Crítica: Em Busca do Riso Perdido


 

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Por Renato Mello.

Em Busca do Riso Perdido”, com direção de Marcos Ácher, permanecerá em cartaz até o próximo dia 30 de maio no Teatro do Jockey. Portanto, é necessária rapidez para não perder a oportunidade de se assistir um espetáculo de rara beleza quanto esse.

Sua história narra a saga de 3 primas/palhaças que moram juntas e um dia recebem uma carta anunciando para breve a visita da tia. A tão aguardada visita se torna uma enorme surpresa ao perceberem uma súbita mudança no temperamento da tia, séria, sisuda e incapaz de achar graça em qualquer coisa, diferente do que estavam acostumadas. As três primas saem então pela cidade, passando pelos mais distintos ambientes que compõem o cotidiano de um grande centro urbano, em busca de finalmente encontrarem o riso perdido de sua tia.

Existe na narrativa acima uma extrema singeleza através do roteiro escrito por Alice Volpi e as Claurinas. Mas é no modo como essa história é contada que reside a grande originalidade envolta numa atmosfera absolutamente lúdica, pura e com um humor contagiante, que por determinados momentos chegavam a me remeter um pouco ao universo de Jacques Tati, que igualmente contava em seus filmes histórias simples, mas que tinham um humor, uma pureza e uma comunicação direta difícil de se alcançar, seja no cinema, seja inclusive em muitos espetáculos infantis atuais.

O trabalho desenvolvido pelas Claurinas, as Palhaças Bailarinas, tem uma marca personalizada, que reúne numa mesma estrutura cênica, teatro e dança, juntamente com elementos da arte da palhaçaria, fazendo dessa junção um trabalho único e ao mesmo tempo de enorme encanto em seu resultado final.

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Mas com tantas manifestações artísticas se expressando no palco é preciso um diretor com um olhar atento para não ocorrer uma dispersão da proposta e podar possíveis excessos. É justamente nesse ponto que sentimos a mão de um diretor com a sensibilidade de Marcos Ácher, que soube conduzir o espetáculo com o equilíbrio necessário, sendo ao mesmo tempo fiel a estética e estrutura proposta pelas Claurinas, num claro exemplo de uma perfeita harmonia criativa entre diretor e suas atrizes. Marcos Ácher conduziu suas atrizes a alcançar uma ótima comunicabilidade com o público, além de criar boas soluções para o que pedia o texto com a construção de belas sequências e com um ritmo extremamente eficaz

O elenco das Claurinas é formado por Karolyna Caneca, Michelle Loback, Thaísa Jatobá e Tereza Santos, utilizando em cena de um vasto repertório técnico para seduzir o público, do qual ganham desde o início sua empatia pela graciosidade como desenvolvem em cena seus personagens e as situações propostas, através de um perfeito domínio corporal em que conseguem dar sentido a cada movimento, transformando-o em importante ferramenta dramatúrgica. O quarteto realiza uma atuação em que não há protagonismos de nenhuma espécie e nem personalismos, formando um conjunto harmonioso e de enorme equidade no alcance de suas performances, realizando um belo jogo em que há um apoio decisivo na desenvoltura da outra. Sabem explorar com correção toda a possibilidade que um clown pode oferecer para uma atriz, levando o público a grandes gargalhadas e ao mesmo tempo conseguem fazer uma espécie de desconstrução dessa figura mítica, que por mais que estejam trajadas a caráter e agindo como tal, há por trás de toda a “máscara” do palhaço uma notória expressividade de sentimentos, em que ao contrário do palhaço clássico, podemos perceber o que move cada uma delas na busca do objetivo final.

O espetáculo se utiliza de um fundo preto, neutro, com objetos cenográficos em forma quadrada a partir do qual as atrizes irão se desenvolver em cena, levando a cenografia a assinatura do próprio Marcos Ácher com a Claurinas. Importante ressaltar a proposta dos figurinos, assinados por Aline Ciafrino, remetendo ao universo dos palhaços, utilizando cores fortes e que estão coerentes com a propostas da peça. Destaque também para a criativa e interessante trilha sonora a cargo de Fernando Caneca e o Grupo.

Mas afinal, pode perguntar o leitor, o que é “Em Busca do Riso Perdido”? É Circo? Teatro? Dança? É acima de tudo arte, de alta qualidade e feita com um imenso respeito pelo público infantil, que além de assistir uma bela peça, se divertirá muito.

Esperamos em breve assistirmos a novos trabalhos de um grupo como as Claurinas, do qual sempre podemos esperar originalidade numa linguagem própria.

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SERVIÇO
EM BUSCA DO RISO PERDIDO
Preço: R$ 30,00
Duração: 50 minutos
Classificação Livre
Teatro do Jóquei
Sábados e Domingos, de 09 a 30 de maio, às 18:30h

Direção e Projeto Gráfico: MARCOS ÁCHER
Argumento: ALICE VOLPI e CLAURINAS
Figurinos: ALINE CIAFRINO
Iluminação: TADEU FREIRE
Ambientação Cenográfica e Adereços: MARCOS ÁCHER e CLAURINAS
Trilha Sonora: FERNANDO CANECA e o GRUPO
Elenco: KAROLYNA CANECA, MICHELLE LOBACK, THAÍSA JATOBÁ e TERESA SANTOS


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