Infantil: Tarzan, a Evolução da Lenda


 

Quem fizer uma pesquisa pela internet sobre o personagem Tarzan, criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs em 1912, vai se deparar com uma quantidade gigantesca de filmes, séries e desenhos já feitos, mesmo desde os primórdios de Hollywood, sobre  o personagem John Clayton III, Lorde Greystoke, esse filho de aristocratas ingleses que desembarcam na selva africana após um motim. Após a morte dos seus pais, o pequeno John, é criado por macacos, aonde adquire através dos macacos o nome Tarzan. Nessas infinitas adaptações, pode-se encontrar de tudo, de interessantes adaptações e transposições e outras sofríveis, que ao longo dos últimos 100 anos acabaram por fazer o mito do herói criado por animais, um dos mais populares através de várias gerações, aonde Tarzan passa a personificar em tempos mais recentes a tradição mitológico-histórica de heróis criados entre o animais, que vem desde primórdios anteriores à fundação da Roma antiga por Rômulo e Remo.

Agora acaba de desembarcar nos cinemas brasileiros mais uma adaptação, a animação “Tarzan, A Evolução da Lenda”. Esse último podemos classificar no time das adaptações inteiramente dispensáveis. Dirigido pelo alemão Reinhard Kloss, tenta atualizar a história de Burroughs, centrando sua história em tempos contemporâneos, com direito a dinossauros, meteoros, vales e cavernas perdidas, helicópteros, grandes corporações fazendo do resultado final de “Tarzan, A Evolução da Lenda” um filme absolutamente medíocre e ruim, seja aos olhos de adultos, seja aos olhos das crianças.

No filme de Kloss, John Greystoke, um mistura de romântico explorador com magnata da gigantesca corporação Greystoke, procura pela África os restos de um meteoro que foi o responsável pela extinção dos dinossauros, que seria fonte de uma quantidade inesgotável de energia. Vivendo há meses no meio da selva com a mulher e o seu filho de 5 anos, o pequeno JJ, após infrutíferas buscas resolve abandonar as buscas e voltar para Nova York, mas o helicóptero que leva sua família despenca. O único sobrevivente do acidente aéreo é JJ. Sozinho no meio da selva é adotado por um clã de Gorilas, passando a se chamar Tarzan. Anos depois, Jane, a filha de um explorador, antigo parceiro de John Greystoke em suas buscas pelo meteoro, convence William Clayton, o atual presidente da Greystoke a ajudar em seus projetos ambientais na selva, mas a verdadeira ambição de Clayton é encontrar essa mesma fonte de energia que John Greystoke procurava antes de morrer, mas seus objetivos são menos românticos que aqueles que moviam John, passando por cima de tudo e todos para atingir tais objetivos.  Tarzan e Jane passarão por grandes perigos para impedir a concretização dos planos maquiavélicos de William Clayton.

Para começo de conversa, como puderam verificar no resumo acima, o roteiro é muito ruim, confuso e inteiramente inverossímil, fazendo com que em nenhum momento consiga fazer o público embarcar na história que está sendo contada. Assim como a animação e os traços não cativam, com personagens sem nenhuma expressão ou carisma. Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Algum “gênio” da Imagem Filmes, responsável pela distribuição no Brasil, teve a “brilhante ideia” de colocar os atores globais José Loreto e Débora Nascimento para fazer a dublagem de Tarzan e Jane. O resultado final da dublagem é de um constrangimento ímpar. Por vezes eu fechava os olhos e conseguia ver nitidamente na minha frente…José Loreto e Débora Nascimento. A prova que nem a distribuidora acreditava no seu produto é que no trailer de divulgação dão tanto destaque ao casal de dubladores quanto ao filme propriamente dito(como vocês podem conferir no vídeo acima), como se isso fosse levar mais 1 mísero espectador para os cinemas. Só espero que nenhum “estrategista” da Imagem Filmes venha prestar seus serviços na empresa em que trabalho.

Poucas vezes me vi tão arrependido de levar minha filha para um desenho de animação no cinema, que a toda hora me perguntava: Já acabou? Infelizmente demorou para acabar.


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