Crítica: A Fada que Tinha Ideias


 

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De saída me chamou a atenção a enorme afluência de público em direção à bilheteria do Teatro dos 4, para comprar a entrada para assistir “A Fada que Tinha Ideias”, fazendo com que 40 minutos antes do início do espetáculo sobrassem míseros ingressos disponíveis. Esse sucesso absoluto de público tem uma razão de ser, trata-se inegavelmente de um dos mais belos espetáculos que até o momento estrearam no circuito do teatro infantil carioca em 2014.

Dirigido por Susana Garcia e Herson Capri, “A Fada que Tinha Ideias” é uma adaptação de um clássico homônimo da literatura infanto-juvenil, lançado na década de 70 por Fernanda Lopes de Almeida e que teve seu texto adaptado à seis mãos pela dupla de diretores em parceria com a própria autora. Conta a história de Clara Luz, uma pequena fada que mora no céu e que se recusa a aprender mágicas pelo obsoleto livro das fadas. Entediada com o método de ensino do céu, resolve inventar suas próprias mágicas, causando uma série de confusões com seus questionamentos sobre o sistema vigente e despertando o mau humor da Rainha.

O resultado final é uma montagem extremamente bem sucedida, abordando de maneira lúdica e com muita poesia a necessidade de mantermos um permanente inconformismo para combatermos o imobilismo.

Um questionamento que faço para todos os entrevistados da nossa série “Nos Bastidores do Teatro Infantil”(que pode ser lida AQUI), é em relação a todo um potencial dentro do teatro infantil que ainda não foi inteiramente explorado, aonde muitas vezes esse segmento é confundido pelo público, de maneira equivocada, como teatro amador. O que não é verdade, pois existe todo um mercado profissional dentro do teatro infantil. Pois bem, nesse aspecto é preciso tirar o chapéu para a dupla de criadores, pois em “A Fada que Tinha Ideias” não é possível achar o menor espaço para o que não seja absolutamente profissional e competente.  Desde a concepção do projeto até o resultado final, vemos um “produto”(a expressão não tem nada de pejorativa) sincero e sério. Herson e Susana conceberam e entregaram ao público um espetáculo que apesar de todo o rigor profissional, não deixou de divertir e muito menos de transmitir valores importantes.

O elenco é formado por 11 atores, Luisa Capri, Viviana Rocha, Nedira Campos, Kakau Berredo, Karla Dalvi, Sabrina L’Astorina, Gabriela Ruppert, João Prado, Luisa Narciso, Ana Flora Queiroz e Clara Cardoso, aonde os atores fazem uma atuação harmoniosa, ajudados pelas belíssimas canções e trilha sonora compostas por Pedro Verissimo e Fernando Aranha. Há que se destacar as coreografias de Renato Vieira, que teve a sensibilidade e inteligência de não “robotizar” e nem amarrar os pequenos atores, criando movimentos que os deixavam soltos e propositalmente sem rigor, para que o público percebesse que no palco não estavam bailarinos, mas crianças que tinham a missão de levar magia ao pequeno público. Ainda em relação ao elenco, gostaria de destacar um que me encantou em particular, o pequeno João Prado, que faz o Relampinho.

 Ao final do espetáculo Herson Capri estava debruçado na cabine, observando o público que caminhava em direção a saída. Me chamou a atenção o brilho nos seus olhos e a expressão de felicidade que era nítida em seu rosto. Colocar um produto com esse grau de sofisticação e profissionalismo não invalida entregar ao público um espetáculo que emociona. “Emoção” resumia o que era Herson Capri naquele momento. Algum conhecido seu na plateia gritou-lhe: – Que sucesso, heim!, apontando para a multidão. Ele sorriu respondeu: – Tô aqui lambendo a cria, apontando para o palco, visivelmente gratificado com o que seu trabalho lhe propiciou.

 “A Fada que Tinha Ideias” é a prova que rigor pode combinar perfeitamente com espontaneidade. Teatro Infantil pode e deve ser feito com qualidade, profissionalismo e, num mundo perfeito, deve dar aos seus criadores bom retorno financeiro e artístico.

“A Fada que Tinha Ideias”

Autor: Fernanda Lopes de Almeida
Direção: Susana Garcia e Herson Capri
Adaptação: Susana Garcia , Herson Capri  e Fernanda Lopes de Almeida
Cenário e Figurino: Flavio Graff
Iluminação: Paulo Medeiros
Músicas: Pedro Veríssimo e Fernando Aranha
Coreografia: Renato Vieira

Elenco:
Fada Clara Luz – Luisa Capri
Dona Relâmpaga, Professora e Imbecilda – Viviana Rocha
Rainha – Nedira Campos
Relâmpago –Kakau Berredo
Mãe Fada – Karla Dalvi
Gota de chuva: Sabrina L’Astorina
Vermelhinha – Gabriela Ruppert
Relâmpago filho- João Prado
Três Fadinhas- Luisa Narciso, Ana Flora Queiroz e Clara Cardoso

Produção: Chaim Produções e Capri Produções

Serviço:
“A  Fada que Tinha Ideias”
Horários: Sábados e Domingos, às 17h
Temporada até 29 de julho
Preços: R$ 60
Teatro dos Quatro (Shopping da Gávea) – Rua Marquês de São Vicente, 52, Gávea


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