Crítica: A Bruxinha Que Era Boa!


 

bruxinha 2

Por Renato Mello.

Em se tratando do universo do teatro infantil poucas coisas se comparam com a alegria de se assistir um texto de Maria Clara Machado. Acrescente-se o fato do espetáculo ser encenado na casa de Maria Clara Machado. É o caso da atual montagem de “A Bruxinha que Era Boa!”, em cartaz no Tablado.

A Bruxinha Que Era Boa!” é um dos vários clássicos dessa criadora genial que dedicou sua vida a ensinar o ofício e o amor ao teatro para gerações de atores e que escreveu alguns dos mais lindos textos do teatro infantil, deixando um legado incomparável com um repertório de uma riqueza única. “A Bruxinha Que Era Boa!” foi escrita em 1958 e conta a história da bruxinha Ângela, estudante da Escola de Maldades da Floresta. Ao final do aprendizado a bruxinha que melhor se sair na avaliação ganhará a cobiçada vassoura a jato, objeto que possibilitaria Ângela a fazer o que mais lhe dá felicidade, voar por cima das árvores da floresta, bem próxima das nuvens. Mas para isso, terá que superar sua maior dificuldade: fazer maldades.

Tal como os textos de Maria Clara Machado, esse mantém suas características: uma comunicabilidade impressionante com o universo infantil e que penetra diretamente no inconsciente infantil, além de uma profundidade que se esconde numa aparente simplicidade. Assistir esse texto foi algo extremamente positivo para mim num momento em que tenho me deparado com alguns espetáculos infantis que tem descaradamente se apoiando em diálogos transpostos ipsis litteris dos desenhos da Disney, sem nenhum esforço criativo(como já escrevi anteriormente aqui no Botequim Cultural). Maria Clara Machado merece um lugar no panteão dos grandes criadores do século XX, uma dádiva que devemos aproveitar e beber mais na sua fonte.

A atual montagem tem a direção de Cacá Mourthé e faz jus ao padrão de qualidade das encenações do Tablado, fazendo do texto de Maria Clara Machado uma montagem muito bonita, lúdica e bem realizada tecnicamente. Essa montagem foi realizada em 2014 e devido ao enorme sucesso de público, retorna para uma nova temporada. Cacá Mourthé consegue um resultado final de muito bom nível, num dos mais belos espetáculos teatrais que pude assistir nos últimos meses. Uma bela direção de atores, uma ótima distribuição e movimentação em cena, além da criação de boas sequências, mantendo o ritmo do espetáculo de modo constante.

O atual elenco é formado por Diana Herzog, Clarice Sauma, Luana Valentim, Lilia Wodraschka, Carol Repetto, Manuela Llerena, João Sant’Anna, Ricardo Monteiro e Tom Karabachian, que se apresenta como um todo de modo bastante harmonioso, com expressividade e qualidade. Diana Herzog dá vida a bruxinha Ângela, completamente atrapalhada quando o assunto é realizar maldades. A atriz tem o tipo correto para o papel da protagonista, os méritos que o personagem exige e carisma em cena. É preciso também ressaltar as ótimas atuações de Clarice Sauma, como a Bruxa Chefe, com uma interessante presença em cena, e João Sant’Anna como o vaidoso Bruxo Belzebu Terceiro, responsável por algumas das mais interessantes sequências do espetáculo.

A montagem é realizada com música ao vivo, através de uma banda formada por Pablo Paleólogo(teclado), André Chalhoub(bateria e percussão), Silvia Autuori(violino) e Vicente Barroso(guitarra e Ocarina).

Destaque também para os figurinos assinados por Lidia Kosovski e Kika Medina, que brinca de maneira muito interessante com as cores e seus contrastes, com um resultado final visualmente encantador, que contou com o visagismo competente e criativo de Rosa Bandeira e Márcia Elias Assim como em conjunto com a bonita cenografia transforma toda a ambientação num enorme paleta de diferentes tons. Cenografia, por sinal, muito bem concebida pela própria Lidia Kosovski com Derô Martin e de pleno acordo com a atmosfera criada pelo texto de Maria Clara.

A Bruxinha Que Era Boa!” é um espetáculo que é um orgulho não somente para a história do Tablado, mas para qualquer pessoa que vê no teatro infantil uma janela para se levar o público infantil a um mundo de pura magia e sem ter que apelar para fórmulas baratas.

A Bruxinha Que Era Boa
Local: O Tablado (147 lugares)
Endereço:Avenida Lineu de Paula Machado, 795, Lagoa.
Telefone: 2239-0229.
Horários: Sábado e domingo, 17h.
Preço: R$ 50,00. Bilheteria: a partir das 15h (sáb. e dom.).

Texto: Maria Clara Machado
Direção: Cacá Mourthé
Elenco: Diana Herzog(Bruxinha Ângela), Clarice Sauma(Bruxa Chefe), Luana Valentim(Bruxa Fedorosa), Lilia Wodraschka(Bruxa Fedelha), Carol Repetto(Bruxa Fredegunda), Manuela Llerena(Bruxa Caolha), João Sant’Anna(Bruxo Belzebu Terceiro), Ricardo Monteiro(Assistente de Bruxo) e Tom Karabachian(Pedrinho)


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