Festival Dois Pontos


 

3_Espetáculo Melancolia y Manifestaciones_Direção Lola Arias

De 13 a 29 de março, o evento apresenta um panorama das artes cênicas argentina com espetáculos de Lola Arias, Ariel Farace, Timbre 4 e novos criadores que estão despontando na cena contemporânea  

Festival ocupa seis teatros municipais e o Galpão Gamboa

Há dois anos, o Festival dois pontos promoveu o intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal. Em sua segunda edição, apresenta um recorte da cena contemporânea argentina e estimula a criação e a troca artística entre os dois países vizinhos. De 13 a 29 de março, o Festival dois pontos apresenta oito peças da Argentina (sendo duas estreias mundiais), duas produções brasileiras, uma mostra de esquetes, três residências que resultarão em apresentações no festival, quatro shows e um espetáculo de dança. A programação contempla ainda duas oficinas, uma com a Companhia Sombras de Arena e outra com a diretora Agostina López.

A idealização e direção do Festival dois pontos são frutos da parceria de seis ocupações artísticas dos teatros do município: Ágora, Câmbio, Os Ciclomáticos, No Lugar, Projeto_ENTRE e Vem!. “As atrações selecionadas foram pensadas para cada espaço. São produções que dialogam com a proposta da residência artística”, explica Marta Vieira, coordenadora do festival, ao lado de André Vieira. “Atualmente, a Argentina é um produtor de artes cênicas reconhecido no mundo todo. Só na capital, em Buenos Aires, existem mais de 150 salas de teatros e 400 peças em cartaz”, diz André.

Durante três semanas, o evento acontece em sete espaços diferentes distribuídos pelos bairros da Zona Sul, Zona Norte e da região central do Rio: ECM Sérgio Porto, Teatro Café Pequeno, Teatro Gonzaguinha, Teatro Ipanema, Teatro Maria Clara Machado e Teatro Ziembinski (teatros da rede municipal), além do Galpão Gamboa. Todas as atrações têm preço único de R$ 10 e as montagens argentinas contam com legendas eletrônicas em português.

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A PROGRAMAÇÃO ARGENTINA

O festival selecionou oito espetáculos da nova cena argentina, sendo duas estreias mundiais: “Constanza muere”, texto e direção do jovem dramaturgo Ariel Farace; e “Capitán”, uma criação de Agustín Mendilaharzu e Walter Jakob em parceria com a conceituada companhia Timbre 4. Em comum, as produções abordam temas como a velhice, o declínio da vitalidade e a solidão.

Em “Constanza muere”, a personagem-título Constanza é uma mulher idosa que vive sozinha. O seu corpo revela os desgastes provocados pelo tempo. Em uma tarde de domingo, ela ensaia a própria morte. “Capitán”, a outra estreia mundial, revela os bastidores de uma montagem teatral. Nicolas Molinari é um velho diretor de teatro aposentado e afastado dos palcos há mais de uma década. Molinari está empenhado em lançar uma nova peça escrita, dirigida e estrelada por ele, mas seu brilho e prestígio parecem ter morrido.

 O trabalho de Ariel Farace também está em “Luisa se estrella contra su casa”. Na peça, Luisa perdeu o seu namorado num trágico acidente de moto. Ela precisa lidar com o luto e o vazio da ausência do seu grande amor. Luisa se fecha para o mundo e sua vida se resume a sua casa, as compras no supermercado e a sua relação com um amigo imaginário. O elenco de “Capitán” também está em outro trabalho que a companhia Timbre 4 traz ao festival: “Tercer cuerpo”. Em cena, um escritório em ruínas, a casa de um casal, um bar e um consultório médico são diferentes ambientes alternados num único espaço ligando as vidas de cinco personagens. O elo entre eles é a solidão, a incompreensão e a necessidade de amar. Há sete anos em cartaz, o espetáculo já participou de mais de 30 festivais ao redor do mundo.

Relações familiares e recordações pessoais aparecem nas montagens de duas escritoras e diretoras portenhas: Lola Arias e Agostina López. Uma das principais expoentes do teatro argentino, Lola apresenta “Melancolía y manifestaciones”. A dramaturgia foi criada a partir das experiências pessoais da autora. Sua mãe foi diagnosticada com depressão no mesmo ano em que ela nasceu, 1976. Cada capítulo narra a relação da mãe com a sua cama, o cão, os analistas extravagantes e as fantasias de suicídio. O elenco é formado por quatro atores acima de 70 anos, um músico e a própria Lola, que narra as histórias vividas pela mãe.

Agostina López descobriu que poderia combinar o que mais gostava – a escrita e o teatro – depois de ter feito um workshop de dramaturgia com Lola Arias. A jovem buscou na infância a ideia para escrever a sua segunda peça, “La laguna”. Filha de pais separados, ela achava muito natural a imagem de um pai com suas filhas dentro de um carro passeando ou viajando no fim de semana. No espetáculo, um pai e duas filhas estão a caminho da sua cidade natal. Num carro imóvel no meio do trajeto, a família freia o futuro para recordar o passado e revivê-lo intensamente.

Em “Othelo”, de William Shakespeare, o diretor Gabriel Chamé Buendía apresenta a história do mouro de Veneza por meio da linguagem do teatro gestual e físico, do clown e do burlesco. Buendía questiona o que se entende por negro, traição, lealdade e vingança em seu país de origem, a Argentina. A Companhia Sombra de Arenas traz “Bambolenat”, um espetáculo sobre o nascimento do homem e da descoberta de um novo mundo. O espectador é convidado a acompanhar o protagonista em uma viagem de iniciação mágica e misteriosa, cheia de cores e sensações, como se fosse um filme feito ao vivo. Formado por artistas de diferentes áreas, o grupo usa técnicas de manipulação de areia e teatro de sombras.

1_Espetáculo Othelo_ Direção Gabriel Chame Buendia (2)

 A PROGRAMAÇÃO BRASILEIRA

O Festival dois pontos programou três projetos nacionais que dialogam com dois autores argentinos: o escritor Julio Cortázar e a poetisa Alfonsina Storni.  Dirigido e escrito pelo mineiro Ricardo César e protagonizado pela atriz brasiliense Gelly Saigg, “Vestida de mar” traz à cena a história da poetisa argentina Alfonsina Storni. Nascida 1892, a escritora foi um ícone da poesia de sua época e se suicidou, aos 46 anos, se jogando no mar. Três dias antes de morrer, ela enviou o seu último soneto, “Voy a Dormir”, para ser publicado no jornal “La Nación”, de Buenos Aires.

Idealizado pelo músico argentino Roberto Rutigliano, “O perseguidor – Um tributo a Cortázar e Charlie Parker” reúne música e leitura em uma homenagem ao escritor argentino Julio Cortázar e ao saxofonista americano Charlie Parker. Para o repertório, Rutigliano selecionou “All the things you are”, “Lover man”, “I remember you” e Bye, bye blackbird”. Entre as canções, a atriz Carolina Virguëz faz a leitura de trechos do conto “O perseguidor”, da coletânea “As armas secretas”, escrita por Cortázar em 1959. Inspirado na vida do jazzista Charlie Parker, o autor descreve os últimos dias do personagem Johnny Carter, virtuoso saxofonista decadente e alcoólatra.

A mostra “Novas Conexões”, uma criação da companhia Os Ciclomáticos, propõe uma releitura de textos curtos de Julio Cortázar. As quatro companhias de teatro que participam do projeto foram selecionadas pelo dramaturgo e diretor teatral carioca Ribamar Ribeiro, que assina a coordenação geral. Além do tempo de 20 a 30 minutos de encenação, o mote em comum aos grupos é: como apresentar a obra do autor argentino de forma moderna e contemporânea?

DANÇA – Estreia no festival

Marcela Levi é performer e coreógrafa carioca. Em 2010, entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, fundou a Improvável Produções com a coreógrafa argentina Lucía Russo. “Mordedores”, o novo projeto da dupla, estreia no Festival Dois Pontos. A música “Violently Happy”, de Bjork, foi uma das inspirações para o novo espetáculo. Em cena, sete performers mordem e são mordidos. “É uma dança afiada, de dente na carne”, define Marcela. O projeto dá continuidade à proposta das coreógrafas de trabalhar com autoria compartilhada. A montagem conta a colaboração dos artistas Daniel Passi, Gabriela Cordovez, Ícaro Gaya, João Vitor Cavalcante, Marilena Manuel Alberto e Tony Hewerton (performance e cocriação); e da artista visual Laura Erber (colaboração dramatúrgica).

AS RESIDÊNCIAS

 Os três projetos selecionados têm forte ligação com a Argentina tanto na participação dos diretores argentinos Norberto Presta e Pablo Ramos Grad, quanto na inspiração nas obras dos escritores Julio Cortazar e Adolfo Bioy Casares e da cineasta Lucrecia Martel.

A ocupação artística Vem! promove duas residências no Teatro Gonzaguinha. Em Flutuando”, o diretor argentino Norberto Presta vai criar um trabalho inédito com atores brasileiros. Eles vão construir a dramaturgia a partir de suas vivências e de suas memórias físicas sobre a água ou sua ausência. O outro projeto do Gonzaguinha é “Lucrécia”, que tem direção de Alexandre Mello e texto de Leandro Baumgratz. Inspirados nas trilhas sonoras dos filmes da cineasta argentina Lucrecia Martel, eles criaram personagens do universo da diretora, sob o ponto de vista de uma adolescente que está apaixonada por um homem mais velho.

Em 2008, o coletivo Pequena Orquestra apresentou “Madrigal em processo”, trabalho que reunia teatro, performance, música e fotografia. O projeto foi criado tendo com referências o filme “Blow up”, de Michaelangelo Antonioni, baseado no conto de Julio Cortazar; e no livro “A invenção de Morel”, de Adolfo Bioy Casares. Sete anos depois da primeira montagem, o grupo revisita “Madrigal em processo” durante a residência “Cia Provisória #5 – Madrigal em filmagem”. Agora, sob a direção do argentino Pablo Ramos Grad, a peça vai virar um filme que será exibido em um telão no palco do Teatro Ipanema.

OS SHOWS

O encontro da música brasileira com a argentina está na programação do Festival dois pontos. No show de abertura do evento, no dia 14 de março, no Galpão Gamboa, o público confere o cabaré “Babooshka”, protagonizado pelo cantor e bailarino argentino Carlos Casella. O show tem como fio condutor a voz de um homem cantando canções de mulher.

Antes da apresentação de Casella, o público pode participar de um aulão de tango com os dançarinos Márcia Figueiredo e Luciano Bastos (brasileiros) e Paola Motillo e Navir Salas (argentinos). “Os professores vão ensinar elementos e passos básicos do tango, para que depois o público possa curtir a música e arriscar alguns passos no salão”, explica Marta Vieira, coordenadora do festival. Essa é a única atração que tem um preço (R$ 20) diferente das demais.

O Teatro Maria Clara Machado é palco para a o show Glicina Oscura, da cantora Gisela Magri. O projeto, que teve início em 2010, une raízes populares do Brasil e da Argentina e apresenta sambas, milongas e tangos. O Teatro Café Pequeno recebe dois grupos. O TriTango traz um repertório que vai de Carlos Gardel a Astor Piazzolla, passando por tradicionais orquestras do gênero. Formado pelo saxofonista argentino Blas Rivera, o violoncelista inglês David Chew e a cantora brasileira Michele Barsand, o trio Blas Rivera mostra uma seleção de tangos, milongas, forrós e jazz.

OFICINAS

 Ministrada por quatro integrantes da Companhia Sombras de Arena, a oficina propõe aos atores uma experimentação dos métodos e narrativas do grupo, por meio do desenho, da atuação e da música. A oficina da autora e diretora Agostina López tem como objetivo a improvisação de cenas criadas a partir de textos narrativos ou poéticos, fotografias ou imagens, músicas e filmes.

 AS ATRAÇÕES

OS ESPETÁCULOS ARGENTINOS
“Bambolenat”, da Companhia Sombras de Arena (inédito no Rio)
“Capitán”, companhia Timbre 4 (estreia mundial no festival)
“Constanza muere”, direção de Ariel Farace (estreia mundial no festival)
“La laguna”, de Agostina López (inédito no Brasil)
“Luisa se estrella contra su casa”, direção de Ariel Farace (inédito no Rio)
“Melancolía y manifestaciones”, direção de Lola Arias (inédito no Rio)
“Othelo”, direção de Gabriel Chamé Buendía (inédito no Rio)
“Tercer cuerpo”, companhia Timbre 4

OS ESPETÁCULOS BRASILEIROS
“Vestida de Mar”, direção de Ricardo César (inédito no Rio)
“O perseguidor – Um tributo a Cortázar e Charlie Parker”, concepção de Roberto Rutigliano

DANÇA
“Mordedores”, de Marcela Levi e Lucia Russo (estreia no festival)

MOSTRA
“Novas Conexões”, idealização e direção de Ribamar Ribeiro (estreia no festival)

AS RESIDÊNCIAS
“Cia Provisória #5 – Madrigal em filmagem”, direção de Pablo Ramos Grad
“Flutuando”, direção de Norberto Presta
“Lucrécia”, direção de Alexandre Mello

OS SHOWS
Blas Rivera Trio
Carlos Casella – Babooshka!
Glicina Oscura
Tritango

O Festival dois pontos foi patrocinado pela Secretaria Municipal de Cultura.

FICHA TÉCNICA
Realização: Treco Produções
Direção Artística:
• ÁGORA – José Della Vedova, Fabianna de Mello e Souza e Mauro Vianna
• CÂMBIO – André Vieira, Cesar Augusto e Jonas Klabin
• Projeto_ENTRE – Daniela Amorim, Joelson Gusson e Marta Vieira
• NO LUGAR – Fabricio Belzoff, Michel Blois e Rodrigo Nogueira
• Os Ciclomáticos – Ribamar Ribeiro
• VEM! – Alexandre Mello e Rogério Garcia
Coordenação de projeto: André Vieira e Marta Vieira
Coordenação de logística: Leila Maria Moreno
Produção de logística: Monna Carneiro
Coordenação técnica: Felipe Argollo e Leandro Barreto
Assistência de coordenação técnica: Lia Sarno
Assistente técnico: Juju Moreira
Produção de Arte: Rodrigo Abreu
Assistência de Produção de Arte: Bruno Henriquez e Renato Barreto
Coordenação de comunicação: Paula Rollo
Produção de comunicação: Marcelo Mucida
Programação Visual: Felipe Braga
Conteúdo, Webmarketing e Vídeos: Elisa Mendes e Julia Casotti
Fotografia: Arthur Seixas e Renato Mangolin
Coordenação Administrativa Financeira: Cristiane Cavalcante
Assistente Administrativo Financeiro: Carina Ribeiro
Produção Local: Aline Mohamad, Ana Beatriz Silva, Fábio Osório, Juliana Mansur, Rogério Garcia e Ton Dutra
Tradução de peças: Carlos Alberto Della Paschoa
Consultoria de shows: Márcia Figueiredo
Parceria: Galpão Gamboa e Pequena Central
Apoio Institucional: Consulado Geral da Argentina e Instituto Cervantes
Patrocínio: Prefeitura da Cidade de Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura

SERVIÇO – FESTIVAL DOIS PONTOS
De 13 a 29 de março de 2015
Telefone para informações: (21) 3178-0303
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Show de abertura: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Site oficial do festival: www.doispontos.art.br
*Os espetáculos argentinos contam com legendas eletrônicas em português
*Os endereços e a classificação etária de cada atração estão
disponíveis no arquivo da programação diária.

ASSESSORIA DE IMPRENSA FESTIVAL DOIS PONTOS
Paula Catunda
paula.catunda@gmail.com

Bianca Senna
bianca@astrolabiocom.com.br

 

 


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