Crítica: Gonzaga – de Pai para Filho


 

 

No centenário de nascimento de Gonzagão, nada melhor do que um filme para celebrar sua vida e sua obra. “Gonzaga – De Pai para Filho”, mais um filme de Breno Silveira(o 2º que lança só este ano) chega com a pretensão de conquistar o mercado e arrebatar o público. O filme realmente emociona, mas isso não quer dizer que não tenha falhas.

É uma cinebiografia de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, mas Breno Silveira optou por colocar no primeiro plano a relação conflituosa de Luiz Gonzaga com seu filho, o igualmente genial Gonzaguinha, cuja paternidade assumiu mesmo sem a convicção de lhe pertencer. Odaléia, mãe de Gonzaguinha morreu de tuberculose quando este tinha 2 anos, Gonzaga jamais foi um pai presente, deixando a criação por conta de um casal de amigos do Morro de São Carlos, enquanto viajava pelo país afora levando a alegria de sua música aos mais longínquos cantos do país, sem jamais deixar faltar meios financeiros para a criação do menino. Na adolescência, internou o filho em um colégio interno, até para evitar a relação conflituosa deste com sua 2ª mulher. Gonzaga e Gonzaguinha: dois temperamentos e personalidades fortes, o filme busca o ponto de encontro entre pai e filho, aonde deixam as mágoas para trás em busca da conciliação.

Para viver Luiz Gonzaga, 3 atores se revezaram no papel: Land Vieira(jovem), Chambinho do Acordeão(adulto) e Adélio Lima(velho). O problema é que em nenhum momento sentimos Gonzaga neles. Isso fica ainda mais evidente em Chambinho do Acordeão, que é quem ocupa o papel mais tempo na tela, o ator é até simpático, mas não conseguimos ver Gonzaga ali. O mesmo ocorre com Adélio Lima, mas é menos grave, inclusive possui uma certa melancolia que fica interessante. Apesar dos 5 mil testes, Breno não conseguiu achar Luiz Gonzaga. Em compensação, o que é Júlio Andrade? É absolutamente impressionante como ele encarna Gonzaguinha. É perfeito, Gonzaguinha sim, está ali na tela, desde a aparência física, os trejeitos, a voz, é impressionante. Breno achou Gonzaguinha! Achou até demais!

Breno Silveira repete a receita de bolo de “Dois Filhos de Francisco”, procurando emocionar seu público na relação pai-filho, lançando por vezes de um pouco de pieguice. Conta com uma produção poderosa, bem cuidada que ajudam a criar um ambiente perfeito, tanto no meio sertanejo, quanto no urbano. A que se fazer também algumas ressalvas a algumas opções de montagem. Não me agrada interferir e intercalar a ação com fotos reais, até funciona no final do filme, mas no meio do filme acaba cortando o clima e a atmosfera, aonde saímos daquele universo da ficção para nos jogar num mundo real e depois voltando à ficção.

Outra opção equivocada é fazer os atores cantarem com suas próprias vozes, isso ajudou a não encontrarmos Gonzaga. Imaginem se tivessem colocado Marion Cottillard para cantar como Piaf? Teria sido um desastre e não o sucesso e o êxito que foi o filme “Piaf”.  Até porque a voz de Chambinho em nada lembra o grande Gonzaga.

Mas entre perdas e ganhos, “Gonzaga – de Pai para Filho” é um filme que merece achar seu público, ver 2 ícones da música brasileira nas telas do cinema, suas músicas maravilhosas embaladas por um drama familiar acaba por deixar o público com um gostinho de alegria ao subir os créditos finais, ao som de “O que é, o que é”.


Palpites para este texto:

  1. Concordo plenamente com você. sou fã incondicional do Rei do Baião, e de fato não percebi meu ídolo em muitos momentos. E tantas outras coisas como por exemplo: o primeiro instrumento de Gonzaga não foi o acordeão, e sim a harmônica (oito baixos, ou tipicamente pé-d-bode); o mesmo não começou a tocar com dezessete anos e meio, e sim com oito anos; e muitos outros detalhes que deixaram escapar pelas pesquisas. Eu levo em consideração a homenagem feita a estes grandes monstros de nossa música, que nos fazem cada vez mais ‘gonzagueanos’. Parabéns pra ti pelo texto! Abraço!

    • Obrigado pela participação, Anderson. Seja bem-vindo. Para mim esse é o maior problema do filme, não conseguia ver o Gonzagão nos atores escolhidos. Revendo o filme, isso ficou ainda mais forte para mim. Para convencer numa personalidade tão marcante, não é necessário ser um clone, mas faltou algo que distanciava os atores do Gonzagão. Em compensação, o Julio Andrade está perfeito como GOnzaguinha. Abração

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