Crítica: As Aventuras de Pinóquio


 

Pinóquio 1 Janderson Pires

Por Renato Mello.

Pelas mãos de Alexandre Lino, um dos mais ativos produtores teatrais do Rio de Janeiro e da Cineteatro Produções, um personagem tão presente no imaginário infantil ganha uma nova montagem no Teatro dos 4, Shopping da Gávea, numa temporada que se estenderá até o dia 29 de março. Trata-se da peça “As Aventuras de Pinóquio”.

Criado em fins do século XIX pelo florentino Carlo Collodi, o personagem começou a fazer sucesso já nos primeiros capítulos escritos no “giornali per il Bambini”(Jornal para as crianças), tendo a sua relevância no inconsciente coletivo sensivelmente aumentada a partir da famosa adaptação realizada pelos estúdios Disney em 1940. A história de Collodi narra a saga de um boneco esculpido a partir do tronco de uma árvore pelo velho entalhador Gepetto numa pequena aldeia do interior da Itália e que tem como sua marcante característica o crescimento do seu nariz a cada vez que conta uma mentira. Pinóquio é um daqueles casos típicos em que o personagem ganhou voo tão alto que acabou por engolir o próprio criador, fazendo o nome de Carlo Collodi praticamente ignorado.

Existem várias maneiras de se contar a história de Pinóquio. Há exatamente 1 ano atrás, nesse mesmo teatro pude assistir uma boa adaptação dirigida por Leandro Mariz e Sabrina Korgut, com uma tendência mais pop e moderna. Carina, Daniel e Alexandre optaram por uma visão mais tradicional e buscando a essência da história. Ambos trabalhos foram bastante competentes. Mas é justamente isso que faz a arte teatral ser tão fascinante, as diversas possibilidades e caminhos que ela nos dá.

Na busca por essa essência, a equipe de criação de “As Aventuras de Pinóquio” realizou minuciosa pesquisa, como nos relatou recentemente Alexandre Lino numa entrevista ao Botequim Cultural:

O nosso autor Daniel Porto é um apaixonado pelo universo infantil. E Pinóquio é um de seus personagens preferidos. Curiosamente é minha história predileta e também de nossa diretora Carina Casuscelli (que tem nacionalidade italiana). A partir dessa identificação estimulamos ao Daniel para que escrevesse e ele topou imediatamente. Seguimos pesquisando e no ano passado fomos para Itália para aprofundar o estudo e tentar fazer uma adaptação mais fiel ao original. Carina em Roma e nós em Florença. Voltamos com muito material e uma vontade enorme de levar Pinóquio aos palcos. Contamos com as preciosas dicas do amigo e ator italiano Salvatore Urzi que nos orientou com precisão. De volta ao Brasil Daniel fez a suas escolhas e nos apresentou o texto final que gostamos muito. Reunimos uma equipe e elenco que entendeu perfeitamente essa ideia e abraçou o projeto.

Os aspectos originais já podem ser sentidos no exato momento em que entramos na plateia do teatro, mesmo antes do espetáculo começar. No palco já está presente a figura do entalhador Gepetto, o criador e “pai” de Pinóquio, trabalhando em sua oficina, num belo trabalho de cenografia(assinado por Karlla de Lucca), deixando-nos num ambiente estritamente artesanal(seja do personagem, seja da cenógrafa), com bonecos de madeira pendurados em torno de todo o palco, criando uma atmosfera de sonho e magia logo de início. Então se dá os primeiros acordes da linda canção de Domenico Modugno, “Volare”, ao som de um simpático acordeon, para o espetáculo efetivamente começar.

O autor, Daniel Porto optou por desenvolver a dramaturgia do espetáculo justamente através do personagem Gepetto(Antonio Carlos Feio), que como narrador vai dividindo com o público seus sentimentos, reflexões, angústias e juntos(público e personagem) vão desvendando o universo de “Pinóquio”. Antonio Carlos Feio assume um tom bastante afetuoso, levando a narrativa de Daniel Porto e a encenação Carina Casuscelli a alcançar todo um encantamento para o pequeno público.

FOTO BY JANDERSON PIRES-2

Pinóquio é interpretado por Paulo Amaro. A maneira como esse personagem é apresentado ao público sempre suscita em qualquer produção uma série de ponderações sobre qual a melhor maneira e qual se encaixa melhor para a proposta do espetáculo. No caso específico de “As Aventuras de Pinóquio” o ator utiliza um boneco de madeira acoplado ao corpo que ele mesmo manipula em conjunto com seus próprios movimentos, de modo que boneco e ator se tornem um mesmo elemento. Paulo Amaro tem como instrumentos para demonstrar suas emoções a sua própria expressão corporal e facial, já que nessa criação, o personagem transmite seus sentimentos através basicamente da narrativa de Gepetto. Paulo consegue realizar a proposta com bastante êxito.

Gabriel Jacques interpreta distintos personagens, tais como Cerejo, a Raposa e o Atum. É preciso ressaltar a ótima presença cênica e personalidade do ator, que desperta bastante atenção pela maneira e desenvoltura dos seus personagens. Me agradou bastante os registros e as criações desenvolvidas por Gabriel.

Luciana Victor fecha o elenco, interpretando igualmente mais de um personagem, sendo o mais marcante a fada.

A diretora Carina Casuscelli foi extremamente bem sucedida na realização e concepção final do projeto. Em cima de uma dramaturgia sólida soube equacionar de modo competente os desafios que essa história apresenta. Assim como extremamente interessante a maneira como em conjunto com seus atores realizou a composição de cada um dos personagens.

É preciso ressaltar o trabalho de Alexandre Lino, que colocou à disposição todos os meios para que essa peça fosse bem sucedida artisticamente, começando pelos criadores que se cercou. Uma produção muito bem desenhada e elaborada, em que é preciso destacar os figurinos, também desenhados por Karlla de Luca, responsável igualmente pelos cenários(como já referimos acima), a bela trilha sonora de Tibor Fittel e a iluminação bem executada por Guego Lima.

As Aventuras de Pinóquio”, um espetáculo belo e lúdico, com uma história que sempre encanta a todos, ainda mais se feita com o mais genuíno amor e qualidade artística.

Fotos: Janderson Pires.

Serviço -AS AVENTURAS DE PINÓQUIO
Autor: Daniel Porto
Direção: Carina Casuscelli
Elenco: Antonio Carlos Feio, Luciana Victor, Gabriel Jacques e Paulo Amaro
Reestreia: 10 de janeiro – sábado às 17h
Temporada até 29 de março (sábados e domingos às 17h)
Ingressos: R$ 60,00
Local: Teatro dos Quatro – Shopping da Gávea, Rua Marques de São Vicente, 52 – 2 piso
Informações (21) 2294-1096
Gênero: Infantil
Classificação: LIVRE, indicado para crianças a partir dos 2 anos.
Duração: 50 minutos
Capacidade: 400 lugares
Vendas: www.ingresso.com.br
Assessoria de Imprensa – Gabriela Mota


Palpites para este texto:

  1. Cara, este é o terceiro espetáculo q assisto da Dupla Alexandre Lino e Dani Porto. E cada vez, é uma emoção completamente diferente. .Aplausos e muito mais aplauso pra estes jovens Talentos. Amo muito mesmo. Deus os abençoe sempreeeeee

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Calendário de postagens

dezembro 2017
D S T Q Q S S
« nov    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31