Entrevista: Reiner Tenente


 

Por Renato Mello

Foto: Paschoal Rodriguez

Foto: Paschoal Rodriguez

Ator, cantor, diretor, fundador do CEFTEM e um dos mais destacados nomes do teatro musical brasileiro, Reiner Tenente está atualmente em cartaz com “Cantando na Chuva”, no Teatro Santander em São Paulo, dividindo o palco com Claudia Raia, Jarbas Homem de Mello e Bruna Guerin, interpretando Cosmo Brown, imortalizado no cinema por Donald O’Connor.

Nesta entrevista ao Botequim Cultural, Reiner Tenente fala da sua experiência com “Cantando na Chuva”, sua visão do teatro musical, seus próximos projetos e o trabalho junto ao CEFTEM.

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BC: – Como foi seu processo de criação de Cosmo para “Cantando na Chuva”?
RT: – Foi árduo, mas extremamente prazeroso, já que toda equipe e direção foram muito cuidadosos comigo. Acho que conseguiram acessar a minha criatividade de uma forma muito especial. Me inspirei muito no universo do palhaço e assistir filmes que se passavam na década de 20, me ajudaram a compor o personagem. Além de muitas horas de aulas treinamento de sapateado.

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BC: – Quais as dificuldades práticas de se apresentar cantando e dançando literalmente na chuva (mesmo que artificial)?
RT: – Dançar e cantar já não é uma tarefa das mais fáceis, agora imagina fazer isso debaixo de chuva. O maior cuidado que temos que ter é ter cuidado (risos) e se tornar amigo da chuva e do chão.

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BC: — Mais que um artista do teatro musical, você é também um estudioso desse segmento. O que representa estar em cena ao lado de nomes tão emblemáticos desse gênero aqui no Brasil, como Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello?
RT: – Como pesquisador de teatro musical sei da importância da Claudia Raia, da competência do Jarbas e do talento da Bruna, por isso é uma imensa honra estar protagonizando um espetáculo ao lado de artistas tão especiais e generosos. Tem sido uma experiência incrível.

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BC: – Suas expectativas artísticas têm sido satisfeitas nessa temporada?
RT: – Elas têm sido saciadas, visto que é um espetáculo clássico, um ícone do gênero musical. Este personagem tem a mesma linha de humor que gosto de fazer e também uma temperatura cênica que gosto de estar. Tenho a sensação que me preparei a vida inteira para chegar neste momento, fazer este personagem da melhor forma e contar esta história, pois o Cosmo exige muito de mim tecnicamente é artisticamente.

Foto: Paschoal Rodriguez

Foto: Paschoal Rodriguez

BC: – Você tem uma ligação profunda com o que de relevante ocorre nas produções musicais cariocas. Agora está numa grande produção do teatro musical de São Paulo. Que diferenças você enxerga no método de produção de ambas cidades?
RT: – Quando se trata de uma grande produção, não vejo uma grande diferença entre Rio e São Paulo. Talvez, em São Paulo tenhamos mais artistas tecnicamente preparados, pois tem mais escolas preparatórias aqui, mas é apenas uma impressão, não posso afirmar. Quanto mais dinheiro a produção tem mais ela consegue utilizar mão de obra especializada para o gênero.

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BC: – Por que razão a maioria das grandes produções paulistas vem pouco ao Rio, e quando vem fazem temporadas fugazes, enquanto a grande maioria dos musicais cariocas se apresentam em São Paulo?
RT: – Acredito que tenha a ver com a disponibilidade de verba, sem contar que existem mais teatros bem preparados em São Paulo do que no Rio de Janeiro. Tem espetáculos que não conseguem ir para o Rio, pois não há infraestrutura necessária para receber estas produções.

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BC: – Como anda seu projeto de remontagem de “Company”?
RT: – Continuamos trabalhando para levantar a produção, pensando no elenco para compor o espetáculo e pensando em pauta, porém é um projeto somente para 2018, pois neste ano estou comprometido com o Cantando na Chuva. Este é um grande sonho que quero realizar da melhor maneira possível e com um elenco tão especial quanto esse meu sonho é pra mim. Falar de relacionamentos afetivos em uma época em que a não resposta no WhatsApp simboliza o fim de uma relação, é de extrema importância. E é essa missão que o Company tem artisticamente e lutarei para cumpri lá.

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BC: – Queria que você falasse um pouco sobre o seu trabalho junto ao CEFTEM. Quais são as novidades? Quais os próximos projetos?
RT: – O CEFTEM é uma escola que fundei, e coordeno, além de ser professor, e vai completar quatro anos. Acho que estamos conseguindo que os alunos entendam a necessidade da preparação, da auto investigação, do preparo técnico que um ator de teatro musical necessita para conseguir se colocar no mercado. Esse trabalho que faço no CEFTEM é com muito amor e dedicação.
Estou terminando meu mestrado na UniRio, que tem como base a pesquisa e investigação de uma metodologia de ensino para atores de teatro musical, então faço um investimento de tempo e pesquisa muito forte para tentar elevar a qualidade de ensino que oferecemos.
Em dezembro teremos a apresentação de “Kinky Boots”, nossa próxima prática de montagem, além de voltarmos em cartaz com o nosso primeiro espetáculo autoral, que dirigi, o “Só por hoje”. Uma peça criada no CEFTEM com investigação e ensaio com nossos alunos. Trata-se de um apontamento de uma nova dramaturgia e composição, feito por jovens autores e compositores que tem esse espaço de pesquisa dentro da escola.


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