Literatura: “A Noite do Despejo” e a Produção Independente Brasileira


 

Joilson 2

Por Renato Mello.

Ao começar a tatear despretensiosamente as primeiras páginas do livro “A Noite do Despejo”, escrito por Joilson Kariri Rodrigues, deparei-me com a revelação de um fascinante painel sobre uma comunidade à margem da vida da metrópole que a circunda, composta por pobres almas num momento limite de suas vidas, à beira de serem despossuídos do que mais importante possuem, suas casas, e por consequência toda uma vida em comunidade, um passado e a destruição completa de um futuro.

A Noite do Despejo” narra essa noite derradeira que ao limiar do dia que se aproxima terá toda uma comunidade será posta abaixo.

 Joilson desenvolve essa narrativa de modo pungente e ao mesmo tempo terno. Com grande vitalidade e impregnada de realismo, esse romance acabou por causar-me enorme dificuldade de realizar pausas, sôfrego por seguir adiante e seguir para seu desfecho.

Produzido de maneira inteiramente independente às custas do próprio autor, “A Noite do Despejo” já atingiu a marca de 1.500 exemplares vendidos. Para se ter uma noção do que significa esse número para uma produção independente, basta lembrar que inúmeras publicações de grandes editoras, repletas de publicidade e notas nos principais jornais, não conseguem atingir esse número.

Solicitei a Joilson que fizesse ao Botequim Cultural um relato sobre sua experiência e as razões que o fizeram optar por esse caminho.

Quem quiser adquirir o livro, pode fazê-lo através do email anoitedodespejo@gmail.com . Eu recomendo!

Deixo o texto de Joilson com vocês:

Por Joilson Kariri Rodrigues

Joilson 1Falando da minha opção pelo caminho independente, confesso que pouco posso dizer, visto que só conheço um lado desse percurso. A gente sabe que as editoras de médio e grande portes dificilmente se arriscam a investir em autores desconhecidos e, por saber disso, preferi nem procurá-las. Cheguei a sondar alguma editoras pequenas e o que elas poderiam fazer por mim era muito pouco, ou seja, eu teria que dar muito mais do que receberia e ainda me submeter a palpites na criação do livro. As editoras pequenas, até onde eu descobri, trabalham um pacote de escritores de seu catálogo e cada um desses é que tem que se esforçar para se destacar e formar seu próprio público. Eu avaliei que isso não me era conveniente, pois teria que fazer o mesmo trabalho de um independente e ainda dividir os méritos e os minguados lucros. O lado negativo do independente, além do investimento financeiro, é o de não se conhecer os meios que te levam a promover a obra, fazendo com que se demore muito tateando às cegas a procura dessas portas. A marca de uma editora impressa num livro não é garantia de uma boa obra, mas faz parecer que tem um relativo valor, pois se presume que tal livro tenha passado pelos critérios de seleção de um profissional do ramo. Mesmo com esse conceito impregnado no senso comum, arrisquei me produzir independente, evitando o desgaste de aguardar retorno de uma editora, que nem sempre vem. Na minha avaliação eu tinha em conta que seria possível vender umas duas centenas de exemplares no decorrer do ano, pois já vinha trabalhando a ideia do livro nas mídias sociais, saraus e escolas onde dou palestras. Para minha grata surpresa eu superei esse número logo nas primeiras semanas, dependendo quase que exclusivamente do boca a boca dos que adquiriam o livro e indicavam aos amigos. Em cinco meses de publicado o livro já está atingindo a marca de 1.500 exemplares vendidos, o que é mais que a soma de todo o catálogo de muitas editoras.


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