Crítica: Formidable


 

Maurício Baduh é acima de tudo um batalhador. Apaixonado desde a infância pela canção francesa resolveu que iria montar um musical com seus grandes clássicos. Mas em tempos atuais tal empreitada não é das tarefas mais fáceis, pois infelizmente a música francesa está fora das rádios há décadas, não fazendo parte do imaginário das gerações mais novas que pouco conhecem sobre a riqueza melódica e as letras repletas de lirismo que possui. Não está na moda como já esteve nas décadas de 60 e 70 juntamente com a música italiana. Mas contra tudo e contra todos, Maurício seguiu em frente e mesmo sem patrocínio montou “Formidable”, um espetáculo cativante no Teatro das Artes, na Gávea.

Tive a oportunidade de assistir 2 vezes o espetáculo, a primeira vez em fevereiro por indicação de um amigo, Sérgio Felipe Ferraz Coutinho, que havia o elogiado muito e voltei a assistir nesta semana. Consegui me emocionar ambas às vezes, Maurício foi muito feliz na escolha do repertório, não deixando na platéia aquela típica sensação de “faltou aquela música”, estão todas ali, Charles Aznavour, Yves Montand, Edith Piaf, Adamo, Gilbert Becaud, Michel Legrand, acompanhado de um trio de competentes músicos sob a direção musical de Liliane Secco. Ao longo do espetáculo Maurício vai remexendo no baú da sua memória afetiva, relembrando do tempo de infância em que morou em Paris, com textos bem humorados entrecortados ao longo de todo o espetáculo.

Comove em Maurício a sua entrega pelo que está apresentando e a sua paixão por esse repertório, desde a primeira canção “Emmenez-Moi”. Vestido de black-tie(comme il faut) começa então a desfilar o festival de clássicos, “F..Comme Femme”, “Les Feuilles Mortes”, “La Mer”, “Et Maintenant”, “La Bohéme”, “C’est si Bon”, “Tous le Visage de l’Amour” e por aí afora. Para mim, particularmente, os 2 momentos mais emocionantes ocorrem quando canta “Le Moulins de Mon Coeur” e “Hier Encore”, justamente minhas 2 canções favoritas. A platéia chega ao delírio já nos primeiros acordes de “Milord”, canção de Georges Moustaki e imortalizado na voz de Piaf, com palmas ritmadas acompanhando Maurício, que segue pelos caminhos de Piaf com “Hymne a l’Amour”, aonde nesse momento o público já se encontra totalmente entregue e feliz pela noite de felicidade.
Na primeira vez que vi houve uma bela participação especial de Alessandra Verney(que uma semana depois tive o prazer de ver em “Beatles num Céu de Diamantes”). Nesta 2ª vez a participação ficou por conta de Simone Centurione, que eu não conhecia, mas que também se mostrou competente e talentosa.

A temporada termina agora nos dias 27 e 28 de abril, mas com a intenção de retornar no 2º semestre, desta vez com um merecido patrócínio para fazer algumas capitais, incluindo São Paulo.
Quando termina ficamos com aquela frustração e a indagação do porque a canção francesa nos é pouco acessível, felizmente hoje, mais do que o youtube, temos um espetáculo como esse que Maurício Baduh fez para amenizar essa nossa carência.


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