Crítica: Oikos


 

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Por Renato Mello.

No Teatro Oi Futuro, no Flamengo, está sendo encenado um dos mais interessantes e originais espetáculos do circuito infantil. É a peça “Oikos”, que tem direção de Fabianna de Mello e Souza com a Companhia Os Bondrés, sempre aos sábados e domingos às 16 horas, em temporada que irá até dia 4 de janeiro.

Em um trabalho dramatúrgico coletivo que levou mais de 7 meses de concepção, de autoria da própria Fabianna, com Eduardo Vaccari, Keli Freitas e colaboração dos Bondrés, “Oikos” narra a história de um vilarejo encravado no meio do nada, que por irresponsabilidade e ganância passa a sofrer as consequências do descarte do lixo tóxico e da luta travada pelos seus habitantes para de livrarem desse sério problema. A temática, além de pertinente, urgente e fundamental para a formação da consciência do público infantil, consegue no desenvolvimento do seu roteiro despertar o espírito crítico de maneira extremamente lúdica.

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A concepção do espetáculo se constrói de uma maneira que nos remete a verdadeira essência artesanal do ofício de se fazer teatro. É exatamente isso que mais encanta, ver o teatro sendo feito e transformado diante dos nossos olhos de uma maneira viva e tão real. Ao entrarmos na sala somos recebidos pelo som emitido dos instrumentos musicais de Karina Neves e Luis Barrueto, que ajudam a nos ambientarmos ao universo que será exposto em cena dentro de poucos instantes. Enquanto aguardamos a representação ficamos observando nos cantos do palco o elenco finalizando sua preparação nos espelhos. Os atores, por trás de máscaras balinesas, vão conjuntamente transformando o cenário e a ambientação no transcorrer do que a dramaturgia lhes exige, fazendo do palco do Oi Futuro um lugar mágico e de encantamento para quem tem prazer em vivenciar toda a beleza que existe na arte teatral.

Os elementos cenográficos realçam ainda mais essa característica lúdica e artesanal, seja em simples objetos, na representação do sol, num inseto, mesmo numa nuvem tóxica que sobrevoa a pequena Oikos, ou na construção das casas do vilarejo, com soluções de grande criatividade e plasticidade, num lindo trabalho cenográfico assinado por Gabi Windmüller.

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O elenco, composto por Flávia Lopes, Lucas Oradovshi, Matheus Lima, Patrícia Ubeda, Tomaz Nogueira e Camila Nhary é fundamental para a fomentação da proposta da essência coletiva do trabalho, algo que se dá também de maneira enfática e mais acentuada que de costume nas atuações dos espetáculos infantis. Os atores se despem inteiramente da vaidade típica da profissão em prol dessa coletividade. Escondidos sob a expressão facial das máscaras que vestem em cena, apoiam suas atuações na expressão corporal e vocal, sendo que muitas vezes não são donos nem dos personagens. Para auxiliar o público no desenvolvimento dos habitantes de Oikos, a personalidade imposta pelas máscaras e igualmente pelos figurinos(criados também por Gabi Windmüller) são elementos importantes e vitais.

É preciso dar grande ênfase ao extraordinário trabalho de criação da diretora Fabianna de Mello e Souza. Recentemente pude assistir a um outro e belo trabalho seu no teatro infantil na peça “O Moço que Casou com a Megera”, que tinha uma proposta completamente diferente de “Oikos”. Após assistir os 2 espetáculos observamos o admirável talento e a competência com que a diretora consegue desenvolver seu trabalho com particular qualidade em universos tão distintos. Em “Oikos”, Fabianna coloca em prática o conhecimento adquirido com as máscaras balinesas em sua permanência no Théâtre du Soleil(desse ícone teatral que é Ariane Mnouchkine)  no qual virou referência no Brasil e pela maneira como pesquisa o jogo do ator através delas. Além disso constrói uma interessante dinâmica em cena na movimentação dos atores e na criação de diferentes ambientes para o desenvolvimento do espetáculo. O trabalho da Fabianna é único, necessário e de grande qualidade artística.

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Quem levar os filhos para assistir “Oikos” pode ter certeza assistirá não somente um lindo espetáculo infantil, como verá que ele cumpre um importante papel na formação e na consciência da criança para temas que a cada dia que se tornam mais necessários nas nossas vidas.

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Oiko
Teatro Oi Futuro – Flamengo
Temporada até 4 de janeiro

Dramaturgia: Eduardo Vaccari, Fabianna de Mello e Souza e Keli Freitas, em colaboração com os Bondrés
Direção: Fabiannna de Mello e Souza
Assistente de Direção: Eduardo Vaccari
Elenco: Flávia Lopes, Lucas Oradovshi, Matheus Lima, Patrícia Ubeda, Tomaz Nogueira e Camila Nhary
Direção Musical: Karina Neves
Músicos: Karina Neves e Luis Barrueto
Consultoria ambiental: Paulo Peterson
Iluminação: Aurélio Simoni
Concepção de Cenário e Figurino: Gabi Windmüller
Fotos: Fernanda Tomaz


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