Entrevista: Marcos Veras


 

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Por Renato Mello.

A partir do dia 12 de agosto o ator Marcos Veras estará apresentando na Sala Marília Pêra do Teatro Leblon o monólogo “Acorda Pra Cuspir”. Escrito por Eric Bogosian e dirigido por Daniel Herz, em “Acorda Pra Cuspir” o ator dá vida ao personagem José Silva, um homem que se vê refém das cobranças da sociedade e que busca conquistar seu espaço no mundo das celebridades, não importando que para isso tenha que passar por cima de todos, não medindo esforços para alcançar seu objetivo.

Marcos Veras gentilmente concedeu esta entrevista ao Botequim Cultural em que nos fala sobre seu espetáculo, o personagem e suas motivações.

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BC: – Quem é José Silva?
MV: – José Silva é um cidadão que se vê refém e cai nas armadilhas impostas pela vida, pela sociedade. Ser bem sucedido, ter dinheiro, carro, luxos. Essa busca incessante dele pelo sucesso faz com que ele faça de tudo pra alcança-lo. Desde mudança estética a perder amigos. O personagem ali mostra o quão ridículos e insensíveis podemos ser, as vezes percebendo isso e as vezes não. Ah e ele é um ator. Mas poderia ser um vendedor, um médico, qualquer um de nós.

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BC: – De que maneira a dramaturgia de Bogosian é capaz de retratar questões do nosso cotidiano?
MV: – Bogosian fala muito do ser humano. Como todos nós podemos ser vilões. Ele usa a ironia, o deboche pra tratar de assuntos contemporâneos ligados a modernidade e ao mesmo tempo toca em comportamentos que existem desde que o mundo é mundo, como egoísmo, vaidade, ambição. O texto dele chama a atenção pra essa correria em vivemos hoje. Um bombardeio de informações, redes sociais nem tão sociais, o entretenimento raso e tudo isso com humor, pelo viés do riso ele causa a reflexão.

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BC: – Embora você esteja acostumado a stand-up, o monólogo apresenta um desafio diferente para o ator. Queria que você falasse das diferenças nesses 2 processos de atuação.
MV: – O meu stand-up “Falando a Veras” fiz por oito anos. É entretenimento puro, com crítica claro, como o humor deve ser, mas é puramente entretenimento, tem um humor mais direto. Tem música, imitação. É um show de humor que me trouxe muita coisa boa. O “Acorda Pra Cuspir” é um texto com dramaturgia, com começo, meio e fim. Ali preciso contar uma história através de um personagem. O humor existe mas ele não é uma piada. Ele está nas situações insanas que aquele personagem vive. O processo de um texto como “Acorda Pra Cuspir” é bem diferente do “Falando a Veras” porque no stand-up sou eu falando um texto meu onde há uma liberdade pra inverter uma ordem, improvisar, uma certa interação com a platéia.

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BC: – Como foi a experiência de ser dirigido por Daniel Herz?
MV: – Foi ótimo. Processo de ensaio delicioso e divertido. Daniel saca tudo de teatro. É um diretor extremamente sensível e democrático. Discutíamos tudo juntos. Já queríamos trabalhar juntos e agora deu certo e eu estou muito feliz com essa parceria.

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BC: – Observando a ficha, impressiona a qualidade da equipe técnica do espetáculo. Qual a importância de se estar cercado criadores tão talentosos e de que maneira eles contribuíram para o resultado final do espetáculo?
MV: – Nossa! Tenho tanto orgulho dessa ficha técnica. Realmente são profissionais competentes, premiados. E eu devo isso ao meu amigo produtor Rodrigo Velloni que viabilizou isso e ao Daniel Herz que trouxe a turma dele. Essa equipe me trouxe uma segurança enorme pra contar essa história. Eles nos ajudaram a teatralizar um texto que lá nos EUA é feito em formato mais simples, mais show. E aqui tem cenário, luz, figurino, trilha original. E isso enriquece o trabalho demais.

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BC: – Entre os elementos cenográficos de Fernando Mello da Costa constam bonecos multiplicando a imagem de José Silva. O que eles representam na sua concepção?
MV: – Essa na minha opinião é um ideia genial do Fernando, porque esses bonecos tem tudo a ver com o discurso da peça. São espelhos do José Silva. Nos mostram como estamos um pouco iguais, padronizados, como podemos ser vários ao mesmo tempo, e como podemos ser também repetidores de discurso, bonecos literalmente, por vezes.

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BC: – Você já se apresentou em outras cidades antes da temporada no Rio. Como foi a receptividade até agora?
MV: – Foi incrível. Já passamos por Vitória, Fortaleza, BH, Florianópolis, Goiânia e uma temporada em São Paulo. E sempre com boas críticas e receptividade de público. Muita gente vai esperando uma coisa e vê outra e se surpreende pra melhor. Tô curtindo o resultado. Uma vez uma adolescente de 15 anos me esperou na saída do espetáculo e eu achando que ela ia pedir uma foto. Ela não pediu foto e disse. ” Eu adorei. Que tapa na nossa cara, divertido”.

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BC: – Quais são suas expectativas nessa temporada no Rio?
MV: – A melhor. É como jogar em casa. Perto da torcida. Minha ultima temporada no Rio foi com meu solo de humor em outubro de 2015. Estou com saudade. E agora com a cidade cheia de turistas, a expectativa é que esse movimento se estenda aos teatros. Tomara. E merda pra todos nós.

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Serviço
Teatro do Leblon- Sala Marília Pêra
Rua Conde de Bernadotte, 26 – Leblon, Rio de Janeiro – RJ, 22441-110
Telefone: (21) 2529-7700
Elenco: Marcos Veras
Temporada: De 12 de agosto a 2 de outubro
Dias e horários: Sex e sáb 21h, dom 20h
Ingressos: Sex R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia), sáb R$ 80,00 (inteira), R$ 40,00 (meia), dom R$ 70,00 (inteira), R$ 35,00 (meia)
Duração:70 minutos
Classificação: 14 anos

Ficha Técnica
Texto: Eric Bogosian
Tradução: Mauricio Guilherme
Ator: Marcos Veras
Direção: Daniel Herz
Música original: André Abujamra
Cenário: Fernando Mello da Costa
Figurino: Antônio Guedes
Iluminação: Aurélio de Simoni
Direção de Movimento: Duda Maia
Produção: Rodrigo Velloni
Realização: Velloni Produções Artísticas

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Barata Comunicação
baratacomunicacao@gmail.com


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