Flip 2012 – 2º Dia


 

Foi um bom dia a Flip com debates interessantes da manhã até à noite.


A primeira mesa do dia reuniu 3 jovens escritores, André de Leones, Altair Martins e Carlos de Brito e Mello para debaterem numa mesa intitulada “Escritas da Finitude”, traduzindo: a morte. Autores tão jovens e com toda uma carreira pela frente transcorreram sobre o tema utilizando-se de experiências pessoais e como o tema influenciou direta ou indiretamente a obra de ambos. De Leones, por exemplo, que evocou o assunto no seu livro “Dentes Negros” explicou que foi criado numa cidade com grandes índices de suicídio e isso serviu de mote para sua criação:

“Eu lembro de estar no velório e, enquanto as pessoas pensavam ‘por que ele [o morto] fez uma coisa dessa?’, eu me peguei, com assombro, pensando: ‘Mas por que não?’ Cresceu em mim a necessidade não de me matar, felizmente, mas de criar alguma coisa a partir disso.”

Já o gaúcho Altair Martins explicou que a proximidade com o tema se deu a partir da morte de seu pai. Fechando, o mineiro Carlos de Britto e Mello explanou sobre seus primeiro contato com a temática, ainda menino. Em Visconde do Rio Branco, interior de Minas, aonde a morte dos habitantes eram anunciadas em carro de som pelas ruas da cidade. A simples passagem do veículo já era um prenúncio da angústia.

Jorge Amado foi o tema de uma ótima mesa que contou com o escritor João Ubaldo Ribeiro e o novelista Walcyr Carrasco. Durante hora e meia a dupla discorreu sobre a grandiosidade da obra de Jorge Amado.  Walcyr teceu considerações sobre a “traição” que é necessário cometer para a adaptação de uma obra literária para outro meio, como é o caso atualmente de “Gabriela”. João Ubaldo que arrebatou a plateia contando “causos” de Jorge Amado enfatizou o seu pioneirismo ao introduzir o negro como elemento protagonista na sua literatura:

“Isso não existia antes de Jorge. E teve um impacto tremendo além das nossas fronteiras, na cultura lusófona como um todo, pois sua literatura acabou servindo como farol espiritual para as populações africanas humilhadas pelo regime opressor. Aqui no Brasil, através da literatura de Jorge Amado, essas populações ganharam a possibilidade de expressão.”


A mesa reunindo o escritor espanhol Enrique Casa-Matas e o escritor chileno Alejandro Zambra também foi bastante interessante, numa mesa cujo tema era “Apenas Literatura”, aonde a meta-literatura esteve presente, através de personagens evocados nos livros de ambos, como Bob Dylan, Marcel Duchamp e Marcel Proust.Falaram de suas referências, da admiração e amizade(no caso de Vila-Mata) com Roberto Bolaño, o ofício de escrever e a paixão pela literatura. A platéia acabou encanada pelo diálogo entre ambos e Zambra cativou a platéia ao setenciar:

“-Admiro tanto Vila-Matas que precisei tomar meia garrafa de cachaça antes de começar a mesa!”

Não sei porque aguardei ansioso a mesa entre Luís Eduardo Soares e Fernando Gabeira, com mediação de Zuenir Ventura sob a temática “Autoritarismo, Passado e Presente”.Por mais admiração que tenha sobre o trio, o debate foi mais do mesmo. O mesmo discurso de décadas e nada de novo foi acrescentado. O único tema relativamente novo foi sobre a abordagem feita relativa a Comissão Nacional da Verdade. Mas a resposta de ambos foi o que se esperava de seus respectivos papeis e “personagens”. Uma mesa com pessoas interessantes e debate morno.


A Lista da Granta


saiu a aguardada lista da edição nacional da revista “Granta”. Em tese são nomes que deverão ser responsáveis pelos rumos da literatura brasileira nas décadas vindouras. São eles:

– Cristhiano Aguiar
– Javier Contreras
– Vanessa Barbara
– Carol Bensimon
– Miguel Del Castillo
– João Paulo Cuenca
– Laura Erber
– Emilio Fraia
– Julián Fuks
– Daniel Galera
– Luisa Geisler
– Vinicius Jatobá
– Michel Laub
– Ricardo Lísias
– Chico Mattoso
– Antonio Prata
– Carola Saavedra
– Tatiana Salem Levy
– Leandro Sarmatz
– Antônio Xerxenesky


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