Entrevista: Tom Pires – Ator e Diretor


 

Tom -Trabalho (8)

Por Renato Mello.

Tom Pires, ator e diretor. Presente em diversos trabalhos nos palcos cariocas nos últimos meses, reestreou nesta semana o espetáculo “As Bondosas”, no Teatro dos 4 no Shopping da Gávea, tendo no elenco Leandro Mariz, Gerson Lobo e Sidcley Batista.

Nessa entrevista que gentilmente Tom nos concedeu,  comenta o processo de criação de “As Bondosas”, suas expectativas e um pouco sobre o seu trabalho.

AS BONDOSAS ENSAIO-BY JANDERSON PIRES 3352 130730

Fotos: Janderson Pires.

as bondosas 12BC: – Como surgiu o projeto e a ideia de montar “As Bondosas”?
TP: – ​Um dos atores da peça tinha assistido à montagem baiana desse texto há anos e ficou encantado pela peça. Conseguiu autorização para montá-la no Rio de Janeiro e alimentou por um bom tempo a esperança de encontrar pessoas que quisessem levar adiante esse projeto. Um amigo em comum nos convidou para uma primeira leitura a fim de conhecermos o texto, a partir daí, resolvemos tirar essa ideia do papel a qualquer custo. Formamos desde então um quarteto abnegado e determinado a montar AS BONDOSAS.

BC: – Podemos enxergar de maneira mais superficial o texto de Uelinton Rocon como uma bela comédia. Mas você não acha que ele tem a capacidade transcender a isso para se transformar numa grande metáfora da hipocrisia reinante na sociedade?
TP:- ​Certamente, aliás, essa perspectiva que o texto nos apresenta, foi determinante para minha entrada neste projeto: a possibilidade de uma reflexão das mazelas humanas escondidas atrás de máscaras sociais. Nesse sentido, o texto de Ueliton Rocon nos caiu como uma luva porque fala desse policiamento, dessa prisão social a que somos submetidos em nome do bem geral.

BC: – Os personagens do espetáculo são 3 carpideiras. Como foi o processo de construção desses personagens que tem uma função tão fúnebre quanto chorar o defunto alheio e explora-los dentro do contexto de uma comédia?
TP: – ​Levantamos muita coisa a respeito do ofício de carpideiras mundo afora, das tradicionais às contemporâneas, mas nosso foco não era o ofício de carpideira, era o ser humano carpideira, o que há de universal nessas três carpideiras apelidadas de Prudência, Angústia e Astúcia.​ Então, fomos buscar dentro de cada um da equipe  as referências desse universo. Todo o elenco e também, a direção do espetáculo, são de atores Pernambucanos, mas optamos pela não regionalização do tema, ​e sim, pelo entendimento dos motivos ​que as levaram a esse ofício.

BC: – Qual a importância e o significado de ter recebido 7 prêmios do Festival de Teatro do Espírito Santo (incluindo melhor espetáculo)?
TP: – ​Festival de teatro, é uma loteria, porque você nunca sabe o que se passa na cabeça de um jurado, qual o critério de desempate, etc. Nesse caso em especial, foi uma grande surpresa, porque 7 prêmios numa mesma edição, não pode ser sorte. rsrsr. Ficamos felizes pelo reconhecimento e entendimento dos códigos cênicos que utilizamos e cada vez mais confiantes no poder do teatro, porque na verdade é um espetáculo muito simples.

AS BONDOSAS - by Janderson Pires  (4)

BC: – Você tem no elenco atores com um conhecimento profundo não só desse ofício, mas de todo o processo de criação. O Leandro Mariz, por exemplo, é diretor de teatro, iluminador, figurinista. O Sidcley Batista é o responsável pelo cenário de “As Bondosas”. Você, além de diretor, também é ator. Com artistas tão completos juntos num mesmo espetáculo, conte-nos um pouco como foi o processo de desenvolvimento criativo dessa peça entre v​ocês quatro (você e os 3 atores).
TP: – Essa pergunta é muito interessante. Não foi fácil… enquanto ator defendo a efetiva participação dos atores num processo de montagem, tornando-se colaboradores do resultado final; enquanto diretor, defendo a necessidade de um conceito que norteará todas as áreas da criação artística desse espetáculo. O desafio, portanto, é ser critico atendendo a um conceito preestabelecido. Como fazer isso com atores com formações tão díspares e larga experiência em linguagens teatrais específicas? Era preciso equalizar essas experiências para que pudéssemos ter um único conceito em cena. Não foi fácil para cada um deles, abrir mão de suas certezas em função de uma nova ordem. Gosto de trabalhar com intervalos entre os ensaios para que os atores tenham tempo de absorver a demanda e trabalharem sozinhos em busca de uma autonomia da cena, mas se essa autonomia vier fora do conceito predeterminado, será revista e até mesmo descartada. Foi esse nosso processo durante um ano: custoso, trabalhoso, mas autoral. Nos meus espetáculos, sempre tem muito do que os atores me trazem para a cena, e isso só se consegue com atores experientes.

BC: – Que expectativas você tem dessa nova temporada de “As Bondosas”?
TP: – ​Estamos muito felizes de chegar à quarta temporada carioca de AS BONDOSAS num teatro que tem uma estrutura maravilhosa, onde o público sente-se em casa, de fácil acessibilidade, etc. Então, eu espero que as pessoas vão ao teatro para dividir com a gente essa alegria, que os colegas de classe vão nos pretigiar, que a crítica especializada dê seu parecer sobre a maneira como estamos contando a história dessas carpideiras e, principalmente,  que o público que for nos assistir saia do teatro recompensado.

BC: – Nos últimos meses você dirigiu “Facinhas”, agora reestreia “As Bondosas” e atuou em “Piquenique no Front”. Quais são seus próximos projetos?
TP: – Enumerados assim, parece que é muita coisa, mas não é. Faltou dizer que durante todo esse tempo conto historias pela vida … sim, eu sou CONTADOR DE HISTÓRIAS e essa tem sido minha maior ocupação nos últimos tempos. Mas… voltando ao teatro, estamos indo para Curitiba no final deste mês com o espetáculo Piquenique no Front​; estou dirigindo um espetáculo adulto chamado “BENDITO”, que estreia em abril próximo; em julho inicio um novo processo como ator, de um espetáculo chamado “NORDESTINOS, que  estreará em outubro, no Rio de Janeiro. E contando Histórias… sempre!


Palpites para este texto:

  1. Angelina Palacyanna é escritora, artista plástica e colunista social. Venho parabeniza-lo pelos seus excelentes trabalhos.
    Chegando dos Estados Unidos, gostaria que entrasse em contato comigo para lhe apresentar alguns livros que estão sendo selecionados para cinemas ou peças teatrais. Vejam meu site em http://www.angelinapalacyanna.com.br e me ligue para marcamos um reunião breve!

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