Entrevista Teatro Infantil: Renato Carrera – “Malala, a Menina Que Queria Ir Para a Escola”


 

Por Renato Mello

Renato Carrera - Foto: Daniel de Jesus

Renato Carrera – Foto: Roger Von Kruger

Primeira adaptação teatral do livro-reportagem infantojuvenil da jornalista Adriana Carranca, “Malala, a Menina que Queria Ir para a Escola” estreia no próximo dia 12 de outubro(dia  das crianças) no Teatro Sesc Ginástico, com idealização de Tatiana Quadros,  direção de Renato Carrera e canções originais compostas por Adriana Calcanhotto.

A peça conta a saga de uma jornalista, curiosa, desbravadora e inquieta, que atravessa meio mundo para descobrir o que aconteceu de verdade com uma menina chamada Malala Yousafzai e porque ela estava sendo perseguida. Era uma missão perigosa, pois a terra natal de Malala, um vale de extraordinária beleza no interior do Paquistão, havia se tornado um território proibido para jornalistas. Vestida como as mulheres do Vale do Swat, a jornalista circula pelas ruas da cidade, se hospeda na casa de moradores locais, conhece as amigas de Malala, sua escola e até mesmo a casa onde morava.

O diretor do espetáculo, Renato Carrera, gentilmente concedeu esta entrevista ao Botequim Cultural, em que comenta suas motivações para o processo de adaptação e suas opções para a concepção teatral de “Malala, a Menina que Queria Ir Para a Escola“.

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Foto Ricardo Gomes

BC: – Por que o livro de Adriana Carranca despertou em vocês o desejo de adaptá-lo ao teatro?
RC: – Não conhecia o livro até a Tati Quadros me convidar para dirigir. Ao ler, você se envolve e ao mesmo tempo é deslocado para uma situação bem próxima a do Rio de Janeiro. Sempre estudei em escolas públicas. Escola Municipal Santa Catarina, CIEP Avenida dos Desfiles (Sambódromo) criado por Darcy Ribeiro, Escola Estadual Souza Aguiar e Uni-Rio. A vida inteira tivemos a bala e o tiro como parte de nosso cotidiano. O medo, a bala perdida, o exército, o helicóptero, a milícia e o crime organizado estão, cada vez mais, presentes na vida das crianças brasileiras. A identificação com o Paquistão foi imediata.
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BC: –  O que você enxerga na história de Malala que contribui para a formação dos valores do público infantojuvenil?
RC: – A vontade e a esperança desta menina é emocionante. A coragem e a persistência na busca de um ideal, onde a igualdade seja base fundamental para a construção de uma sociedade mais justa. Estes pensamentos precisam retomar aos quintais, ao pátio, ao play, as ruas e as conversas entre pais e filhos. O diálogo precisa sair da internet, da TV e da Babá eletrônica para voltar as salas.
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BC: – Que aspectos da sensibilidade infantil você almeja atingir com a história de Malala?
RC: – O retorno a criatividade pura, a esperança de realizar seu sonho, a força do coletivo, as brincadeiras em conjunto, a troca e a aceitação do diferente, além do incrível e maravilhoso poder transformador das meninas.
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BC: – “Malala, a Menina que Queria ir Para Escola” é um livro escrito em formato de reportagem. Gostaria que você comentasse os desafios para transpô-lo para um palco teatral?
RC: – O desafio foi conseguir manter a característica do livro, as necessidades contidas nos direitos cedidos pela autora, sem perder a originalidade e a particularidade da encenação e de cada ator. Tivemos muitas mudanças durante o processo, mas conseguimos chegar a um resultado bem feliz. Sem dúvidas, um desafio que eu ainda não tinha enfrentado.
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BC: – Adriana Carranca participou, opinou ou acompanhou de alguma forma o processo de adaptação?
RC: – Sim. Até ontem (quatro dias antes da estreia) ainda estávamos fazendo mudanças e correções na adaptação. A partir do segundo tratamento do texto, o Rafael(Souza-Ribeiro) e a Adriana(Carranca) trabalharam bastante juntos.
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O livro original de Adriana Carranca

O livro original de Adriana Carranca

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Arte: Daniel Jesus

BC: – Você menciona que a palavra “transformação” funciona como um norte na sua criação cênica. O que isso significa exatamente?
RC: – Malala é uma sobrevivente que luta por uma causa e assim ela está transformando o mundo. As crianças veem nela um exemplo. Quando entrei no Teatro Municipal pela primeira vez aos 8 anos, após o espetáculo terminar, fugi da fila do ônibus que tinha levado a gente,  como parte de um projeto-escola e voltei correndo para dentro do teatro. Vendo o cenário subir e os bailarinos e técnicos andando normalmente no palco, a ilusão e a magia se “transformaram” em possibilidade. Ali entendi que eu poderia realizar meu sonho. Era possível viver naquele mundo. A encenação se passa num quintal imaginário, podendo estar localizado aqui ou no Paquistão, ou em qualquer parte do mundo. Era ali, no quintal da casa dos meus pais, onde eu transformava uma lata em ônibus, uma vassoura em cavalo, um lençol em capa. Isto tudo está na peça. Precisamos retomar a poesia da vida. A ação precisa virar dança. Nosso corpo precisa se expandir. Nossas vozes precisam encontrar e aceitar as variantes. A brincadeira e o afeto podem transformar o mundo. O teatro educa através da emoção e emocionando a gente avança.
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BC: – Pelo que compreendi da proposta, não existem papeis definidos e os atores funcionam como narradores, com divisões em diversos personagens. Por que essa opção narrativa?
RC: – Somos todos narradores desta história. Cada um teve a sua leitura individual do livro. Tentamos juntar estas leituras e trazê-las para o palco.
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BC: – De que maneira se deu a entrada de Adriana Calcanhotto no projeto e qual a sua contribuição para o resultado do espetáculo?
RC: – Queríamos alguém que pudesse contribuir conosco e que tivesse uma relação musical com o universo infantil, arriscamos em convida-la e ela lindamente aceitou e nos enviou lindas canções que não saem de nossas cabeças. Adriana tem dentro de si uma linda menina. Como todos nós.
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BC: – Quais as suas expectativas com o espetáculo “Malala, a Menina que Queria ir para a Escola”?
RC: – Voar! Esta mensagem precisa chegar ao máximo de crianças e adultos. É hora de união!    Espero realmente que as crianças sintam, nem que seja por um instante, algo parecido com o que senti quando voltei para dentro do Teatro Municipal. Um estado de suspensão que eu nunca soube definir. Aquele instante teatral que só nós, gente de teatro, sabe o que é. O público, na maioria das vezes, nem percebe, apenas sente e jamais esquece. Ali, naquele momento eu senti a real possibilidade de realização de um sonho. Espero que elas sintam novamente a esperança e a alegria da vida. Malala quase morreu, mas resistiu bravamente e continua em busca de seu sonho. Durante a semana faremos espetáculos para escolas públicas e particulares, mas ainda é pouco. Esperemos conseguir mais parceiros. Precisamos levar o trabalho para o interior do país.

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Foto: Roger Von Kruger

Ficha Técnica
“Malala, a menina que queria ir para a escola”
de Adriana Carranca
Adaptação: Rafael Souza-Ribeiro
Direção: Renato Carrera
Canções Originais: Adriana Calcanhotto
Elenco: Adassa Martins, Dulce Penna, Fernanda Sal, Hugo Germano, Ivson Rainero, José Karini, Marcelo Valentim, Patrícia Garcia e Tatiana Quadros & o músico Adriano Sampaio com percussão original.
Assistente de Direção: Joana Cabral
Cenário: Daniel de Jesus
Figurino: Flavio Souza
Iluminação: Alessandro Boschini
Direção Musical: Lúcio Zandonadi
Direção de Movimento e Coreografia: Sueli Guerra
Preparação Corporal: Edgy Pegoretti
Projeções e Videoinstalação: VJ Vigas
Preparação Vocal: Danielly Souza
Desenho de Som: Arthur Fereira
Ilustração: Bruna Assis Brasil
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Programação Visual: Daniel de Jesus
Fotos de Divulgação: Ricardo Borges
Mídias Sociais: Egídio La Pasta Jr
Produção Executiva: MS Arte e Cultura
Gestão Financeira e Gerência de Projeto: Natalia Simonete
Direção de Produção: Alessandra Reis
Idealização: Tatiana Quadros
Fanpage do espetáculo: https://www.facebook.com/malalanobeldapaz/

Serviço
Espetáculo: Malala, a menina que queria ir para a escola
Local: Teatro Sesc Ginástico
Endereço: Av. Graça Aranha, 187, Centro, Rio de Janeiro
Informações: (21) 2279-4027
Estreia dia 12 de outubro, sexta-feira, às 15h.
Temporada: 12, 13, 14, 20 e 21 de outubro.
Horários: Sexta, às 15h, sábados e domingos, às 11h e 15h.
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Funcionamento da Bilheteria: de terça a domingo, das 13h às 20h.
Lotação: 513 lugares
Duração: 70 minutos
Classificação: Livre

Atendimento à Imprensa
Ney Motta | contemporânea comunicação
assessoria de imprensa


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