Crítica: Minha Adorável Verde Vida


 

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Por Renato Mello.

A entrada da nova temporada de teatro infantil começou bastante promissora com a estreia de um belo e envolvente musical no Solar Botafogo. Trata-se do espetáculo “Minha Adorável Verde Vida”, com texto e direção de Maurício Alves em mais uma produção da Cerejeira Produções.

Minha Adorável Verde Vida” narra a história de Esperança(Clarissa Marinho), uma menina que nasceu verde. Ela e sua irmã Lilás(Isabela Igreja), chegam a um novo orfanato à espera de serem finalmente adotadas. Mas no novo lar se deparam com um ambiente hostil por parte da diretora do orfanato, a tirana Perpétua(Cristiane Maquiné) e seus novos companheiros Glenda(Joana Mendes),Bernarda(Julia Morganti) e Filipo(Erick de Lucca), que fazem de tudo para que a estada das irmãs seja um tormento constante. Mas em meio a tanta vilania, Esperança encontra acalento e carinho pelas mãos da doce governanta Alva(Carmen Costa), que cria na cozinha, escondido da vista de todos, um leão medroso(André Sigon) como se seu filho fosse.

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O Ponto de partida da concepção do espetáculo foi imaginar o que poderia ter sido a infância da Bruxa Má do Oeste, personagem do famoso conto de “O Mágico de Oz” e o quanto a mesma deve ter sofrido por sua aparência diferenciada do senso comum. A dramaturgia de Maurício Alves levanta questões extremamente atuais e presentes, sobre o lugar de cada um dentro da sociedade, ou no caso específico, dentro do microcosmo de um orfanato: a exclusão dentro de um universo de excluídos, a necessidade de se aceitar o outro não por sua aparência, mas pela sua essência. É uma temática que se encontra em algumas importantes obras do público infantil, podemos citar como um exemplo “Flicts”, do Ziraldo, mas é importante ressaltar a originalidade tanto da abordagem, quando no desenvolvimento dramatúrgico de “Minha Adorável Vida Verde”. Sem deixar de ressaltar que em tempos extremos e para um público que está em processo de formação de uma visão de mundo, a questão deve sempre ser exposta e confrontada. Esse é um dos papeis dos importantes papeis do teatro infantil.

Minha Adorável Verde Vida” cumpre esse papel social, mas não só. Diverte bastante e leva ao público um universo de bastante inventividade, sonho e encantamento.

Há uma homogeneidade nas atuações individuais, com todos os atores dentro de um mesmo patamar. Méritos para a direção de atores de Maurício Alves. Mas mesmo assim é possível pinçarmos algumas particularidades.

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Já tive a oportunidade de ver Cristiane Maquiné em cena na deliciosa comédia “Vila Maria” e já sabia de antemão que se trata de uma excelente atriz. Mais uma vez demonstrou uma presença cênica marcante. Um belo trabalho de composição de sua vilã. Fisicamente irreconhecível e se não tivesse lido os créditos não a teria identificado.  André Sigon talvez tenha sido o personagem que despertou as maiores risadas do público com seu leão medroso, mas cheio de gírias e malemolência. Ator de bastante presença, carisma e ainda responsável pela preparação vocal de todo o elenco. Julia Morganti e Erick de Lucca também tiveram uma atuação que chamaram bastante atenção pelos tipos que criaram com bastante humor. Mas é importante ressaltar mais uma vez que apesar dos destaques citados, não existe nenhum desnível de atuação, com todo o elenco atuando com bastante qualidade.

Por tudo que já foi escrito acima, é necessário expor o importante trabalho desenvolvido pelo diretor Maurício Alves, tanto na elaboração dramatúrgica, mas também como encenador. Boa direção cênica, sabendo ocupar com competência todos os espaços, criando interessantes situações e cenas. Responsável maior por todos os atores estarem fazendo “o mesmo espetáculo”, o que parece óbvio, mas não é em se tratando de uma peça que tem 9 atores em cena. O seu trabalho é responsável direto por resultar o musical na criação final de um universo de beleza, sonhos e esperança.

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A trilha sonora composta por Altair Araújo é de fundamental importância para o resultado final e para que o espetáculo tivesse impressa uma personalidade, ganhando com ela uma cara definitiva e de grande beleza.  Assim como a coreografia de Clara da Costa, com um destaque especial para a cena de sapateado, em que brilhou a atriz Isabela Igreja.

A cenografia de Renato Marques é correta, sendo que os vídeos foram o que mais chamaram a atenção.

Minha Adorável Verde Vida” começou neste fim de semana sua carreira pelos palcos cariocas numa temporada prevista para terminar no dia 1º de fevereiro. Pelo que demonstrou em sua estreia, tem todos os méritos artísticos para se manter por um tempo muito maior que esse.  Assim espero.

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TEMPORADA: 10 de janeiro – 1º de fevereiro de 2015
LOCAL: TEATRO DO SOLAR DE BOTAFOGO
Ficha Técnica:
Direção : Mauricio Alves
Texto: Mauricio Alves
Músicas e arranjos:Altair Araújo
Coreografia e direção de movimento: Clara da Costa
Diretor Musical: Altair Araujo
Preparador vocal: André Sigon
Cenografia e videos: Renato Marques
Iluminação: Rubia Vieira
Figurino: Vera Melo

Com: André Sigon, Carmen Costa, Clarissa Marinho,Cristiane Maquiné, Erick de Lucca, Isabela Igreja, Joana Mendes, Julia Morganti e Thaís Rocha

Produção: Cerejeira Produções


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