Crítica: Lincoln


 

 

Os últimos tumultuados meses do 16º presidente dos Estados Unidos da América, Abraham Lincoln, em meio a uma nação dividida durante uma sangrenta guerra civil e circundada pelo vento da mudança. Adaptado do livro “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln” de Doris Kearns Goodwin, “Lincoln” esse novo filme de Steven Spielberg, coloca seu foco nos bastidores pela aprovação da 13ª emenda à constituição, que acabaria com a escravidão no país.

Em plena “era da inocência” da América, Spielberg mostra os lobbys, o fisiologismo, a compra de votos e as práticas nem tão republicanas assim, que conhecemos bem por estas paragens, que ajudaram na aprovação da emenda. Toda a articulação é comandada pelo próprio presidente, a mesma impoluta figura imortalizada no imaginário norte-americano. Mas para o Lincoln de Spielberg, o fim justifica os meios utilizados.  Se o “ideal” de uma causa tão justa tem seu preço, então por que não compra-lo?

Dessa vez Spielberg não fez um épico, apesar de filmar o período mais importante da história americana, que imprimiria em definitivo a personalidade da ainda jovem nação. Trabalhou com tons acinzentados a fotografia de Janusz Kaminski, luz baixa e com as principais ações acontecendo dentro de gabinetes e salas de reuniões. O Lincoln que lidera o país não é o mito reverenciado, mas o estrategista, o pragmático, apesar de Spielberg embalar sua figura com belos discursos que pontificam sobre as virtudes da democracia, tendo ao fundo a música trepidante de John Williams. Acaba entregando ao público um filme que por vezes por pode ficar um pouco enfadonho.

O filme teve 13 indicações ao Oscar e partiu como grande favorito na corrida, embora nos últimos dias esse favoritismo tenha perdido um pouco sua força. Mas um Oscar parece ser certeza, o de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis, como Lincoln. Sua atuação é perfeita, sem dúvida uma das mais marcantes dos últimos tempos no cinema. Não só a caracterização, mas também há um excepcional trabalho de expressão corporal que o ajudam a chegar a tão brilhante resultado.

Outra atuação que vem sendo muito elogiada é a de Tommy Lee Jones, que muitos consideram como favorito na categoria Ator Coadjuvante. Tommy Lee está bem, mas creio que está sendo superestimado. Sua atuação é correta, e só. Quanto a Sally Field, também indicada, vejo no mesmo nível de Tommy Lee, o que vindo de mim é um baita elogio, porque sempre achei Sally Field uma chata de galocha. Mas não tenho críticas a lhe fazer em “Lincoln”.

Há que ter um certo cuidado com o entendimento do contexto histórico-político, principalmente no embate Republicanos X Democratas, já que houve posteriormente uma mudança na política  americana de 180 graus modificando por completo o entendimento político-ideológico-partidário.

Lincoln” não é um “produto” Spielberg típico, mas é um bom filme sobre um tema e um período complexo e que trás a luz aspectos obscuros de seus bastidores. Pode não ser o melhor filme possível sobre o tema, mas um filme que tem sua relevância.


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