Crítica: Shtim Shlim – O Sonho de um Aprendiz


 

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Por Renato Mello.

A última apresentação da temporada de “Shtim Shlim – O Sonho de um Aprendiz” no espaço da Caixa Cultural do Rio de Janeiro ocorreu nesse fim de semana, após uma temporada de imenso sucesso que começou em janeiro e que acabou inclusive sendo prorrogada. O espetáculo foi desenvolvido e encenado pelo grupo Os Tapetes Contadores de História. Quem não teve oportunidade de assistir não deve perder as esperanças. No 2º semestre consta na agenda do grupo apresentações na Caixa Cultural de Recife e de março a julho haverá apresentação de outro projeto do grupo “Da Palavra ao Fio”, que desenvolve ações de integração com bibliotecas públicas do Rio com as comunidades ao seu redor, que em sua 4ª edição ampliou sua atuação para além de Tijuca e Campo Grande para incluir também a Ilha do Governador e Jacarepaguá.

Shtim Shlim” é denominado oficialmente pelo grupo como uma “instalação performática” e após assisti-la posso afirmar que faz sentido tal rotulação, conseguindo unir a narração de histórias com o teatro e artes visuais. A história é extraída de um conto tradicional da cultura berbere, povo nômade do norte da África e resulta numa apresentação encantadora que convida o público a viajar e explorar todo o lado lúdico pelos caminhos da imaginação do espectador infantil(e não só) por uma fascinante aventura.

A apresentação encontrou no espaço da Caixa Cultural um ambiente físico perfeito para desenvolver toda sua arte e ação, com a criação de distintos e generosos espaços para a construção de painéis e instalações diversas. Confesso de antemão que estou em suspeição para falar da Caixa Cultural, tenho orgulho dela e do trabalho que realiza. Seu apoio não só na cessão de seu espaço, mas também em patrocínio para a apresentação de um espetáculo(ou uma “instalação performática) dessa magnitude só demonstra a importância e o valor que precisa ser dado a iniciativas semelhantes para a sociedade, ainda mais nesse caso específico com entrada gratuita.

A sinopse oficial da performance é a seguinte:

Quando criança, Shtim Shlim tem um sonho estranho e premonitório: ele vê o sol entrando pela manga direita de sua camisa e a lua entrando pela esquerda. O pai interpreta o sonho do menino dizendo que ele vai se casar duas vezes. Ele cresce com essa visão na cabeça e, quando jovem, decide partir em busca de conhecimento com um velho mago que ensina “o tudo e a magia acima do tudo”, mas que mata os seus discípulos após o teste final. Com a ajuda da filha do feiticeiro, ele consegue se salvar e volta para a casa do pai. O mago fica furioso e vai atrás dele. “A partir desse ponto da história, Shtim Shlim e o velho mago começam uma grande batalha de magia. Eles se transformam em diferentes objetos e animais.

Tudo começa ainda do lado de fora da galeria, em que os 4 atores, Cadu Cinelli, Edison Mego, Rosana Reátegui e Warley Goulart nos introduzem aos princípios básicos da história que veremos a seguir. Abrem-se as portas e somos finalmente convidados a tomarmos parte nessa aventura. Nos deparamos então com toda uma ambientação minunciosamente preparada para nos fazer mergulhar de cabeça na história, seja através de uma bem cuidada iluminação, de uma elaborada ambientação sonora e principalmente de instalações e cenários belíssimos e feitos com um visível trabalho de aprofundada pesquisa e conhecimento pelos próprios atores, que passam então a desenvolver a dramaturgia adaptada por Cadu Cinelli e Warley Goulart , com direção de Inno Sorsy, para a saga de Shtim Shlim. Contando sempre com o imponderável que esse tipo de performance pode apresentar devido a participação ativa e dinâmica do público infantil, transcorre então a magia que esse espetáculo oferece, levando-nos a quase que num estado de levitação a transpor as diversas ambientações até ao seu grande final, através de uma narração fluída e de grande poder imaginativo para cativar a todos, realizada com bastante carisma pelos 4 atores sem que nenhum deles se prendam necessariamente a um personagem.

Para comprovar a qualidade e a importância desse trabalho, num momento em que vemos vários espetáculos infantis menosprezando a inventividade e a capacidade desse público, o CEPETIN, o prestigioso e respeitado Centro de Pesquisa e Estudo do Teatro Infantil, retomando a iniciativa de concessão de “Selo Espetáculo Recomendado “em que procura incentivar o espetáculo de real qualidade, concedeu justamente para “Shtim Shlim” o selo, sendo portanto, o primeiro a receber essa honrosa distinção.

Resta-nos a partir de agora ficarmos atentos para que possamos novamente ter a oportunidade de juntamente com Os Tapetes Contadores de História podermos assistir novas aventuras em algum longínquo canto desse planeta.

FICHA TÉCNICA “SHTIM SHLIM – O SONHO DE UM APRENDIZ”
Coordenação geral e curadoria: Cadu Cinelli
Direção: Inno Sorsy
Atores e criação da instalação: Cadu Cinelli, Edison Mego, Rosana Reátegui e Warley Goulart
Supervisão cenográfica: Analu Prestes
Colaboração na adaptação do texto: Luciana Zule
Ambientação sonora da instalação: Serge Erège
Projeto Expográfico: Canoa de Papel e Handerson Oliveira
Fotos: Renato Mangolin
Coordenação de produção: Fábio Osório
Produção executiva: Marta Vieira
Realização: Caleidoscópio Associação Cultural e Os Tapetes Contadores de Histórias

Assessoria de imprensa Shtim Shlim – O sonho de um aprendiz
Paula Catunda
paula.catunda@gmail.com

Fernanda Lacombe
fernanda@lageassessoria.com


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