Crítica: O Rei do Lixo


 

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Por Renato Mello.

Conscientizar, mas sem deixar de divertir. Essa é a finalidade do espetáculo infantil “O Rei do Lixo”, em cartaz até o dia 1º de março no Teatro Leblon, com direção de Maria Pia Carone e Renata Villa Verde.

A proposta é extremamente oportuna e tem um papel relevante na formação de toda essa geração que vive agora sua infância, num momento da vida em que justamente se encontra em formação os seus valores de vida.

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Diz sua sinopse oficial:

“O REI DO LIXO conta a história de Pitu, um menino catador de lixo que faz amizade com uma garrafa de sidra, um balde de plástico e uma caixa de papelão. Juntos, os inusitados personagens partem em uma lúdica jornada em busca da realização de seus sonhos. Uma aventura que emociona e conscientiza os pequenos, abordando de forma criativa a questão da reciclagem do lixo e da proteção ao meio ambiente.

O pequeno Pitu sonha em encontrar sua mãe, que virou uma estrela. É do lixo que ele retira o material para criar recursos incríveis – até um foguete – para encontrá-la. Outra ambição do menino é mostrar ao mundo a maravilhosa utilidade dos itens que descartamos”.

Enquanto assistia “O Rei do Lixo” refletia sobre o nível de consciência de minha filha sobre esses temas, infinitamente superior ao meu quando tinha sua idade. Discutir questões como lixo, dejetos ou reciclagem nos tempos de minha infância era algo raro, que dava uma sensação de ser uma coisa etérea que mais parecia um acúmulo de conhecimento que pouca importância teria na nossa vida prática. Ecologia? Lembro de certa vez Tom Jobim, que tantas obras lindas criou sobre sobre nossas florestas e pássaros, comentou:

Olha, quando eu comecei as minhas atitudes ecológicas, eu não sabia nem que elas eram ecológicas. Primeiro que eu não conhecia nem a palavra ecologia, ecólogo, eu não conhecia. E depois eu vim a conhecer essa palavra em Nova York, aí fui lá olhar no dicionário. Ecologia, será a ciência que estuda o eco?”

Falar de ecologia e meio ambiente hoje é mais que remeter a fauna e flora, é uma questão também de saúde pública.

Quando observamos residências vizinhas as nossas se transformando em criadouros de foco de dengue em pneus e garrafas, me vem na cabeça a figura de Oswaldo Cruz, apontado no início do século XX como “inimigo do povo” quando a partir dos poderes que lhe foram outorgados pelo poder público, invadia as residências atrás de focos da febre amarela, num Rio de Janeiro que era considerado uma das mais insalubres cidades do mundo. A febre amarela é considerada erradicada e percebemos a importância de um homem como Oswaldo Cruz que naquele tempo já apontava a questão da salubridade como vital.

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Hoje não existe quem não conheça o correto significado do termo com a aceleração da degradação do planeta tendo com efeitos diretos no nosso cotidiano, basta ver a questão do momento, a crise hídrica, enquanto vemos não muito distante da nossa cidade uma série de rios assoreados por uma quantidade absurda de pneus, garrafas pet, plásticos jogados ao longo do leito, quando teriam enorme utilidade a sociedade com uma política pública mais efetiva de reciclagem e um maior envolvimento da questão no currículo educacional da sociedade.

Outro problema de minha geração é que essas questões eram sempre tratadas de modo pedagogicamente aborrecido e didático, sem espaço para a magia e o humor.

Um dos grandes méritos de “O Rei do Lixo” é justamente criar uma dramaturgia envolvente(assinada por Luiz de Lima Navarro), que convida o público infantil a sonhar e se divertir ao mesmo tempo que insere elementos que buscam a reflexão para a importância e urgência do problema. A direção de Maria Pia Carone e Renata Villa Verde soube captar com muita sensibilidade o material dramatúrgico de Luiz Lima Navarro para conceber um espetáculo muito competente, com um bom ritmo e um belo trabalho de criação.

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O elenco é composto por Israel de Castilho(Pitu), Carloz Magno(Balde), Daniela Rico(Caixa) e Jordana Luchini(Garrafa). O trio formado por Carloz Magno, Daniela Rico, e Jordana Luchini encanta pelo carisma e esbanja bom humor em cena, sendo necessário ressaltar também um interessante trabalho de expressão corporal e na criação de movimentos. Em relação a Israel Castilho, é importante informar que entrou no espetáculo substituindo de última hora o ator que faria papel de Pitu, que devido a uma fratura na perna não pôde se apresentar. Mas Israel teve sensibilidade suficiente para acompanhar seus colegas em cena, conseguindo uma atuação competente.

Cabe também destacar a cenografia, que bem ao que é proposto no espetáculo, se mostra bastante criativa, montando um lixão estilizado, utilizando-se de pneus, garrafas, com a montagem de um belo cenário a partir do lixo(o que convenhamos, não é facil). Belo trabalho de iluminação de Mauricio Ferreira, que dá importante contribuição à criação cênica. Os figurinos de Rafaela Rocha são adequados e bem elaborados.

O Rei do Lixo” cumpre o que se comprometeu, um espetáculo oportuno para os tempos que vivemos e que recomendo que os pais levem seus filhos. Eles vão se divertir sim, além de sair do teatro com um melhor conceito sobre um tema tão importante.

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SERVIÇO:
sáb e dom, 17h. R$ 60.
Classificação: livre.
Temporada: Até 1º de março.
Teatro do Leblon – Rua Conde Bernadotte, 26 – Leblon.
Tel: 2529-7700

FICHA TÉCNICA
Texto – Luiz de Lima Navarro
Direção – Maria Pia Carone e Renata Villa Verde
Direção de Arte e Cenografia – José Dias
Direção Musical e Trilha Sonora Original – Claudio Matta
Coreografias – Renata Villa Verde
Figurino – Rafaela Rocha
Iluminação – Maurício Ferreira
Ass. de Cenografia – Bárbara Targino e Aline Boechat
Cenotécnico – Pará Produções e Eventos
Adereços – Flavia Sauerbronn
Direção de Produção – Caroline Alcova
Produção Executiva – Carmen Souto
Produção: Maria Pia Carone, Renata Villa Verde e Pedro Pinto
Design Gráfico – Yuri Santana
Arranjos – Edson Lennon – Stúdio Mega Hertz
Supervisão Geral- Maria Pia Carone e Renata Villa Verde


Palpites para este texto:

  1. Gilberto Koury Fraiha -

    FOI A PEÇA ECOLÓGICA MAIS SENSACIONAL QUE EU JÁ VI DE TODOS OS TEMPOS PORQUE AO LADO DA PEDAGOGIA ECOLÓGICA A CONDUÇÃO DO ENREDO FOI MAGISTRAL EM TODOS OS ASPECTOS, DESDE A CONSTRUÇÃO DA SUA TRAMA, PASSANDO POR TODOS OS SEUS EPISÓDIOS TRAGICÔMICOS EXTREMAMENTE BEM EXPLORADOS PELOS ATORES QUE TAMBÉM ESTÃO MAGNÍFICOS, PASSANDO PELA SUA DIREÇÃO ONDE SENTIMOS QUE A DIRETORA SOUBE EXPLORAR O MELHOR DE CADA UM SEM PRENDÊ-LOS, PORQUE SENTIMOS QUE ELES ATUAM COM LIBERDADE E MUITO VIBRANTES, OS FIGURINOS TB HIPER BEM CRIADOS, A TRILHA SONORA DELÍCIA . . . ENFIM, A QUALIDADE ESTÁ PRESENTE DE CABO A RABO NOS SEUS DIVERSOS SETORES ARTÍSTICOS . . . DE FORMA QUE ESSA PEÇA JAMAIS PODERIA DEIXAR DE FAZER TODO O SUCESSO E CAUSAR TODO O FRISSON QUE CAUSA POR TODA PARTE QUE VAI . . . SÃO TODOS MONSTROOOOOOOOSSS CADA UM NO SEU PRÓPRIO GALHO !!! PARABÉNS MÚLTIPLOS A TODOS FINALIZANDO PELA INTEGRAÇÃO DE TODOS OS ELEMENTOS E PARTICIPANTES QUE DÃO UMA ENERGIA TAMBÉM A PEÇA . . . A FORÇA DA UNIDADE E A BELEZA DA HARMONIA PLENAMENTE PRESENTES ! VOCES SÃO TODOS GENIAIS !!! SALVE !

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