Entrevista: Hugo Bonemer


 

 

Foto: Beto Gatti

Foto: Beto Gatti

Por Renato Mello

Em cartaz em São Paulo no Teatro Morumbi Shopping com “Frames“,  espetáculo que trata com humor e delicadeza as possibilidades de entendimento entre pessoas muito diferentes, o ator Hugo Bonemer gentilmente concedeu esta entrevista ao Botequim Cultural, aonde expõe  sua visão e motivação para abordar em cena questões como a construção do afeto e de sua liquidez contemporânea, que por vezes acaba  se desdobra em intolerância, além de outros projetos que desenvolve paralelamente, como o musical “Yank“, que obteve ótima repercussão em sua temporada no Teatro Serrador, no Rio de Janeiro.

BC: O que te instigou em “Frames” para querer montá-lo?
HB: A minha identificação inicial era com a vontade dos diretores Camila Gama e Sandro Pamponet de trazer para a dramaturgia grandes “discursos”: Aqueles que fariam parte de um grande momento histórico, de uma revolução social, para o bem ou para o mal. Em “Enterro dos Ossos” havíamos experimentado discursos fascistas e de paz, e um texto apenas de discursos. O texto do Franz Keppler dialogava com essa pesquisa mas também flertava com a dramaturgia. Dava possibilidade de criar um espetáculo que não fosse realista! Pronto! Desse encontro em diante, o que se seguiu, foi de forma natural.

BC: De que maneira o texto consegue dialogar com o cotidiano da metrópole?
HB: Através das cenas o texto pergunta: quanto do seu dia é movido por preconceito e por generosidade? Como se colocar no lugar do outro? O que você faz e pensa impacta outras pessoas? Essas perguntas jamais deixarão de der atuais. Elas são importantes pra quem deseja um pensamento ético.

BC: Como está sendo o processo de trabalho conjunto com o Daniel Rocha?
HB: Daniel é meu amigo há mais de dez anos. Trabalhar com ele é sempre um prazer porque ele é muito comprometido com o teatro. Sua vida aconteceu nas telas de grandes novelas, ainda sim, ele respeita o palco e dedica tempo e disposição pra ser resistência. Como nos conhecemos muito bem, o processo flui com muita parceria.

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Espetáculo “Frames”, com Daniel Rocha – Foto: Leandro Marques

BC: Que aspectos você destaca na sua experiência como ator sob a direção da Camila Gama e do Sandro Pamponet?
HB: Camila e Sandro me trouxeram de volta ao gosto pela dedicação na exploração do teatro além do realismo: coisa que eu tive dez anos atrás com muita intensidade, no grupo de estudos do Tapa e andava adormecido.

BC: Qual expectativa que você espera que essa montagem venha a despertar no público?
HB:É difícil aceitar que somos livres para pensar o que quisermos. Que esta proposta de encenação faça do teatro um território de livre pensamento, onde o espectador não sinta-se obrigado a entender uma história que queremos transmitir, mas deixar que os estímulos oferecidos no palco despertem a criatividade na plateia. Que ao final da sessão cada espectador tenha criado sua dramaturgia particular, sem a dívida de atingir um único alvo de entendimento.

BC: Você protagonizou recentemente o espetáculo “Yank”, no Rio. Foram apenas 10 apresentações. Existe previsão de uma nova temporada?
HB: Existe uma previsão para uma temporada de Yank ainda este ano e uma para o início do ano que vem. Espero que consiga fazer parte. A peça é bastante especial pra mim e sofreria muito de não estar presente.

BC: Após “Frames”, algum projeto em vista dentro do teatro musical?
HB: Para este ano tenho dois projetos: a estreia de “A vida secreta dos casais” série com uma primeira temporada de dez capítulos, no dia 1 de outubro no canal HBO; e o especial de natal de Trolls em um episódio de animação musical produzido pela Dreamworks, que será transmitido pelo Netflix.

Frames - Foto Leandro Marques

Frames – Foto Leandro Marques


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