Crítica: A Princesa e o Sapo


 

O ano de 2014 começou muito bem no que diz respeito ao teatro infantil com a reestreia no Teatro Clara Nunes, do Shopping da Gávea, da peça “A Princesa e o Sapo”, a grande vencedora do nosso Prêmio Botequim Cultural aonde arrebatou nossas estatuetas nas categorias de Melhor Peça Infantil, Melhor Diretor(Anderson Oliveira) e Melhor Ator(Domingos Santana). A peça ainda ganhou em 2013 o prêmio de Melhor Espetáculo no Festival Internacional de Teatro de Angra(FITA).

O elenco de "A Princesa e o Sapo" recebendo o Prêmio Botequim Cultural: Domingos Santana, Tchello Andrade, Anderson Oliveira, Talita Monteiro, Leandro Amado, Ronize Carrilho

A Princesa e o Sapo” é uma adaptação da obra homônima dos irmãos Grimm, cuja narrativa original foi escrita entre 1812 e 1857, aonde durante esse espaço de tempo os próprios irmãos Grimm reescreveram a história, trabalhando sempre sobre o mesmo tema, numa história que ficou no inconsciente popular desses últimos 200 anos com a clássica metáfora da mocinha que beijo um sapo que se transforma num lindo príncipe. Nessa adaptação dirigida por Anderson Oliveira, que também realizou sua concepção juntamente com Domingos Santana, a ambientação deixa de lado a Europa medieval e até mesmo a Nova Orleans criada pelo estúdios Disney em 2009, para situar sua criação numa geografia mais próxima de nós, na aridez do nordeste brasileiro. Tal ambientação acabou resultando em mais uma montagem muito bem sucedida da companhia R & A Produções, de Anderson Oliveira e Ronize Carrilho.

 

A ambientação dos espectadores nas latitudes propostas por Anderson Oliveira já começa logo na entrada quando somos recebidos por um trio, que no palco, trajados como cangaceiros sob os acordes que saem da viola de Jardel Muniz, acompanhado de Tchello Andrade e pelo próprio Anderson Oliveira vão embalando o público enquanto esse vai se ajeitando nas cadeiras, aumentando a ansiedade geral para seu começo. Anderson então como um repentista que vai nos revelando uma linda história de cordel introduz com muita graça uma história de encontros e desencontros de um príncipe transformado em sapo(Leandro Amado) com uma princesa(Talita Monteiro) nem um pouco modesta em relação a sua beleza, seus encantos e suas virtudes, ambos ladeados pela atrapalhada ama(Ronize Carrilho) e um pretendente(Domingos Santana) a ganhar a mão da rica princesa. Em cena, o mesmo elenco que semanas antes eu havia visto no ótimo “O Rapto do Papai Noel”.

Esse elenco novamente reunido é um dos grandes trunfos de “A Princesa e o Sapo”. Talita Monteiro interpretando a princesa é um show à parte. No post sobre o “O Rapto do Papai Noel” aqui no Botequim Cultural, escrevi sobre Talita:

“prende a atenção com seu carisma junto ao público infantil, interagindo permanentemente com rara habilidade com sua agitada platéia, além de ótimo timing para o humor”

Pois bem, em “A Princesa e o Sapo”, ratifico tudo que escrevi antes sobre o enorme talento de Talita, acrescentando agora que me tornei um fã incondicional do seu trabalho. Assim como Domingos Santana, um ator extraordinário. Impossível não dar boas risadas com seu adorável picareta e tirar os olhos dele um segundo sequer, principalmente quando canta e dança, destacando seus números entoando “Coração Bobo”, canção de Alceu Valença e na cena que protagoniza com Ronize ao som de “Você Não Vale Nada”. O Prêmio Botequim Cultural de melhor Ator de teatro Infantil está definitivamente em ótimas mãos com Domingos.

A trilha sonora, por sinal, é um dos grandes destaques, com a plateia cantando e batendo palmas o tempo inteiro com canções que já são clássicos da música nordestina, como alguns sucessos de Alceu Valença e Geraldo Azevedo, até a sucessos populares recentes de grupos como Calcinha Preta, com canções como “Moça Bonita”, “Coração Bobo”, “Cajuína”, “Dia Branco”, “Imaculada”, “Canção da Despedida”, “Você não Vale Nada” e “Anunciação”.

A Princesa e o Sapo” é uma excelente oportunidade de assistirmos um espetáculo aonde se demonstra que a mistura do clássico com o moderno, do erudito com o popular pode resultar num grande êxito artístico aonde o regional nordestino pode se transformar em cultura universal.

Idealização: Anderson de Oliveira e Domingos Santana
Texto e direção: Anderson de Oliveira
Elenco: Talita Monteiro (princesa), Leandro Amado (sapo), Anderson de Oliveira, Domingos Santana, Tchello Andrade, Ronize Carrilho, Jardel Muniz.
Programação visual: Marcela Pinto
Realização e Produção Executiva: R&A Produções

Horários

Temporada de 11 de janeiro até 23 de fevereiro de 2014.

Horário: Sábado e domingo às 16h.
Ingresso: R$ 50,00
Duração: 60 minutos


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