Flip 2012 – 4º Dia


 

Já um tanto extenuado e mais preocupado em dar uma maior atenção a minha filha ao longo do dia de hoje, confesso que fui displicente neste 4º dia de Flip. Portanto pouco tenho o que acrescentar, mas para não passar em branco segue o pouco que vi.

Acompanhei apenas a mesa “Em Família”, que contou com as presenças da escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso e os brasileiros Zuenir Ventura e João Carrascoza. Felizmente os integrantes da mesa fizeram intervenções bem interessantes, levaram o público tanto a se emocionar como a gargalhar, mas o formato desta palestra não me agrada. Acho que deixa engessada, a palestra não flui e não há interação entre os participantes. Cada um deles fez individualmente uma conferência individual, depois fizeram leituras de trechos de seus livros e por fim responderam algumas poucas perguntas dos espectadores.

Sobre o tema proposto, numa palestra levada mais pelo tom emocional, Cardoso fez  interessantes considerações:

A família é um grande laboratório do comportamento humano. Um lugar onde todos os sentimentos podem e são experimentados. Nunca vi os amores e os ódios surgirem tão intensos como dentro do núcleo familiar. Há um ditado português que diz: ‘Quem está no convento é que sabe o que se passa lá dentro’. Com a família é a mesma coisa. Não há personagem nos meus livros que eu não saiba a origem familiar completa. Isso é muito importante na minha literatura.

Ou ainda:

“O grande desafio da família não é satisfazer as necessidades que a sociedade pede, que pede demais e depois deixa todos nós frustrados, mas ser um lugar onde o amor acontece e persiste. Deve ser sempre uma casa e não uma prisão.”

Mas a grande figura da mesa foi Zuenir Ventura que foi o responsável por levar à plateia tanto à reflexão quanto às gargalhadas. Na Flip para lançar seu romance “Sagrada Família”, um livro que se passa numa fictícia cidade fluminense na década de 40 enfocando as tensões familiares de uma família do interior.

“Os anos 1940 foram anos ocultos, de recato, muita dissimulação e hipocrisia. O casamento era uma união indissolúvel. O modelo de formação familiar era um muito patriarcal.”

Utilizando algumas memórias da infância em sua trama, retratou a de um marido que devolve a mulher para a sogra para que esta pudesse ensiná-la o que era casamento. Na escolha do trecho do seu livro que leria, optou por uma cena de um engraçado ato sexual inocentemente flagrado, para delírio da audiência.

Embora eu não tenha assistido suas mesas, posto abaixo 2 videos. O 1º da mesa entre Roberto da Matta e Suketu Mehta sobre o tema “Cidade e Democracia“. O 2º da mesa entre Ian McEwan e Jennifer Egan com o tema “Pelos Olhos do Outro“. Me despeço desculpando-me pelo post ruim e sem inspiração de hoje.


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