Infantil: Entrevista com Léo Valença, autor do “Almanaque Ecológico do Lucas”


 

O Botequim Cultural trás hoje uma entrevista com o cartunista Léo Valença, autor do “Almanaque Ecológico do Lucas“, um trabalho voltado tanto para o público infantil, quanto para professores visando dar apoio educacional à conscientização ecológica das crianças. Com uma linguagem direta, através de ilustrações e passatempos que visam conscientizar desde cedo aos pequenos sobre a importância da preservação do meio-ambiente.

BC: O “Almanaque Ecológico do Lucas” é seu 2º livro com temática ambiental. Aonde começou seu interesse por essa questão?

LV: Eu percebia que o assunto atraía cada vez mais a atenção dos profissionais da área de humor gráfico, que o citavam em salões de humor e exposições. Considero relevante quando vários artistas se unem em prol de uma questão tão importante como essa. O tema da ecologia sempre foi abraçado por artistas e agora mais do que nunca com este problema mundial que atualmente pipoca em forma de reportagens, notas e editoriais. O crescimento no número de concursos que exploram o assunto me chamou a atenção, como exemplo, já tivemos o Salão de Humor pela Floresta Amazônica, Salão do Humor da Amazônia – Ecologia no traço, Ecocartoon entre outros. Preocupado com a importância da preservação do nosso planeta e interessado em contribuir no processo de conscientização da população, tive a ideia de organizar a obra “Aquecimento Global em cartuns”. A publicação reúne trabalhos de diversos cartunistas sobre o tema. Posteriormente, pensando na construção de uma comunidade global sustentável, surgiu a ideia de criar o personagem Lucas que trouxesse a importância da sensibilização e da reeducação, começando por nossas crianças.

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BC: Quem é Lucas, o protagonista do seu livro?

LV: Lucas é um duende ecológico que ama e protege as plantas e os animais, sempre ajudando a mantê-los saudáveis e felizes. Ele é um defensor da natureza, com um jeito irreverente, perspicaz e com ações totalmente voltadas para a ética, a consciência ecológica e a sustentabilidade. Lucas busca sensibilizar as crianças e jovens para que adotem atitudes corretas em relação às questões do meio ambiente, da sustentabilidade e uma vida mais saudável.

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BC: Um dos seus principais objetivos é fazer com que as crianças se conscientizem desde cedo com as questões ambientais. Como você acredita que possa alcançar tal objetivo?

LV: O livro pretende difundir os conhecimentos socioambientais no contexto escolar, através de textos com uma linguagem simples e didática, ilustrações e passatempos, de forma lúdica e descontraída. Acredito que a melhor maneira de educar é através de uma experiência atrativa e prazerosa, ou seja, com base nos conceitos de edutainment, que quer dizer educação+entretenimento.O edutainment é a combinação da educação a partir do entretenimento, usando-se normalmente o ambiente lúdico para estimular a aprendizagem.Assim, pensei em criar um almanaque ecológico que pudesse ensinar e ao mesmo tempo divertir com textos fáceis, passatempos e desenhos.

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BC: Você acredita que “O Almanaque Ecológico do Lucas” pode ser aproveitado para odesenvolvimento pedagógico das crianças nos colégios?Por que?

LV: Sim. O livro é destinado para professores, alunos e escolas de todo o Brasil. Com o objetivo de dar suporte aos professores que buscam conteúdo e atividades de apoio à educação ambiental, o Almanaque Ecológico do Lucas visa contribuir ainda mais com a disseminação de valores para construção de um mundo mais sustentável entre o público infantil. Nós vivemos em um país ainda com grande déficit educacional, muitas crianças estão fora das escolas, o ensino está sucateado por governos incompetentes, professores mal-pagos e mal-preparados, enfim, há muito por se fazer pela educação brasileira. Ela é a chave para um futuro melhor, com gerações mais esclarecidas, politizadas e capazes de cuidar melhor do planeta do que cuidamos até agora. Precisamos colocar a matéria “Consciência Ecológica” em todas as escolas desde o ensino fundamental. Todo mundo tem que entender a importância da reciclagem, coleta seletiva, usinas de tratamento de lixo orgânico e de despoluição de água. Todo mundo tem que aprender a não jogar lixo na rua, não desperdiçar água, não desmatar, não construir em áreas de mananciais e beiras de morros e rios. Precisam também ser mais politizados e combativos pra lutarem contra governos que não querem cumprir tratados e protocolos internacionais pela defesa do meio ambiente.

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BC: A PoD editora, responsável pela publicação do seu trabalho parece bem sintonizada com a mensagem proposta por seu livro, já que ele só vai para a gráfica após a encomenda do leitor, evitando impressões desnecessárias. A partir do momento que se faz a encomenda, em quanto tempo o livro é disponibilizado ao leitor?

LV: O prazo médio de entrega é de 10 dias úteis.

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BC: Vocês estão trabalhando com vendas em livrarias ou a compra se dá somente através da editora?

LV: A compra é feita pelo site da editora PoD ( www.podeditora.com.br) sob demanda. Contudo, recentemente fizemos uma parceria com a Livraria da Travessa e realizamos um lançamento do livro na loja de Ipanema em 20/10 aqui no Rio. Sendo assim, além do site da editora, o livro poderá ser adquirido na livraria da Travessa também.

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BC: Como você vê o mercado infantil nacional? Noto que a oferta é muito grande, mas e a qualidade?

LV: as notícias são animadoras para o segmento: vendas crescentes, lançamentos constantes e livrarias com mais espaços dedicados às crianças que favorecem a expansão do mercado infantil nacional. Os livros infantis estão cada vez mais sofisticados e mais atrativos que proporcionam uma maior interatividade junto as crianças. Como por exemplo, temos os livros-brinquedos que atraem cada vez mais o público infantil com propostas inovadoras e lúdicas que estimulam a sua imaginação.

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BC: Quais as dificuldades enfrentadas por um escritor e cartunista para conseguir editar um livro infantil e colocá-lo no mercado?

LV: O escritor e cartunista enfrenta muitas dificuldades em publicar os seus trabalhos no mercado editorial nos dias de hoje.Segundo o dito popular, todo mundo deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro antes de morrer. Qualquer um pode ajudar a reflorestar o mundo ou aumentar a família sem muitas dificuldades. Também é relativamente fácil escrever sua primeira obra. Lançá-la, no entanto, são outros quinhentos. Em nosso atual mercado, existem editoras demais para leitores de menos. E a invasão dos best-sellers (mais vendidos) do exterior torna o sonho de um novato escritor brasileiro, de se ver na vitrine de uma livraria, quase impossível. As editoras investem em títulos conhecidos do exterior porque eles já estão testados, propiciando assim, o sucesso garantido nas suas vendas.Além disso, existe ainda o problema do preconceito por parte das livrarias e dos leitores. As livrarias não se arriscam a expor na vitrine uma obra escrita por um brasileiro que não seja ilustre e, ao mesmo tempo, o leitor raramente se interessa por esses títulos.

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BC: Além dos seus próprios livros, que outros trabalhos no meio editorial você já realizou como cartunista?

LV: Em 2008, colaborei com alguns cartuns no “Livro dos Políticos – A hilariante política no Brasil” de Heródoto Barbeiro e Bruna Cantele da Editora Ediouro. 


Palpites para este texto:

  1. Bom dia!
    Quero receber sempre estas “”CULTURAS”, PODE ME ENVIAR? AMEI.
    OBRIGADA.

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