Memórias de Uma Guerra Suja


 

 

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O ex-delegado Claudio Guerra.

O ex-delegado Claudio Guerra.

Com o importante e relevante depoimento prestado nesta quarta-feira(dia 23 de julho) na Comissão da Verdade pelo ex-delegado Cláudio Guerra, aonde confessou responsabilidade por mortes e torturas durante a Ditadura Militar, o Botequim Cultural considera oportuno mais uma vez abordar o livro “Memórias de uma Guerra Suja”, lançado em 2012 pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, que inclusive foi o vencedor da 1ª edição do Prêmio Botequim Cultural na categoria Livro Jornalístico AQUI.

No seu recente depoimento, o ex-agente do SNI confirmou que queimou doze corpos numa usina de cana de açúcar em Campos dos Goytacazes. De acordo com seu relato, os corpos eram coletados na chamada “casa da morte”, em Petrópolis e num quartel do Rio de Janeiro. Entre as vítimas identificadas por Guerra, estavam a professora da USP Ana Rosa Kucinski e o ex-deputado David Capistrano. Disse ainda que ele próprio matou cinco opositores ao regime militar e afirmou que o acidente que matou a estilista Zuzu Angel foi forjado.

Desde maio, Cláudio Guerra é réu no caso do atentado ocorrido em 1981 no Riocentro, em que ele e outras cinco pessoas são acusados de planejar um ataque a bombas durante um show em celebração pelo dia do trabalho.

Logo após o lançamento de “Memórias de Uma Guerra Suja”, já chamávamos a atenção para a sua relevância histórica e política, num livro que reconstitui o que ocorria nos porões da ditadura militar. Nesse trabalho, Claudio Guerra abre seus arquivos, vasculha suas lembranças, tece comentários sobre a maneira como matou e torturou presos políticos. Os jornalistas procuram elucidar uma série de mortes e desaparecimentos das vítimas daquele período, que até o momento permaneciam “insepultas” para seus familiares.  Claudio Guerra relata em detalhes suas visitas à famigerada casa da morte de Petrópolis, sua atuação durante o processo de redemocratização do país juntamente com militares descontentes com esse movimento. Explica também como foram eliminados 2 importantes membros do sistema: Mariel Mariscol e Sérgio Paranhos Fleury. Sobre a morte de Fleury, declara:

“O delegado Fleury tinha de morrer. Foi uma decisão unânime da nossa comunidade, em São Paulo, numa votação feita em lugar público, o restaurante Baby Beef…

…Fleury estava na praia, na região de Ilhabela, para passar um feriado prolongado. Depois de ser dopado, deu-se início à operação de descarte de mais um colaborador. Não sei qual substância usaram para dopá-lo, mas sei que foi colocada na bebida com a droga. Depois Fleury ainda levou, de um homem de sua confiança, uma pedrada na parte de trás da cabeça.

Toda a polícia de investigação foi até lá. Montou-se um teatro em que seus companheiros marcaram presença; tudo isso para justificar como acidental a morte do delegado…”

Por todo o momento atual, 2 anos depois, voltamos mais uma vez a indicar “Memórias de Uma Guerra Suja”. Um brilhante trabalho jornalístico e de reconstituição da nossa memória.


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