Flip 2012 – Vai Começar!!!


 


A partir de 4 ª feira o velho calçamento em pé-de-moleque da secular Paraty voltarão a tremer sob uma horda de fãs e tietes travestidos de vorazes leitores. Chegamos finalmente a 10ª edição do mais importante evento literário do país, aonde as editoras fazem de tudo para chamar a atenção para seus escritores, aonde esses mesmos escritores são tratados como estrelas de Hollywood, o pior é que alguns acabam por acreditar que realmente são e aonde a literatura é colocada no lugar que deveria ter ao longo de todo o ano dentro da grande imprensa.

A consequência desses 10 anos de FLIP é a epidemia de feiras literárias criadas Brasil afora, hoje já são mais de 150 filhotes nos mais diversos cantos, ou seja, são mais 150 espaços para se vender e discutir livros de maneira regional, o que é algo a ser comemorado num país de tão poucos leitores e aonde o número de livrarias por habitantes é ridículo, mesmo se comparado a cidades como Buenos Aires, por exemplo.

Muito já foi discutido sobre o tamanho e a dimensão que a FLIP se transformou e sobre a impossibilidade estrutural de Paraty receber evento desse porte. Falta uma rede hoteleira mais ampla e até mesmo lugar adequado para se fazer refeições, é normal só se conseguir lugar para jantar lá pelas 2 da madrugada. Mas mesmo assim é impossível se pensar em melhor lugar para esse evento que Paraty.

Em 2011 a grande decepção foram as ausências de última hora do polêmico escritor francês Michel Houellebecq e do escritor italiano Antônio Tabucci. Este último declinou do convite alegando “razões políticas”, num ridículo protesto pelo asilo brasileiro concedido a Cesare Battisti. Embora também condene tal situação(como já escrevi AQUI), foi decepcionante sua ausência, pois queria ter tido uma proximidade maior com o autor de um livro que tanto me impactou como “O Noturno Indiano”, mas agora isso será impossível devido ao seu recente falecimento. Este ano já temos uma baixa para lá de significativa, J.M.G. Le Clézio, Nobel de literatura, que acabou de comunicar à organização que não poderá mais vir, alegando vagamente “motivos de saúde”.

Apesar da ausência de Le Clézio, nomes de destaque no mundo literário internacional estarão presentes, tais como o inglês Ian McEwan, o catalão Enrique Vila-Matas, os norte-americanos Jonathan Franzen e James Shapiro, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, a cubana Zoé Valdes e o sírio Adonis. Do lado brasileiro há desde autores consagrados como Silviano Santiago, Zuenir Ventura e Luís Fernando Veríssimo até caras mais novas como João Paulo Cuenca, Paloma Vidal e André Leones.

Falando em caras novas, será na FLIP, entre os infindáveis lançamentos que o selo Alfaguara(da editora Objetiva) lançará sua seleção dos melhores jovens escritores 2012, através da edição nacional da revista Granta, que a cada 10 anos publica na Inglaterra seu “Os Melhores Jovens Escritores Britânicos”, aonde costuma revelar os autores que serão responsáveis pelos caminhos que trilhará a literatura inglesa nos próximos tempos. Nesse primeiro ano da edição brasileira estarão fazendo parte da lista de selecionáveis escritores com menos de 40 anos e que tenham publicado ou assinado contrato com alguma editora.

Este ano o escritor homenageado é o poeta Carlos Drummond de Andrade, que completaria 110 anos. Inúmeros eventos ao longo de toda FLIP, referentes à sua obra ocuparão de maneira quase onipresente a cidade, tais como filmes, palestras, debates, leitura de seus poemas recitados pelo próprio Drummond através de caixas de som pela cidade, exposição “faces de Drummond”, na Casa de Cultura de Paraty e principalmente a reedição de importante parte se sua obra pela Companhia das Letras.

Nesta semana Paraty será a capital cultural o Brasil.

Abaixo, publico texto do escritor argentino Alan Pauls para o site oficial da FLIP, aonde esteve presente na edição de 2007, contando sua experiência em Paraty

Penso na Flip e em Paraty como um paraíso alucinante

A Flip foi o primeiro festival literário que fui convidado na minha vida. Tive uma impressāo estranha, quase alucinatória, à la Aldous Huxley, como se me tivessem transportado a um mundo paralelo em que nāo houvesse nada mais importante do que um escritor. Todos os eventos funcionavam com lotaçāo maxima, as pessoas nos abordavam nas ruas para pedir autógrafos , as crianças apontavam para qualquer transeunte e perguntavam: “Este também é um escritor?”, toda a cidade estava lotada de banners com nome de escritores, títulos de livros, temas de debates… Até Coetzee sorria!. Nāo sei dizer quantos dias durou o festival. Parece que foram muitos, eternos. Em um momento, para me desintoxicar, aceitei passear de barco por algumas ilhas ao redor de Paraty. Com duas horas de passeio, já queria voltar. Precisava da minha dose, como se fosse um viciado. Alguém, de bom coracāo, que ama os escritores de verdade, me fez repousar em um canto e me obrigou a contemplar este “mar” durante as seis horas seguintes. Me salvou a vida. Mas desde entāo (e isso que conheço muitos festivais literários), penso na Flip e em Paraty como um paraíso alucinante, que prova que é agradável ser escritor e que ao mesmo tempo seria difícil viver em um mundo somente de escritores.

 

Minhas indicações:

 

Dentre a extensa programação da FLIP, fiz uma seleção do que me parece ser o mais promissor. Lógico que num evento como a FLIP, surpresas podem acontecer e às vezes de onde menos se espera é que surgem as grandes discussões e polêmicas. De qualquer forma, segue meu destaque pessoal:

Dia 4 – 4ª feira

Tenda dos Autores:

19:00 – Conferências – “Flip ano 10” – com Luís Fernando Veríssimo

19:00 “Drummond 110” – com Antônio Cícero e Silviano Santiago

21:00 – Show de abertura – com Ciranda da Tarituba e Lenine

 

Dia 5 -5ª feira

Tenda dos Autores:

15:00 – “Apenas Literatura” – com Enrique Vila-Matas e Alejandro Zambra

19:30 – “Autoritarismo, passado e presente” – com Luiz Eduardo Soares e Fernando Gabeira

 

Casa da Cultura:

11:30 – “Cem anos de Jorge Amado”, com João Ubaldo Ribeiro e Walcyr Carrasco

21:30 – “Cartas de Maria Julieta e Carlos Drummond de Andrade – Monólogo adaptado das cartas trocadas entre pai e filha, interpretação de Sura Berditchevsky

 

Casa Folha

15:00 – “Paulo Francis: jornalismo e polêmica”, com Luiz Felipe Pondé

 

Dia 6 – 6ª feira

Tenda dos Autores:

12:00 – “O Mundo de Shakespeare” – com Stephen Greenblatt e James Shapiro

15:00 – “Exílio e flânerie” – com Teju Cole e Paloma Vidal

19:30 – “Encontro com Jonathan Franzen”

 

Casa da Cultura:

15:00 – “Grã-Bretanha na escrita” – com John Freeman, Andrea Stuart e Cynan Jones.

17:00 – “A Semana de 1922 aos 90 anos” – com Eduardo Jardim, Ivan Marques, Pedro Duarte e Helen Bomeny

 

Casa Folha:

11:00 – “Jornalismo literário”, com Ruy Castro

 

Dia 7 – Sábado

Tenda dos Autores:

12:00 – “Pelos Olhos do Outro” – com Ian McEwan e Jennifer Egan

15:00 – “Em família” – com Zuenir Ventura, Dulce Maria Cardoso e João Anzanello Carrascoza

17:15 – “O avesso da pátria” – com Zoé Valdés e Dany Laferrière

 

Casa da Cultura:

13:00 – “O autor e seu tradutor” – Carola Saavedra e João Paulo Cuenca conversam com seus tradutores, Maria Hummitzsch e Michael Kleger

17:00 – “Da página para a tela” – com Javier Cercas, David Trueba e Malcolm Barral falam da relação cinema-literatura

 

Camoka Botequim:

19:00 – o escritor português José Luís Peixoto fala do romance “Livro”

 

Dia 8 – Domingo

Tenda dos Autores:

18:15 – “Livro de cabeceira”

 


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Calendário de postagens

outubro 2017
D S T Q Q S S
« set    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031