Globo News Literatura


 


Globo News Literatura exibido em 2009 sobre Clarice Lispector.

Lembro-me com grande saudade dos programas que Bernard Pivot comandava na televisão francesa, o “Apostrophes” e o “Bouillon de Culture”. Pivot foi único e inigualável, durante 1 hora e meia conversava de maneira extremamente agradável com quem realmente importava, Nabokov, Simenon, Duras e por aí afora, com simplicidade e sem pretensão. Pivot sabia que para falar sobre livros não precisava ser pernóstico. Infelizmente Pivot se aposentou, na época alegou que a fórmula estava desgastada e que as novas gerações queriam uma televisão mais ágil. Não concordo, uma agradável conversa com conteúdo, profundidade e reflexão nunca se desgasta, por mais intolerante que as pessoas estejam com os silêncios e os vácuos de tempo. Nenhum livro acontecia de fato na França se seu autor não fosse ao seu programa e durante muito tempo foi uma das figuras mais respeitadas da sociedade francesa. Se Pivot se foi, programas sobre literatura se mantiveram na TV francesa, lembro-me do que Patrick Poivre D’Arvor apresentava na TF1, lógico que Poivre D’Arvor não era Pivot, é uma figura mais midiática e tem a personalidade de um pavão, mas seu programa não deixava de ter relevância. Mesmo na TV chilena havia um interessantíssimo programa sobre literatura comandado por Antônio Skarmenta.

Fiz todo esse extenso preâmbulo só para dizer que sinto uma enorme falta de um grande programa sobre literatura na TV aberta brasileira. A única exceção é o “Globo News Literatura”, apresentado pelo Edney Silvestre. Assim mesmo é um programa na TV a cabo e tem uma duração que considero pequena para um assunto tão infinito, 30 minutos(na prática 22/23 minutos de tempo real). O que é uma pena, é um programa que merecia um tempo mais amplo, poderia ser algo equivalente ao que a Globo News dedica, por exemplo, ao também ótimo “Globo News Painel”.

Este ano o programa mudou o formato, ficando mais interessante e ágil. Antes o programa se limitava a 1 entrevista por semana que ocupava todo o espaço do programa. Já era bom, porque Edney Silvestre é um excelente entrevistador, sabe do que está falando, faz a lição de casa antes de cada entrevista e o mais importante: deixa o entrevistado falar. Esse é um grande problema dos nossos entrevistadores, querem falar mais que o entrevistado. Com Edney a conversa transcorre gostosa e deixa amplo espaço para que seu entrevistado possa refletir. Parece fácil e óbvio, mas não é. Agora o programa ganhou o formato de uma revista semanal, aonde ainda existe a entrevista do Edney, porém num tempo menor, matérias interessantes, a maioria feita pelo Claufe Rodrigues e também notícias relacionadas ao universo literário.

Durante a última Flip, o programa foi ao vivo de Paraty, foi muito interessante, pôde se sentir o calor do evento e os fatos que importantes enquanto a Flip ainda transcorria. Mas fiquei pensando…como seria bom se durante a Feira Literária de Paraty tivessem transformado esse programa em diário. Fiquei imaginando um programa de abertura com um debate sobre a obra de Drummond e depois ao longo dos dias não faltariam temas para serem debatidos, pessoas de relevância para serem entrevistadas e notícias importantes para serem dadas. Ou seja, pauta não era o problema.

O que me deixa triste é que televisão é concessão pública, ou seja, tem uma obrigação com a sociedade e na prática não abre NENHUM espaço para desenvolver algo condizente com o seu papel constitucional. Televisão não tem que ser educativa, mas da mesma maneira não pode ser só comercial. Ficaria muito feliz que a Globo colocasse na sua grade na Tv aberta o “Globo News Literatura”, 1 vez por semana e com duração de 1 hora. Tudo bem, não precisa ser no horário nobre, pode ser mesmo depois de um “Zorra Total” da vida, ou até depois de “Gabriela”. Já estaria fazendo um grande bem e um excelente papel educativo, além de apresentar um ótimo “produto”. Mas sem preocupações com ibopes, merchandisings ou se na TV concorrente alguma pseudo-celebridade está naquele momento fazendo alguma revelação “bombástica”.

Como nos livros, o sonho é livre.


Palpites para este texto:

  1. Sou escritor. Acho que sou diferente de outros.
    Sou jornalista home office, moro em Belo Horizonte e escrevo livros. Até aí nada de mais, você vai dizer, muita gente é jornalista, diversos trabalham em casa, vários moram na Capital mineira e muitos escrevem livros.
    Possuo alguns diferenciais que podem interessar. Tenho 70 anos, nem todos têm esta idade, comecei a escrever livros com 67 anos, a maioria começa mais cedo, já publiquei sete obras até agora, dezembro de 2014, sem editora e patrocínio. Tudo por conta própria, editora virtual, vendas sob demanda pela internet. Com qualidade. Não escrevo por escrever. Escrevo com objetivos. Tento provocar reflexões, promover mudanças. As tramas dos meus livros infantojuvenis estão sempre voltadas para os dramas da nossa realidade brasileira. O que muitos autores desprezam. Preferem a ficção pura, o romance, a autoajuda. Têm mais compradores.
    Escrevo uma Literatura de Mobilização.
    Quem sabe eu mereça de você um convite para palestra, uma entrevista, uma reportagem? Pode ser que eu tenha alguma coisa interessante para contar…

  2. Inocêncio, o personagem principal de uma saga de autodescoberta, está órfão, à procura de uma editora-distribuidora que o “adote” e “cuide” dele. Por enquanto, para saber mais sobre as obras, acesse http://www.valdiercolani.com.br e http://www.diariodoinocencio.com.br.
    Estou à disposição para dar mais detalhes. Grato.

  3. Sou escritora, vitima duas vezes do sistema,num país desaculturado\-sou professora também.
    Admiro programas de literatura e pesquisei edney Silvestre.Gostei.

  4. Tenho acompanhado as entrevistas com escritores da era moderna e pós-modernidade. Recentemente produzimos a nossa primeira obra, voltada à Comunicação em especial para o rádio, com o título Radio Sociedade de Feira de Santana [a primeira digital do Sertão]. Uma obra que tem sido auxiliar para vários acadêmicos em trabalho de conclusão de curso. Estamos às ordens para entrevista, apresentação, bate-papo sobre o tema. Sou professor acdêmico, jornalista e rdialista de carreira. (salvador-Bahia).

  5. Professor acadêmico, jornalista e radialista de carreira (Salvador-Bahia)

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