Crítica: O Gato de Botas


 

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Em cartaz para uma curta temporada até o dia 30 dia de março no Teatro Clara Nunes, Shopping da Gávea, uma nova adaptação do clássico de Charles Perrault, “O Gato de Botas”. Trata-se de mais um espetáculo produzido pela R & A Produções e com direção de Anderson Oliveira, que já se encontra com outro espetáculo infantil em cartaz no mesmo Shopping da Gávea, o excelente “Os Músicos de Bremen”.

Nessa bela montagem de “O Gato de Botas”, Anderson usou um tom farsesco para falar com bastante graça de temas bastante atuais, trazendo subliminarmente algumas críticas a conceitos estéticos e sociais, à excessiva valorização do “ter” em detrimento do “ser”, aonde a aparência e os símbolos de status valem mais que conceitos morais e éticos.

Um camponês recebe como herança apenas um gato, que logo percebe não ser exatamente como os outros. Não bastasse o gato falar, era possuidor de uma enorme astucia e malandragem, características que pretende utilizar para transformar seu dono num marquês e casá-lo com a princesa de um reino. Aproveitando-se do fato da família real estar falida, consegue oferecer ilusões para que estes acreditem poder reviver tempos de glória com a ajuda do marquês impostor em que o esperto gato transforma seu dono.

Misturando uma Europa Medieval com elementos de modernidade, a direção de Anderson cria um ritmo dinâmico permanentemente em cena, por vezes lembrando um vaudeville, que fará um espectador mais atento se divertir ainda mais, aonde numa simples cena várias coisas podem ocorrer simultaneamente, como em determinado momento em que a confusão impera no centro do palco e lá no outro canto a fútil princesa se distrai fazendo selfies com seu celular. É possível também perceber alguma referência vinda da obra de Edmond Rostand, “Cyrano de Bergerac”, numa divertida sequência em que o Marquês de Carrabás se transforma numa espécie de Christian de Neuvillette, com o gato soprando-lhe os gracejos de amor tal como um Cyrano.

Por falar em “Cyrano”, penso que não seria má ideia a criação de uma adaptação desse texto visando o público infantil. Fica a sugestão.

Voltando ao “Gato de Botas”, é preciso destacar alguns pontos positivos dessa encenação, tal como o interessante cenário criado por Angela Figueiredo, remetendo ao interior de um castelo medieval, com material embora simples, de bastante engenhosidade, que ainda teve como complicador driblar a enorme estrutura metálica que fica ao fundo do palco para a peça principal do teatro, “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”. Outro ponto importante é a trilha sonora selecionada por Domingos Santana, pontuando o espetáculo de maneira original e como importante elemento para manter o ritmo proposto por Anderson Oliveira.

Mas o aspecto que mais me agradou foi a concepção dos personagens e para isso o elenco formado por : Luisa Schurig, Atila Douetts, Rafael Oliveira, Jonathan Martins, Daniele Tranhaque e Beatriz Campos foi determinante.

Luisa Schurig como a tresloucada Rainha Cecília, divertidíssima, arrancando as maiores gargalhadas da plateia com seus gritos, sua falta de escrúpulo e seu desespero diante da situação de penúria por qual se encontra tão nobre família. Já tinha ouvido elogios a Luisa Schurig, pude constatar o quanto eram justos. Ótima atriz!

Atila Douetts, o Gato de Botas, tem um belo desempenho. Ator carismático, com bela impostação de voz e expressão corporal. Em cena era difícil tirar os olhos dele, sempre eram aguardadas suas novas maquinações.

Rafael Oliveira é o pretenso Marquês de Carrabás, que consegue demonstrar com êxito todos os dilemas éticos e angústias por que passa seu personagem, formando uma interessante dupla com Atila Douetts.

Daniele Tranhaque vive a fútil adolescente Princesa Mariana, que só tem na cabeça preocupações com a melhor pose para suas selfies. Eu, pessoalmente olhava para ela e me vinha na mente Paris Hilton. O personagem de Daniele sem dúvida foi o que mais despertou a empatia com o público infantil, ao final o espetáculo todas as crianças a aguardavam, especificamente, do lado de fora para tirar fotos.

Jonathan Martins é o Rei Euclides, que apesar da penúria com que vive sua família, ainda mantém uma postura digna diante da realidade. Por Vezes um tanto apatetado, o Rei construído por Jonathan é um personagem que desperta grande empatia com público.

Beatriz Campos, a feiticeira má, personagem defendido com talento por Beatriz, sua presença no texto é determinante para que o Gato e o Marquês possam seguir em frente com seus planos de se casar com a princesa.

Ao final Anderson Oliveira levou a cena mais um espetáculo com seu já habitual selo de qualidade. Um espetáculo divertido, que posso afiançar ter agradado em cheio adultos e crianças.

bb

                                            Bibi com Atila Douetts e Luisa Shuring

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FICHA TÉCNICA
Texto e direção: Anderson Oliveira
Trilha sonora: Domingos Santana
Elenco: Luisa Shuring, Atila Douetts, Rafael Oliveira, Jonathan Martins, Daniele Tranhaque e Beatriz Campos
Cenários e Figurinos: Angela Figueiredo
Fotografia e Designer: Roberto Chahim
Diretor de Produção: Daniel Muller
Realização R&A Produções e Dom Produções Culturais

 

SERVIÇO
Temporada: De 08 a 30 de março de 2014
Datas: Sábados e Domingos
Horário: 16h
Local: Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea.
Endereço: Marques de São Vicente, 53 – 3º andar. Tel.: 21 2274 9696
Valor: R$ 50,00
Duração: 50min.
Classificação Livre – A partir de 2 anos


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