Estreia: A Hora da Estrela


 

A Hora da Estrela - foto Vinícius Mochizuki 01

Clássico de Clarice Lispector ganha versão teatral, com o uso de máscaras, em homenagem aos 95 anos de nascimento da autora

‘A Hora da Estrela’, espetáculo teatral inspirado na obra homônima da escritora Clarice Lispector, será encenado no teatro do Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas em Santa Teresa, do dia 17 a 26 de abril, com sessões sextas e sábados às 19h30 e domingos às 19h. A montagem, adaptada e dirigida por Érico José, é fruto da parceria entre o Coletivo Livre de Espetáculos (BA) e a Cia de Teatro Cordão Encarnado (RJ), que tomaram como base para a encenação a técnica das máscaras cênicas, desde a composição das personagens que passeiam pelo mundo de Macabéa, a protagonista da obra, até a visualidade e sonoridade da peça.

As máscaras confeccionadas por Flávia Lopes e Marise Nogueira, não só afeta a forma de atuação do espetáculo, mas todos os seus elementos, tanto os visuais como os sonoros, criando uma atmosfera lúdica e, ao mesmo tempo, profunda sobre as relações humanas e sociais de um Brasil dividido em muitos.

A atriz Joelma Di Paula, pernambucana radicada no Rio de Janeiro, vive Macabéa, desde sua infância no Nordeste até sua peregrinação para o Sudeste, e para cada momento de sua vida, a máscara marcará a passagem do tempo e as relações estabelecidas entre ela e os demais personagens que cruzam sua história. O ator carioca Angelo Mayerhofer dá vida aos demais personagens, tanto os masculinos quanto os femininos, se utilizando também de máscaras. Durante o processo de criação, os atores fizeram uma imersão pelo Nordeste durante 22 dias, e visitaram a cidade de origem de alguns personagens.

A Hora da Estrela - foto Vinícius Mochizuki 03

Assim como na escrita da autora, o espetáculo percorrerá de forma não cronológica a vida desta nordestina perdida na cidade maravilhosa e dentro de si mesma, através do recurso do flashback e da narração simultânea, alternando momentos de texto vocal com situações de carga visual e poética.

O cenário de Renata Cardoso explora a mudança ágil de objetos sobrepostos a um biombo-suporte que se transforma em vários ambientes da trama, como o quarto do cortiço onde Macabéa mora, o escritório onde trabalha, a praça, a casa da tia em Alagoas, o apartamento de Glória, a casa da cartomante, etc.  Sombras também são usadas como recurso narrativo, tendo o biombo como tela para as personagens mais simbólicas de Clarice, como o tocador de violino, por exemplo.

A iluminação, assinada por Aurélio de Simoni, faz uma alternância entre intimista e aberta, a partir da situação e do ambiente solicitado no desenrolar das ações e dos encontros das personagens. A trilha sonora, criada por Dj Dolores com a concepção de Érico José, segue a mesma linha e acompanha a transformação dos atores em cena.

“Dentre outros textos sugeridos pelo diretor Érico José, escolhi A Hora da Estrela, porque depois de ler o livro, não tive mais escolha, a Macabéa é tão real em suas contradições e complexidade, que é um desafio para qualquer ator. E como nordestina já senti tão fortemente essa sensação de “perdição na cidade grande” tão bem colocada por Clarice, que é como se eu tivesse sido convocada a contar essa história, que é a história de muitos de nós. Quem nunca se sentiu Macabéa na vida?”, indaga a atriz.

Sinopse

A Hora da Estrela é também uma despedida de Clarice Lispector. Lançada pouco antes de sua morte em 1977, a obra conta os momentos de criação do escritor Rodrigo S. M. (a própria Clarice) narrando a história de Macabéa, uma alagoana órfã, virgem e solitária, criada por uma tia tirana, que a leva para o Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafa. Na cidade grande ela se depara com um universo de personagens que a subjugam e a maltrata são eles: o patrão, a Glória (amiga do trabalho), Olímpico, (namorado), a tia (em flashbacks) e a cartomante.

Em A hora da estrela Clarice escreve sabendo que a morte está próxima e põe um pouco de si nas personagens Rodrigo e Macabéa. Ele, um escritor à espera da morte; ela, uma solitária que gosta de ouvir a Rádio Relógio e que passou a infância no Nordeste, como Clarice.  A despedida de Clarice é uma obra instigante e inovadora. Como diz o personagem Rodrigo, estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. É Clarice contando uma história e, ao mesmo tempo, revelando ao leitor seu processo de criação e sua angústia diante da vida e da morte.

A Hora da Estrela - foto Vinícius Mochizuki 04

Serviço
Temporada: 17 a 26 de abril
Dia hora: Sexta-feira e sábado às 19h30 e domingo às 19h
Onde: Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas
Endereço: Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa
Fone: (21)2215-0621
Email: parquedasruinas@gmail.com
Capacidade: 86 lugares
Ingresso: R$30,00 (inteira) e R$15,00(meia)
Bilheteria do Teatro: ( abre 1h antes do espetáculo e os ingressos já estão à venda na ingresso.com)
Facebook: A Hora da Estrela – Cia Cordão Encarnado RJ e COLE BA
Telefones produção: 21 991015215 e 21 997168514
Faixa etária: 12 anos
Duração: 1h20

Ficha técnica:
Texto: Clarice Lispector
Gênero: tragicomédia
Adaptação, encenação e concepção da trilha sonora: Érico José
Elenco: Angelo Mayerhofer e Joelma Di Paula
Narração: Ernandes Cardoso
Direção de arte: Renata Cardoso (cenário,figurino e adereços)
Iluminação: Aurélio de Simoni
Colaboração artística: Jacyan Castilho
Músicas: Dj Dolores
Confecção de Máscaras: Flávia Lopes e Marise Nogueira
Preparação para atuação com Máscaras: Flávia Lopes
Foto divulgação: Vinícius Mochizuki
Designer de Projeto: Alexei Potenkim
Programação Visual: Ricardo Rocha
Confecção de adereços: Ymanuel Duart
Cenotécnico: Moisés Cupertino
Costureira: Jane Travassos
Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues / agência Aquela Que Divulga


Palpites para este texto:

  1. Amo essa obra,quando estarão em São Paulo.

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