevista ao Botequim Cultural:

* Fotos: Thiago Sacramento.

Eugenia2- Foto-Credito-Thiago SacramentoBC: – Como é o desafio de subir sozinha num palco sem nenhum outro ator ninguém para dividir as atenções, sem rede de proteção e tendo que levar de modo solitário toda uma dramaturgia?
GC: – O treinamento é intenso e o grau de concentração tem que ser maior. Não tem aquela pausa pro café no meio do ensaio, nem a cena do amigo pra você descansar. São cerca de 8 horas de trabalho pesado com o diretor exigindo seu máximo. Ainda tem preparador corporal, vocal, mais musculação, alongamento. É coisa para atleta!

BC: – O monólogo é um processo de criação muito particular, um trabalho em que é fundamental uma interação completa entre a atuação, a dramaturgia e a direção. Fale um pouco sobre o processo de criação de “Eugênia” entre você, Miriam Halfim e Sidnei Cruz?
GC: –  Tem sido excelente. O Sidnei é um grande amigo com quem queria  trabalhar há tempos! Nosso diálogo flui. Ele me estimula muito, me ensina muito. Com a Miriam também é ótimo. Nos conhecemos durante o processo. Ela fez uma pesquisa enorme e escreveu um texto fantástico sobre essa personagem. Ela é muito generosa e nos deu total liberdade para trabalhar. Isso é fundamental para o humor que estamos buscando.
Foram muitas referências, livros, filmes, músicas, imagens, enfim, uma pesquisa enorme não só desse trio, mas de toda equipe trabalhando em conjunto. Há muitos elementos na cena e cada coisa foi construída num processo colaborativo com os saberes de cada profissional. Todos contribuíram e trocaram o tempo todo. É muita gente trabalhando!

BC: –  Quem é Eugênia? e o que te atrai nesse personagem?
GC: – Ela foi dama de companhia da Carlota Joaquina e virou amante de Dom João VI. Ela é pouco conhecida ou citada nos livros. Uma mulher que pagou caro por ter engravidado do Príncipe-Regente, despertando a ira da princesa espanhola. O melhor de poder interpretar essa mulher são as suas várias possíveis faces. Ela pode ser vítima, sedutora, mãe, amante, exilada, sapeca, oportunista talvez… Morto pode tudo!

BC: – Segundo a historiadora Mary Del Priore, “no passado, as amantes eram saudadas como troféus que provavam a virilidade do soberano”, assim como eram jogadas à própria sorte quando se transformavam num incômodo. Vocês abordam no espetáculo a relação entre o sexo e o poder dentro do contexto histórico da época?
GC: – No caso de Eugênia, ela não foi um troféu. Muito pelo contrário. Foi obrigada a se esconder num convento para não abalar Corte Portuguesa. Talvez até por imposição da Carlota, Dom João VI assinou uma carta oficial declarando Eugênia indigna da corte e expulsou a própria amante de Portugal.

BC: -Que objetivo move Eugênia a voltar do mundo dos mortos para relatar a podridão da corte?
GC: – Cada um tem sempre a sua versão dos fatos e Eugênia volta para contar a dela (assim como eu, atriz, tenho meu modo de contar essa história). Não se trata de jogar nada no ventilador, mas sim de apresentar um ponto de vista para que cada um tire suas próprias conclusões.

BC: – Que expectativas você guarda para essa temporada de “Eugênia” no Teatro Maria Clara Machado?
GC: – Tudo o que um ator mais quer na vida é se comunicar com o público. Num monólogo isso fica ainda mais acentuado, porque o jogo é exclusivamente com a plateia. Espero que as pessoas se interessem pela nossa história.


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