Baú da Adriana: Madame Bovary


 

Texto de Adriana Mello.

Nem sei quantas vezes li esse livro. É um caso de paixão eterna. Acho que o grande mérito de “Madame Bovary” é ele ser um livro atemporal, nunca será datado. Escrito por Gustave Flaubert em 1857, pode facilmente ser adaptado para qualquer época.

O livro conta a história de Emma, uma jovem criada pelo pai no interior da França, educada em um colégio de freiras e uma apaixonada por livros. Iludida pelos romances, ela sonha em viver as mesmas paixões descritas em seus romances; príncipe encantado, bailes, viagens, uma vida de luxos bancada pelo marido. Ao conhecer Charles Bovary, médico de seu pai, acredita ter encontrado a chance que precisava para realizar todos os seus sonhos, e casa-se com ele.Charles e Emma mudam-se para Tostes. Charles é um homem simples, que não possui grandes ambições. Apaixonado pela esposa, ele faz tudo o que pode para vê-la feliz. Emma, ao perceber que seu casamento com Charles é uma negação de tudo com o que sempre sonhou, cai em uma depressão profunda. Ela passa procurar outras maneiras para encontrar um pouco da aventura que sempre desejou.Emma envolve-se com outros homens, mas é o jovem Leon que a faz perder a cabeça. Por ele, Emma contrai inúmeras dívidas que sabe que nunca poderá pagar. Ao lado dele, Emma sente-se totalmente feliz. Mas Leon é muito jovem, e não tem coragem de assumir o romance dos dois perante a sociedade. Abandonada por Leon e pressionada pelos credores, Emma suicida-se. A tristeza causada pela morte da esposa causa um infarto fulminante em Charles, que morre de amor.

Logo após ao seu lançamento, “Madame Bovary” foi considerado imoral pelo governo francês. Flaubert foi processado por ofender a moral pública. O autor foi absolvido pela Corte Francesa, mas não pelos críticos puritanos da época. Dizem que Flaubert teria se inspirado em um romance que teve com Louise Collet, casada e mãe de uma adolescente. Quando questionado, ele apenas respondeu: “Madame Bovary, c’est moi”(Madame Bovary sou eu).

“Madame Bovary” é um livro que exige paciência do leitor. Tudo é descrito minuciosamente: paisagens, clima, roupas dos personagens, ambientes. Essa riqueza de detalhes proporciona um envolvimento maior do leitor com a trama, pois ele sente-se parte dela. É possível visualizar perfeitamente cada situação narrada por Flaubert. É um livro muito bem construído.

Existiram varias adaptações de “Madame Bovary” para o cinema e TV, mas nenhuma está a altura do livro. A melhor é de longe a realizada por Claude Chabrol em 1991. O diretor se manteve extremamente fiel ao livro e escalou a sempre competente Isabelle Huppert para o papel de Emma Bovary. Mas ainda assim fica bem aquém do livro.


Trailer da adaptação do livro “Madame Bovary” para o cinema, dirigido por Claude Chabrol em 1991

Emma Bovary é uma personagem que desperta amor e ódio nos leitores. Em alguns momentos, torcemos para que ela consiga realizar seus sonhos, desejos e ambições. Por outro lado, seu egoísmo, sua imaturidade, sua ambição desenfreada ,vaidades e vontades, nos causa uma profunda irritação. Ela comete um erro atrás do outro, e parece que não aprende nunca. Mas por outro lado, sentimos pena da protagonista; ela só deseja ser feliz. Emma vai na contramão do caminho que lhe foi imposto (casamento e maternidade). Ela não aceitava ser submissa, não era prendada e muito menos fiel. Ao não encontrar no casamento tudo aquilo que seus livros lhe prometiam, ela não se resigna e vai em busca de seus sonhos. Ao ser descoberta, prefere a morte do que ter enfrentar o julgamento de todos. Podemos questionar os meios, mas nunca suas razões.


Palpites para este texto:

  1. Querida amiga, muito bom gosto seu ao elogiar esse classico de Flaubert. A balzaquiana Emma realmente nos mostra o quanto nossa mente irrequieta e capaz d nos fazer buscar a felicidade interior. Belo livro q li ainda adolescente e reli mais uma vez. Atemporal!

  2. Claudio, o que mais me encanta nesse livro é justamente o fato dele ser atemporal. Ele pode ser adaptado para qq época e lugar. Já reli várias vezes! Nunca me canso.

  3. Pois e. Arte, d qq natureza e atemporal, encanta geracoes d pessoas sensiveis cujo mundo interior e vasto, infinito. Os livros sempre fizeram parte d minha vida e moldaram boa parte de mim. Felicidades e…continue escrevendo.

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