Jorge Drexler


 

Ouso dizer que Jorge Drexler foi a melhor coisa que melhor surgiu na música latino-americana nos últimos 15 anos. Quando digo “música latino-americana” incluo também a música brasileira.

Felizmente, ao longo dos últimos anos, Drexler conseguiu sedimentar uma sólida carreira no Brasil, coisa raríssima entre os músicos latinos, que sempre enxergaram o Brasil como uma ilha intransponível no continente, aonde poucos conseguiram penetrar nas últimas décadas. Além dele, só recordo-me de Fito Paez, que também tem seu público por aqui, mas isso depois de quase 30 anos de idas e vindas. É uma pena que o Brasil desconheça artistas latino-americanos que produzem um trabalho honesto, de grande qualidade e de muito sucesso entre as divisas do Cabo Horn e da fronteira dos Estados Unidos, como Julieta Venegas, León Gieco, Kevin Johansen.

Se Fito Paez teve como principal “Relações Públicas” por aqui os Paralamas do Sucesso, foi através de Paulinho Moska que ouvi falar de Jorge Drexler, que não cansava de exaltá-lo, isso lá pelos fins da década de 90. Na primeira música sua que escutei, “La Idad del Cielo“, pude perceber que realmente havia algo de original nesse uruguaio,um frescor, uma limpeza harmônica, versos simples mas sofisticados ao mesmo tempo.

deja que el beso dure/deja que el tiempo cure/deja que el alma/tenga la misma edad/que la edad del cielo.

Senti que devia prestar atenção.

Estava de bobeira bisbilhotando as prateleiras da Modern Sound, a falecida loja de CDs em Copacabana, creio que o ano era 2004, quando me deparei com um CD de Drexler, era “Eco“, que tinha chegado a pouco tempo nas lojas brasileiras. Intuí que devia comprá-lo. Não me arrependi, depois de ouvir a cada uma de suas faixas percebi que estava diante de um CD antológico, aonde não havia música mediana, nada ali era de graça, era perfeito. As músicas fluiam de maneira agradável, havia uma união de música eletrônica com acústica de maneira equilibrada e cada faixa mais linda que a outra. “Salvapantallas” uma música que me dá até hoje uma sensação de paz, de bem estar e harmonia com o mundo. “Don de Fluir“, delicada, sinto ali uma ligeira influência bossanovista. “Todo se Transforma“, “Guitarra e Vos“, “Se Va, Se Va, Se Fue“, “Eco“, “Polvo de Estrellas“, as faixas vão se sucedendo e cada uma delas com vida própria. Para arrebatar de vez, a última faixa: “El Otro Lado del Río“, a canção que hoje já virou um clássico, tema do filme “Diários de Motocicleta” e que acabou rendendo a Drexler o Oscar de melhor canção original.

Nos últimos anos acumulou 3 indicações consecutivas ao Grammy, 4 ao Grammy latino e este ano foi indicado ao Goya por sua canção no filme “Lope“, dirigido por Andrucha Waddington. Acabou de gravar as músicas pra a trilha sonora do novo filme de James Ivory, “The City of your Final Destination“.

Depois de “Eco” manteve a qualidade e a dignidade em seus trabalhos, não se rendendo a pressão das gravadoras ou ao sucesso fácil, aumentando o leque de parcerias e contribuições para o trabalho de outros importantes artistas. Em relação ao Brasil, gravou duetos com Maria Rita, Ivan Lins e Roberta Sá. Roberta, por sinal, gravou uma linda música inédita de Drexler, “Esquirlas“, e a transformou numa linda marcha-rancho. Em seus shows por aqui, sempre conta com a participação de algum músico brasileiro, como Celso Fonseca e Victor Ramil. Nunca negou a influência da música brasileira na sua formação, recentemente gravou em espanhol “O Que Será“, do Chico Buarque.

Atualmente está casado com a atriz espanhola Leonor Watling, que por sinal tem(ou pelo menos tinha, nao sei se continua) um interessante trabalho musical com a sua banda Marlango.


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