Entrevista: Marcelo Nogueira


 

agnalrayol1

Por Renato Mello.

Um dos maiores sucessos de público e crítica no final da temporada teatral de 2014 foi o espetáculo “Agnaldo Rayol, a Alma do Brasil”, no Centro Cultural dos Correios, tendo Marcelo Nogueira como protagonista no papel título. Se para muitos o sucesso do espetáculo foi uma surpresa, quem acompanhou o trabalho de concepção e de preparação sabe que não foi por acaso. O êxito foi fruto de um intenso e apaixonado processo de criação por parte de Marcelo Nogueira, que se uniu a Fatima Valença(responsável pelo roteiro) e Roberto Bomtempo(direção), para juntos colocarem em cena um lindo musical sobre a vida de Agnaldo Rayol.

Agnaldo Rayol, a Alma do Brasil”, rendeu a Marcelo Nogueira a indicação ao Prêmio Cesgranrio na categoria Melhor Ator em Teatro Musical(assim como sua companheira de cena Stela Maria Rodriygues como Melhor Atriz).

Disponibilizamos algumas críticas ao espetáculo: Botequim CulturalO Teatro Me Representa e Crítica Teatral

Esperamos para 2015 a oportunidade de assistir novamente ao espetáculo no Rio de Janeiro e que ele siga a carreira que merece pelo Brasil afora.

Abaixo, publicamos a entrevista que  Marcelo Nogueira gentilmente nos concedeu.

Fotos de Cena: Janderson Pires
Foto Estúdio: Eduardo Alonso

2-Agnaldo Rayol-By Janderson Pires-19

BC: – Como e por que surgiu a ideia de produzir um espetáculo sobre Agnaldo Rayol?
MN: – Eu trabalho com teatro musical brasileiro há alguns anos e estou sempre procurando alguma historia interessante pra contar, assuntos ligados a nossa cultura em especial. Agnaldo Rayol tem uma trajetória linda e muito interessante, alem de ser um grande cantor também é ator e apresentador, fez vários filmes, inclusive produziu seu próprio filme chamado “Perigo à vista”, atuou em novelas, shows, gravou vários discos, “foi eleito e premiado várias vezes como a mais bela voz do Brasil”, trabalhou em todos os veículos de comunicação e conseguiu viver da sua arte até hoje com 76 anos de idade – Uma carreira brilhante! Motivos não faltavam para reverenciar este ícone da música popular brasileira.  Eu Juntei esses elementos e cai dentro de uma busca intensa em reunir o maior material possível sobre a carreira de Rayol. Pensei qual seria a melhor forma de contar essa história, que pessoas poderiam fazer parte dessa ficha técnica e que tivessem o mesmo empenho e instinto. Convidei Fátima Valença para escrever o roteiro cênico, com quem já fiz três trabalhos anteriores.  Roberto Bomtempo veio depois para assinar a direção. A equipe foi chegando aos poucos… a empatia conta muito nessas horas. O teatro não pode ser burocrático, as escolhas são muito importantes, pois elas direcionam o caminho que você imagina. É importante você trabalhar com quem você admira, tem afinidade, gosta e acredita. Essas pessoas estarão diariamente ao seu lado criando e construindo o espetáculo com você.

BC: – Antes do projeto existir, qual era o seu contato e conhecimento com a música e a carreira de Agnaldo Rayol?
MN: – Eu tenho uma formação em Música – piano e canto. Sempre estudei em conservatório de música e consequentemente acabei fazendo uma graduação na área. A música sempre esteve presente na minha vida de alguma forma, em casa, sempre tinham muitos discos para ouvir e a produção musical era diária, passava mais tempo estudando música do que as matérias tradicionais da escola. Sempre gostei de ouvir grandes cantores de gerações anteriores, como Elizeth Cardoso, Elis, Elvis, Dick Farney, Mario Lanza. Agnaldo fazia parte desse repertório, lembro- me dos programas musicais da televisão, dos discos de vinil que escolhia para ouvir. Em comparação as décadas anteriores, a música brasileira que toca principalmente nas rádios populares, está menos elaborada melodicamente, sem poesia, pouco inteligente. Alguns artistas conseguem se destacar e atravessar essa barreira…bom pra eles ! Mas voltando ao Agnaldo, ele cantou músicas lindas e que tocam diretamente no coração do ouvinte.  Eu sempre me emociono quando vejo um artista como ele, fazendo o que gosta e com tamanha emoção.

BC: – Você acredita que o espetáculo tem o potencial de resgatar para as novas gerações toda a obra e importância de Agnaldo Rayol na música brasileira?
MN: – O espetáculo apresenta uma revista biográfica musical dos melhores momentos da carreira de Agnaldo Rayol. Não dá pra contar tudo em 1:30 h… Mostramos as fases interessantes, alguns sucessos, programas musicais, amigos e família. O espetáculo não é didático, pelo contrário, tem uma construção delicada e inteligente. Agnaldo foi um artista múltiplo, fez rádio, TV e cinema, cantou em palcos pelo mundo. Teve uma vida sem manchas. É um gentleman, um homem apaixonado pela sua arte, devotado, sempre generoso, educado, amigo, sensível, um encanto. Esse é o Agnaldo que mostro no palco. Acredito que seja importante apresentar ao jovem de hoje, não só a carreira e a obra de Agnaldo, mas revelar um universo imaginado, recriando os personagens que viveram essa época, a áurea, o clima, a sonoridade, o tempo e espaço. É um trabalho de refinaria e sutilezas para olhos e ouvidos atentos. Este é o mérito de Agnaldo Rayol – A alma do Brasil.

BC: – No seu trabalho de pesquisa, alguma descoberta te surpreendeu sobre o homem ou o artista?
MN: – Reforçou o que  eu já imaginava: que uma carreira de sucesso e consolidada não vem da noite por dia. É preciso muito trabalho e dedicação. O amor que ele dedicou a música e ao seu público é a chave pra esse sucesso.

rayol7BC: – Agnaldo Rayol acompanhou o trabalho de vocês? Qual foi a contribuição que ele deu para o desenvolvimento do espetáculo?
MN: – Estou mergulhado na vida e obra do Agnaldo desde de 2012, quando decidi elaborar o projeto e corre atrás do patrocínio. Agnaldo é um Cavalheiro! Sempre receptivo e atencioso. Tivemos uma empatia e carinho imediato. Encontramos-nos algumas vezes no Rio e São Paulo ou falado sempre ao telefone. Ele sempre lembra alguma coisa pra contar, emprestou fotos, Cd´s, Dvd´s e material do seu arquivo pessoal. Tudo foi fundamental pra a construção do roteiro.

BC: – Gostaria que você falasse sobre o seu trabalho de composição. Como foi seu processo para “encontrar” o personagem e o trabalho de caracterização?
MN: – O palco é um lugar sagrado onde você diariamente entrega uma emoção genuína para a plateia que te observa e caminha junto com você. O ator se rasga de corpo e alma todos os dias buscando sempre uma conexão com todos os sentidos. É uma tarefa nada fácil, requer uma disciplina enorme. Durante o processo, utilizei muito material de pesquisa, vídeos, áudios, isso ajudou bastante. A música que toca na minha casa é: Agnaldo Rayol. Ele é barítono e eu sou tenor. Tive que descer alguns tons para a voz ficar na mesma altura. Estudei as respirações das falas e do canto, a maneira de interpretar as canções, a musicalidade e entonação correta, como ele anda e se coloca. Como as diferenças de décadas, onde era mais elegante ou dramático, me preocupei em mostrar na personagem esses detalhes. Claro que conhecer e conviver com Agnaldo foi fundamental para eu construir uma interpretação realista e não uma mera caricatura, por isso busquei não só a composição, mas entender o pensamento e o sentimento do humano. Quando isso acontece é um grande prazer para o ator.

BC: – Suas expectativas foram atingidas com “Agnaldo Rayol, a Alma do Brasil”?
MN: – Primeiramente estou muito feliz por realizar um espetáculo reverenciado pelo público e crítica. Espero que possamos ter uma vida longa levar a outras cidades e estados com esse lindo espetáculo.

IMG_1336M

Elenco completo de “Agnaldo Rayol, a Alma do Brasil”
Fabricio Negri, Mona Vilardo, Stela Maria Rodryigues e Marcelo Nogueira


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Calendário de postagens

novembro 2017
D S T Q Q S S
« out    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930