Flip 2012 – Encerramento


 

Foi bonita a festa, pá. Fiquei contente, ainda guardo renitente um velho cravo para mim. A 10ª edição da Flip terminou hoje com um balanço extremamente positivo, numa bela celebração da literatura e com um público estimado em 25 mil espectadores. Esse número é considerado o ideal para que a cidade de Paraty suporte um festival de qualidade e repercussão compatível com sua capacidade e estrutura.

Lógico que as bienais de Rio e São Paulo levam públicos muito superiores a esse, próximo do milhão, mas é na Flip que tudo acontece, aonde estão os principais lançamentos, as mais importantes divulgações de projetos, os escritores mais interessantes, as melhores discussões,  novas leis e incentivos. É em Paraty que as grandes ideias repercutem e se irradiam as  para mais 150 feiras literárias que seguem ao longo do ano pelo Brasil afora, os filhotes da Flip, como Ribeirão Preto, Porto Alegre, Fortaleza, Belém. Por falar em Belém(que por sinal, é mais antiga que a Flip),  esta confirmou para sua edição a presença de José Luís Peixoto, Gonçalo M Tavares, Lídia Jorge e Ariano Suassuna, que darão grande prazer as mais de 400 mil pessoas que costumam frequentá-la e ratificam sua condição de ser o mais importante evento literário do Brasil depois da Flip e das bienais de Rio e São Paulo.

A Flip desse ano foi marcada pela ausência de polêmicas, muitas concordâncias e troca de gentilezas nas mesas. Como de hábito, de onde tínhamos expectativas tivemos decepções, o caso específico de Jonathan Franzen, que exigiu um grande esforço do público para se manter acordado e de onde não havia essa expectativa foi possível extrair momentos de grande emoção, como o fez o escritor português José Luís Peixoto, autor de “Morreste-me”, escrito pouco depois da morte de seu pai.

Do que eu vi, o que mais me agradou foram as mesas de Enrique Vila-Matas com Alejandro Zambra e Adonis com Amin Maalouf. Já a mesa de Luís Eduardo Soares e Fernando Gabeira me fizeram desejar ardentemente um travesseiro.

O que mais senti falta? Sinceramente, de Daniel Piza. Seu blog no “Estado de São Paulo” era a mais interessante e saborosa cobertura do festival e de seus bastidores. Infelizmente Daniel Piza faleceu exatamente na virada do ano de enfarte aos 42 anos. Fez muita falta este ano.

Para 2013 já temos a confirmação da curadoria novamente de Miguel Conde, que fez um trabalho muito competente e a especulação de que o homenageado será Graciliano Ramos. Falando de perfumarias, parece que teremos até transporte marítimo direto de Rio para Paraty. Mas a maior discussão sobre seu formato fica em torno do pagamento ou não de cachês para participantes e mediadores. Aos escritores, tal pagamento ainda não deve emplacar na próxima edição, mas aos mediadores está quase certo.

Quero destacar o belo programa da Globo News, com apresentação de Edney Silvestre, que o apresentou diretamente da Flip. Aliás, deverei escrever em breve um post sobre este programa, que creio ser o ÚNICO na TV brasileira exclusivamente sobre literatura. Não sei se ainda existe o programa da Bia Correia do Lago no Canal Futura, que era muito bom também.

Agora só resta esperar 2013.


Palpites para este texto:

  1. quando foi ou vai ser a festa literária de belém? obg,

  2. Olá Lilian, Bem-vinda! A Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém, vai ocorrer entre os dias 21 e 30 de setembro. Abraços.

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