Grupo Estação – A Vitória dos Românticos


 

 estação10

Por Renato Mello.

Vencemos! Nós, os românticos.

Igualmente o cinema, a cultura e o Rio de Janeiro.

Hoje pudemos respirar aliviados com as notícias alvissareiras  sobre a assembleia de credores do Grupo Estação, aonde estava em jogo a sua continuidade ou a falência.

Segundo informado pelo site do jornal “O Globo”, os credores decidiram aceitar o pagamento à vista de 25% do total da dívida do grupo que estaria em torno de R$ 31 milhões. Após a homologação do acordo, o Grupo tem 30 dias para realizar o pagamento combinado. Caso isso não ocorra, o Estação Gávea será leiloado para a quitação do valor acordado.

“— Agora vamos correr atrás desse dinheiro para pagar os credores. Isso poderá acontecer com a entrada de investidores ou de patrocínio. Foi uma vitória linda. Os credores aceitaram receber 25% da dívida à vista e perdoaram 75%.”

Declarou Marcelo França Mendes, presidente do Grupo, ao jornal o Globo.

O problema ainda requer atenção e não está definitivamente enterrado. Não sou um especialista em finanças, mas fazendo um rápido cálculo e pelo que compreendi, o Grupo Estação tem um tempo relativamente curto para levantar algo em torno de R$ 8 milhões. Mas acreditamos na capacidade e no empreendedorismo desse grupo de pessoas que revolucionaram o circuito exibidor carioca, numa época em que isso era impensável e que o cinema de arte vivia num gueto. De uma sala decadente em Botafogo criaram uma cadeia de cinema, que ao invés de ganhar público, angariou muito mais que isso, ganhou adeptos e amigos.

Nenhuma escola de economia pode ensinar tanto a um administrador quanto o de passar e vencer um traumático processo de falência. Tenho convicção que o Grupo Estação sairá dessa crise com muito mais capacidade e visão para gerir seus cinemas, sem perder o romantismo e o amor à arte, sabendo conciliar gestão administrativa  com função social.

Como falei no texto anterior, não defendo inadimplência, mas o acordo é o mais sensato para todos. Ninguém lucraria com a falência do Grupo Estação. Só o leilão do Estação Gávea seria insuficiente para pagar o acordado. O que mais poderiam levar os credores? As poltronas do Estação Botafogo? Fica a lição para todo mundo, inclusive para o Grupo Estação.

Fico feliz em saber que o lugar em que conheci o cinema de Truffaut, Renoir e Pontecorvo, que vi ao vivo Isabelle Huppert, Emmanuelle Béart, Stephen Frears, Hanna Schygulla, Charlotte Rampling, Lucrecia Martel e Gabriel Axel, e o lugar aonde conheci minha mulher Adriana(9 anos atrás), permanecerá não apenas na nossa lembrança, mas continuará logo ali na esquina para podermos seguindo sendo felizes na escuridão de suas salas de cinema.


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