Crítica: Meninos e Meninas


 

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Estreou neste último fim de semana um espetáculo voltado para o público adolescente, que pelo frisson causado nos corredores do Shopping da Gávea, promete transformar-se num fenômeno teen. Trata-se do musical “Meninos e Meninas”, dirigido por Afra Gomes e Leandro Goulart, em cartaz no Teatro das Artes.

Amor, amizade, bullying, sexo, anorexia, saudade, pais, morte e vida. Todos esses temas tão presentes na adolescência são retratados em cena por um elenco de quase 20 atores que expressam todos esses sentimentos, interpretados com um misto de humor e emoção, através de uma sucessão de pequenas histórias dentro de uma grande história sobre cada um desses 20 personagens que vivem o que talvez seja o mais complexo período de nossas vidas. Período determinante na formação dos nossos valores, do caráter, fase das descobertas e das grandes mudanças fisicas.

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A peça tem um texto bastante ágil e conta com uma direção extremamente dinâmica, por vezes ousada, não deixando de ceder espaço para a reflexão e emoção. A dupla de diretores criou ainda um interessante cenário para contextualizar o espetáculo, formado por uma sucessão de andaimes montados de maneiras distintas e disformes ao longo do palco, dando diversos relevos e concepções para as inúmeras situações criadas.

Bruna Griphão, Eduardo Melo, Anna Rita Cerqueira, Lucca Diniz, João Côrtes, Lucas Cotrim, Bruna Natali, Francciny Castro, Ingrid Klug, Luã Bregeron, Lucas Corsino. Lucas Vargas, Luiza Lapa, Matheus Tederiche, Nicolas Prattes, Vittoria Vianna, Wesley Cordeiro e Yasmin Candido formam o vasto elenco do espetáculo que atua com enorme competência, carisma e com o equilíbrio concebido pela dupla de diretores, aonde cada ator tem seu momento de protagonismo de maneira quase homogênea. Mas apesar de uma certa equidade em cena é possível pinçarmos alguns destaques individuais em meio a boa atuação coletiva. Luiza Lapa chama bastante atenção, não apenas pelo seu desempenho cômico, mas principalmente pelos seus dotes vocais, em que é possível afirmar que trata-se de uma atriz que merece ser observada com atenção pelos grandes criadores do teatro musical brasileiro. Também podemos destacar Bruna Griphão e Lucca Diniz. Lógico que é impossível tirar os olhos de João Cortês, ator que se transformou, justamente, numa estrela do mercado publicitário pelas suas divertidíssimas atuações como “garoto-propaganda” da Vivo. Ator de presença forte, personalidade e que possui tipo físico fora dos padrões pré-estabelecidos pela ditadura da televisão.

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Já preconizava o (literalmente) sumido “Belchior” que “nossos ídolos ainda são os mesmos”, podemos ilustrar tal pensamento com algumas das canções inseridas em “Meninos e Meninas”, que se foram referências para a minha geração, o espetáculo demonstra sua atualidade nos valores dos atuais adolescentes, tais como “Do Leme ao Pontal”(Tim Maia), “Infinita Highway”(Engenheiros do Hawaii), além de 3 canções da Legião Urbana: “Pais e Filhos”, “Quase Sem Querer” e a canção que dá nome ao espetáculo “Meninos e Meninas”. A trilha sonora é bastante eclética, com lugar para clássicos internacionais como “All My Loving”(Beatles) e “The Time of My Life”(do filme Dirty Dancing) e com temas atuais como Kate Perry com “Firework”. Todas as músicas apresentadas são cantadas e tocadas ao vivo pelo elenco, sem nenhum tipo de play-back(que infelizmente tem sido muito utilizados nos espetáculos teatrais) através de uma eficientíssima direção musical assinada por Juliana Veronezi, preparação vocal de Claudia Sampaio e coreografias de Anna Magdalena.

Apesar do espetáculo abordar temas ligados ao universo adolescente, mesmo para mim que saí dessa fase há quase 30 anos, foi possível me identificar com os problemas, assuntos, comportamentos e angústias que separam nossas gerações e concluir que apesar de 3 décadas terem se passado, mudaram as estações, mas na essência nada mudou. A peça é um retrato da geração denominada como Y, aquela já nascida sob o pleno avanço da era tecnológica. Foi possível para mim enxergar os mesmos dilemas existenciais da minha geração, aquela conhecida como X, que nasceu num mundo muito diferente e que foi pega no meio do processo dessa revolução tecnológica, tendo que correr atrás do conhecimento para não ficar precocemente obsoleta.

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Fazendo uma observação do ponto estritamente pessoal, não tive como não dar boas risadas com a cena criada pelos diretores em que os adolescentes debochavam de suas mães numa recriação de “Não Se Reprima”, sucesso estrondoso dos anos 80 com os Menudos e que levava às adolescentes de 30 anos atrás aos atos da mais absurda histeria. Quantas vezes, caro leitor,  mendiguei um pouco da atenção dessas, que hoje são mães, em meio às suas paixões desenfreadas por aqueles patéticos porto-riquenhos.

Meninos e Meninas” acaba por demonstrar que o tão propalado choque de gerações, lá no fundo não é um abismo assim tão grande de se transpor. Os adolescentes vibram e se emocionam visivelmente com o espetáculo, mas mesmo quem já tiver passado dessa fase da vida, pode rir e ver em cena aquele adolescente que um dia existiu dentro de si.

Não resta dúvida, com “Meninos e Meninas” estamos diante de um espetáculo que tem todo o potencial para se transformar numa febre entre o público adolescente.

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* Fotos de divulgação.

Serviço
Musical adolescente “Meninos e Meninas”.
Texto e Direção: Afra Gomes e Leandro Goulart.
Realização: Atores In Cena Produções e Oficina Dos Atores.
Teatro das Artes. Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro – RJ (21) 2540.6004.
Capacidade: 418 lugares. Bilheteria aberta a partir das 15:00. Classificação: 14 anos.
Sábados e domingos. Sábados, às 18h e domingos, às 17h.
Valor: R$ 60,00 (inteira).
Duração: 70 min.

TEXTO E DIREÇÃO: AFRA GOMES E LEANDRO GOULART
DIREÇÃO MUSICAL: JULIANA VERONEZI
ELENCO: Bruna Griphão, Eduardo Melo, Anna Rita Cerqueira, Lucca Diniz, João Côrtes, Lucas Cotrim, Bruna Natali, Francciny Castro, Ingrid Klug, Luã Bregeron, Lucas Corsino. Lucas Vargas, Luiza Lapa, Matheus Tederiche, Nicolas Prattes, Vittoria Vianna, Wesley Cordeiro e Yasmin Candido
COLABORAÇÃO COM O TEXTO “OS LÍRIOS” DE INGRID KLUG
PREPARAÇÃO VOCAL: CLAUDIA SAMPAIO
FIGURINOS: CLARA MAGDALENA
CENÁRIO: AFRA GOMES E LEANDRO GOULART
RÉPÉTITEUR: LUÃ BREGERON
ILUMINAÇÃO: FRED EÇA
SOUND DESIGN: ANDRÉ BREDA
MICROFONISTA: FELIPE BRENHA
SONORIZAÇÃO: LÉO MAIA
OPERAÇÃO DE LUZ: MARCELO ANDRADE
CONTRARREGRAGEM: GABRIELL PAES E RAFAEL CREPE
FOTOS EXTRAS: CESAR FRANÇA, GISELA SIQUEIRA, MARILENE CANDIDO E RICARDO JUAREZ
FOTOS: NETO FERNANDEZ
DESIGN GRÁFICO: DIEGO CAMPOS
MARKETING CULTURAL: URSULLA ENNES
MÍDIAS SOCIAIS: ANNE SCARCELLI
ASSESSORIA DE IMPRENSA: TIBERIUS DRUMOND
ASS. PRODUÇÃO: JOÃO CARLOS CID E VANESSA QUERCIA
PRODUÇÃO EXECUTIVA: RENATA AMORIM
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: JOÃO JUNIOR
DIREÇÃO DE MOVIMENTO E COREOGRAFIA: ANNA MAGDALENA
REALIZAÇÃO: ATORES IN CENA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS E OFICINA DOS ATORES
DIREÇÃO GERAL: AFRA GOMES E LEANDRO GOULART


Palpites para este texto:

  1. Lucca Diniz é ótimo !!!

  2. Luã Bregeron é ótimo como ator e como cantor. Já o conhecia dos musicais de Florianópolis e devo dizer que esse menino não para de me surpreender.

  3. alberto myranda -

    Adorei texto direcao,atores,como,assisti,tb,garotos muitoboas parabens todos

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