Entrevista Teatro Infantil: Daniel Porto – “Feiona, a Princesa Lindona”


 

rsz_img_0746_1Por Renato Mello

Basta uma rápida leitura no seu currículo para se concordar com a afirmação que Daniel Porto é um dos mais profícuos criadores do teatro infantil carioca, seja como autor ou diretor, em adaptações diversas, como  “O Duende Rumpelstiltskin”, “As Aventuras de Pinóquio”, “João e Maria, um Musical”, “Pedro e o Lobo” e “O Lago dos Cisnes”, que se apresentaram nos últimos anos em teatros localizados nas mais distintas regiões do Rio de Janeiro.

Seu mais novo projeto autoral para o segmento, estreou neste fim de semana no Espaço Cultural Correios Niterói, “Feiona, a Princesa Lindona”, com direção de Daniel Dias da Silva a partir de um argumento criado pela atriz Márcia Braga, inspirada no universo das fábulas e contos de fadas, apresentando a história de uma princesa nada convencional e que nunca teve sua história contada em nenhum livro ou filme.

Nesta entrevista, Daniel Porto revela um pouco sobre seu processo de criação para o espetáculo, assim como na maneira como enxerga a inserção do seu trabalho no universo do teatro infantil.

Foto: Zero8onze Divulgação

Foto: Zero8onze Divulgação

BC: – Como surgiu a ideia do projeto de “Feiona, a Princesa Lindona”?
DP:- O projeto surgiu com a minha amiga Márcia Braga. Ela faz um trabalho voluntário lindo de contação de história com crianças no Inca. E foi lá que ela começou a construir essa personagem.

BC: – O que faz de Feiona um personagem que foge do perfil convencional de uma princesa dos contos de fadas?
DP: – A Feiona não segue um padrão de beleza, não tem uma família tradicional, é feminista, bagunceira, engraçada, YouTuber… A gente tentou criar uma personagem com muitos códigos contemporâneos para trazer um reconhecimento direto das crianças que vivem conectadas e são extremamente inteligentes.

Cartaz-A3BC: – Como se deu o processo de transformar o personagem surgido através de um projeto de contação de história da Márcia Braga no INCA, para a partir dele, criar a base narrativa que sustente uma peça teatral?
DP: – Foi difícil(risos). Já tinha adaptado outros clássicos infantis, eles possuem começo, meio e fim, mesmo que seja apenas em uma página. A Feiona era uma personagem com características trazidas pela Márcia e que precisava ter uma história. Foi um processo que teve muita troca e diálogo entre a gente, eu, Márcia e Dani Dias.

BC: – Daniel Dias da Silva já dirigiu alguns espetáculos escritos por você. Como se dá essa parceria do ponto de vista autor(você)/diretor(Daniel Dias)? Até que ponto um interfere no processo artístico do outro?
DP: – O Dani dirigiu o meu primeiro infantil “O Duende Rumpelstiltskin” e a troca com ele sempre foi muito bacana. Com a nova versão do “Acabou o Pó” queria alguém que pudesse dialogar e que eu me sentisse a vontade para falar de qualquer coisa. E gosto de trabalhar com quem já deu certo em outros projetos. É prazeroso e a troca fica cada vez melhor e o processo ganha uma cumplicidade na criação.

BC: – No caso específico de “Feiona”, o que você credita como as principais contribuições de Daniel Dias da Silva para o resultado final do espetáculo?
DP: – Muitas!!! Eu mandava texto e ele voltava o tempo todo. Experimentando. Cortando. Fazendo alterações. A gente vestia a mesma camisa que era dar vida a essa personagem da melhor maneira possível. O Dani foi peça fundamental para essa princesa nascer.

BC: – De que maneira o espetáculo mescla o universo do imaginário infantil com os códigos contemporâneos? Como isso se dá na prática?
DP: – Eu nunca neguei o prazer que tenho pelos contos de fadas. E a Feiona é a prima renegada que nunca teve a história contada, nem em livro, filme ou música tema. A partir dessa brincadeira ficou mais fácil de encaixar essa nova princesa “sem história” se apropriando das outras histórias pra contar a sua. Ela recebe carta da Rapunzel, diz que já fez mancada com a Branca de Neve, resgatou os ratinhos da Cinderella… e assim a gente vai pirando(risos).

BC: – Que aspectos da sensibilidade infantil você espera alcançar com o espetáculo?
DP: – Falamos de diversidade, bullying, empoderamento, padrões de beleza.Tudo de forma sútil para as crianças entenderem o recado de forma clara e divertida e para os pais também!

BC: – Você já tem uma trajetória bastante sólida no teatro infantil, com pelo menos 1 espetáculo anual para esse segmento, seja como autor ou diretor. Que aspectos te seduzem para criar projetos específicos de teatro infantil?
DP: – Acabei de me dar conta da quantidade com a sua pergunta!(risos). Foram 7 até o momento! Eu adoro esse universo, o Alexandre Lino que deu o ponta pé nessas minhas pirações com os clássicos. Eu acho que no fundo sou uma criança mal resolvida que não ia ao teatro(risos).

BC: – Pensando com a cabeça do produtor, visto que se trata do 2º projeto da Porto Produções, vale a pena atuar no segmento infantil?
DP: – Vale! Criança é um público extremamente consumidor de cultura. Desenhos, filmes, livros e teatro também! A única diferença nesse projeto para os outros que assinei texto é que esse infantil é o meu primeiro autoral. Frio na barriga!

BC: – Quais suas expectativas para essa temporada no Espaço Cultural Correios Niterói? Já tem perspectivas de estreia no Rio de Janeiro?
DP: – O Espaço Cultural Correios é um lugar muito bacana e super bem localizado. A expectativa é que com a Feiona o público conheça melhor o espaço nessa sala alternativa que estamos ocupando por lá. Acredito que para Maio a Feiona atravesse a ponte, se tudo der certo. Queremos colocar essa princesa pra contar a história dela por aí. Em muitos e muitos outros lugares!

 

Foto: Zero8onze divulgação

Foto: Zero8onze divulgação

SERVIÇO:
Texto: Daniel Porto
Direção: Daniel Dias da Silva
Elenco: Márcia Braga
Local: Espaço Cultural Correios Niterói – Av. Visconde do Rio Brando, 481 – Centro
24020-004 – Niterói – RJ
Temporada: 08 de março a 30 de março (sexta às 11h e 15h / sábado às 11h)
Valor: R$ 30 (inteira) R$ 15 (meia)
Telefone: 21 2622-3200
Duração: 50 minutos
Gênero: Infantil – Comédia
Classificação Etária: Livre
Capacidade: 100 lugares

FICHA TÉCNICA
Texto: Daniel Porto
Direção: Daniel Dias da Silva
Elenco: Márcia Braga
Cenários e Figurinos: Karlla de Luca
Visagismo: Max Vitor
Iluminação: Guego Lima
Programação Visual: Folha Verde Desing
Filmagem: Pardal Filmes
Letras das Músicas: Marcos Vidal
Costureira: Maria Helena
Cenotécnico: Emphorium Carioca
Assessoria de Imprensa: Porto Produção
Assistente de Produção: Márcia Braga
Direção de Produção: Daniel Porto
Realização: Porto Produções


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