Crítica: Gottsha em “Discotheque”


 

Impossível não guardar com certa nostalgia a febre das discotecas em fins dos anos 70 e início da década de 80. Uma época em que o estilo hippie é deixado para trás, surgindo toda um novo comportamento e estética com cores vibrantes, excesso de brilho, botas prateadas com salto plataforma, meiões listrados, saia evasê e cabelo Black Power. Tudo isso imortalizado nas telas de cinema com John Travolta em “Os Embalos de Sábado à Noite” e Donna Summer soltando o vozeirão em “Até que Enfim é Sexta-Feira”. Enquanto aqui no Brasil “Dancin’Days” tomava conta dos lares brasileiros e as noites de Ipanema ferviam ao som de Bee Gees, Gloria Gaynor e Abba.

Imagens como essas nunca saíram de minha cabeça, creio que também de Gottsha, ambos típicos representantes dessa geração que fazia naquela época a transição da infância para a adolescência, num tempo em que éramos contemporâneos no Colégio Andrews.

Ano passado Gottsha já havia levado aos palcos o excelente “Movie Stars”, do qual falamos AQUI, aonde juntamente com Alessandra Verney apresentaram as mais belas canções do cinema. Agora Gottsha mergulhou nesse universo das discotecas para levar ao Teatro das Artes na Gávea um contagiante espetáculo, com uma passagem anterior pelo SESC Copacabana.

Com direção de Marcos Marcondes(responsável pela direção do ótimo “Formidable”), numa cenografia criada por Douglas Nogueira, colocando em cena com precisão todos os elementos para que nos sentíssemos dentro de uma típica discoteca daqueles anos 70, com muitas bolas espelhadas, canhões de luz e um banda eficientíssima formada por 4 músicos sob a direção musical de Heberth Souza que toca com bastante fidelidade os arranjos originais.

Com toda essa competente estrutura, a potência vocal de Gottsha tem a medida certa para enlouquecer o público com clássicos como “Dancing Queen”, “Last Dancing”, “I Will Survive”, “More Than a Woman”, “My Cherie Amour”, “Zodiacs”, “Love’s Theme”(em versão instrumental pela banda, durante a troca de roupas),“Ben”, “Goodbye Yellow Brick Road”, “Could it be Magic”, “Don’t Leave me This Way”, entre outros grandes sucessos.

Esse repertório combinado com a presença de palco e carisma ímpar de Gottsha acabam por fazer de “Discotheque” um espetáculo encantador, sem truques, aonde podemos matar saudades de uma época inesquecível de nossas vidas. Esta foi sua última semana no Teatro das Artes, mas esperamos ter a oportunidade de voltar a vê-lo em 2014.


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