Meus 10 Melhores Filmes Brasileiros


 

Fazer uma lista com os 10 melhores filmes brasileiros é algo temeroso, sempre aparece alguém para rechaçar categoricamente e desqualificar a seleção. Por tanto esclareço, a lista abaixo não é dos “10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos”, a lista é dos “MEUS 10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos”, refletindo somente minha opinião e gosto pessoal. Mas nada impede que o caro leitor deste post queira manifestar igualmente suas opiniões e gostos, será muito bem-vindo.

Lógico que um cinéfilo mais atento vai estranhar e estrilar com algumas ausências, como um Glauber Rocha, um Joaquim Pedro de Andrade, um Mario Peixoto. Terá ele razão em sua indignação. Mas quanto a Glauber, por exemplo, deixo claro que o adoro. Não perco nenhuma entrevista sua que passe em algum programa de arquivo, documentários e outras coisas do gênero, uma figura por quem tenho enorme fascinação e fico hipnotizado vendo-o falar, porém tenho um pequeno probleminha quando vejo seus filmes, me dão um soninho!!!! Será que sou um ser horrível por isso?

Então vamos à minha relação em ordem decrescente:
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10º) Lugar: ASSALTO AO TREM PAGADOR – 1962
Direção: Roberto Farias

Roberto Farias é um diretor um tanto estigmatizado pelos cinéfilos, talvez porque tenha começado na chanchada e mais tarde dirigido até filme dos Trapalhões. Mas trata-se de uma das pessoas que melhor conhece e entende cinema no Brasil em todos os seus aspectos da produção à política cinematográfica. “Assalto ao Trem Pagador” tem uma direção impecável, uma trilha sonora de Remo Usai pioneira e uma atuação primorosa. Um filmaço!


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9º) Lugar: DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS – 1976
Direção: Bruno Barreto

Bruno Barreto me intriga, fez essa adaptação magistral do livro de Jorge Amado(o que por si só é uma tarefa hercúlea), parecendo se tratar de um diretor absolutamente maduro quando  na verdade tinha apenas incríveis 18 anos e logo depois dirigiu outro filme excelente, “A Estrela Sobe”. Mas para Bruno podemos usar de forma contrária aquele velho chavão sobre os vinhos, parece que piora com o tempo. Poucos filmes posteriores seus foram satisfatórios, parece que o fantasma do avassalador sucesso de “Dona Flor” o perseguiu pelo resto de sua carreira e fazendo do diretor um obcecado pelo sucesso fácil e a qualquer preço.


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8º) Lugar: O PAGADOR DE PROMESSAS – 1962
Direção: Anselmo Duarte

Poucos artistas foram tão estigmatizados e mal tratados como Anselmo Duarte. Talvez, a exemplo de Roberto Farias, por ter passado pela chanchada, assim como igualmente passou pela Vera Cruz. Mesmo após ter ganho simplesmente a Palma de Ouro em Cannes por esse filme, jamais se livrou das críticas impiedosas e das maledicências do meio. Talvez seu temperamento brigão e um certo ar turrão tenha contribuído. Mas “O Pagador de Promessas” é um dos mais bem realizados filmes já feitos no Brasil.


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7º) Lugar: BYE BYE BRASIL – 1979
Direção: Cacá Diegues

Considero “Bye Bye Brasil” um filme precursor de um novo Brasil que surgia, com a expansão da televisão, com o milagre econômico, com as estradas que iam sendo desbravadas pelo país afora, num Brasil que cada vez mais se comunicava e unificava. Cacá captou isso como ninguém até hoje conseguiu. Gosto muito de ver Cacá falar de cinema, de ver como pensa o Brasil, gosto de seus textos, mas tenho muitas reticencias aos seus filmes, acho que possuem muitos problemas de roteiro, não o considero um bom diretor de atores e acho que escolhe mal seus elencos. Mas isso não se aplica com “Bye Bye Brasil”, praticamente um precursor do “tecno-brega”.


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6º) Lugar: VIDAS SECAS – 1963
Direção: Nelson Pereira dos Santos

Juntamente com “Deus e o Diabo na Terra do Sol” foi o grande pontapé inicial do Cinema Novo durante aquele Festival de Cannes em 1963. Se Nelson Pereira dos Santos sempre falhou em suas adaptações de Jorge Amado ou mesmo Guimarães Rosa, levou Graciliano Ramos para as telas de maneira genial, seja neste filme, seja em outro filme que realizou posteriormente: “Memórias do Cárcere”.  Um filme revolucionário, utilizando-se de luz natural, sem artificialismos, atores amadores(exceção de Átila Iório) e fotografia brilhante de Luiz Carlos Barreto.


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5º) Lugar: SÃO PAULO S.A. – 1965
Direção: Luís Sérgio Person

Brasil, década de 60, ainda sob a rápida política desenvolvimentista do Brasil pós Juscelino, aonde o indivíduo nada mais é do que uma engrenagem da grande máquina que não pode deixar de rodar permanentemente. Person captou esse momento de forma aguda, tensa e angustiada, aonde colocou todo seu incontestável talento e conhecimento teórico para fazer esse maravilhoso filme sobre a opressão do ser humano diante da pressão da sociedade. Atuação genial de Walmor Chagas.


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4º) Lugar: MEMÓRIAS DO CÁRCERE – 1984
Direção: Nelson Pereira dos Santos

Uma das melhores atuações de um ator no cinema brasileiro, Carlos Vereza dá a sensação que incorpora Graciliano Ramos. Tenho também uma relação afetiva com o filme. Meu pai tinha seu escritório porta-a-porta com a produtora de Nelson Pereira dos Santos, recordo-me, ainda bem moleque, de Nelson na sala do meu pai planejando, relatando o projeto, as dificuldades para o financiamento e ainda na moviola montando o filme. Nem imaginava que estava testemunhando o nascimento de um filme clássico.


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3º) Lugar: RIO ZONA NORTE – 1957
Direção: Nelson Pereira dos Santos –

Esse filme é pura poesia, totalmente influenciado pelo neorealismo em sua fase pré-Cinema Novo Nelson descreve com total sensibilidade as agruras daquela gente humilde buscando uma vida mais digna, sambistas talentosos e explorados dos subúrbios cariocas. A última cena com Grande Otelo batucando “malvadeza Durão”na porta do vagão do trem antes da tragédia final é uma das mais lindas e tocantes do cinema nacional.


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2º) Lugar: LAVOURA ARCAICA – 2001
Direção: Luiz Fernando Carvalho

Quando li que Luiz Fernando Carvalho ia adaptar esse maravilhoso livro de Raduan Nassar fiquei imaginando como o faria, achava o livro inadaptável. Luiz Fernando fez um filme absolutamente fiel e não fez nenhuma concessão nas suas 4 horas de duração, para desespero do seu produtor Walter Salles. O resultado foi um filme antológico, radical e corajoso, atores atuando em estado pleno, quase em catarse, em que cada palavra dita de seus lábios tem o peso e a precisão perfeita, uma direção de atores exuberante que levou seus atores ao limite máximo e uma fotografia magistral de Walter Carvalho.


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1º) Lugar: RIO 40 GRAUS – 1955
Direção: Nelson Pereira dos Santos

Puro neorrealismo. Sem esse filme, o Cinema Novo seria o que foi? Pela primeira vez o povo via seu espelho no cinema nacional, pela primeira vez se via a favela como ela realmente era. A cultura popular tão renegada palas elites intelectuais finalmente se mostrava na tela. Quebrando os paradigmas de então, como nos draminhas artificiais da Vera Cruz, “Rio 40 Graus” foi filmado de modo quase documental, com uma câmera ágil Nelson vai seguindo seus pequenos protagonistas, com suas angústias, dificuldades e tensões por alguns dos lugares mais pitorescos do Rio de Janeiro e sem dar lugar para concessões à fantasia, a não ser quando o samba adentra o morro se afirmando “Eu sou o samba/A voz do morro sou eu mesmo sim senhor/Quero mostrar ao mundo que tenho valor/Eu sou o rei dos terreiros/Eu sou o samba sou natural aqui do Rio de Janeiro/Sou eu quem leva a alegria para milhões/De corações Brasileiros.

Obs: Como infelizmente não foi possível incorporar nenhuma cena de “Rio 40 Graus” nesse post, estou incorporando um entrevista(em 2 partes) do Nelson Pereira dos Santos falando de sua obra.



Palpites para este texto:

  1. Carlos Arthur Newlands Junior -

    Não assisti a todos os listados, mas os que eu vi também estariam na minha lista. Só realmente discordo da exclusão do Glauber Rocha: Tudo bem , “Cabezas Cortadas” é um pé no saco e eu não vi “Di” , mas “Terra em Transe” é magnífico! Outra omissão que senti foi do cinema brasileiro pós Embrafilme: Waltinho Sales, adorei “Central do Brasil”, e “Cidade de Deus” é um filmaço

  2. Pois é Carlos, fazer lista tem dessas coisas. Do Waltinho eu cortei na última hora e com dor no coração o “Terra Estrangeira”, que eu acho um filmaço(gosto mais que “Central do Brasil”). Pós Embrafilme eu coloquei o “Lavoura Arcaica”, filme que eu amo. Dos filmes do Glauber eu até gosto do “Deus e o Diabo”, e reconheço o gênio dele, mas eu tenho mais fascinação pela figura do Glauber do que pelos seus filmes. No dia que eu vi “A Idade da Terra” me senti tão burro, não entendi nada hehehe Mas ainda deixei de fora Mario Peixoto, Joaquim Pedro, Ruy Guerra. Fazer lista é cortar.

  3. 1. Vidas Secas
    2. São Paulo S.A
    3. Rio Zona Norte
    4. Rio 40 GRAUS
    5. O Pagador de Promessas
    6. Cidade de Deus
    7. Terra Estrangeira
    8. Central do Brasil
    9. Cabra Marcado Para Morrer
    10. Dona Flor

  4. Sua lista, Adriana é mais ou menos como a minha. Se eu fizesse dos 15/16 melhores filmes, provavelmente todos os seus estariam na minha lista.

  5. Você não sentiu vontade de incluir em sua lista o ótimo “Pixote – a lei do mais fraco” ? O desempenho fabuloso da Marília Pera é coisa que não se esquece.

    • Olá Moreno, bem-vindo! Fazer listas tem dessas coisas, dói muito na hora do corte final. Cheguei numa lista de 15 e tive que eliminar 5. Gosto muito de 2 filmes do Babenco especificamente que ficaram nessa lista de 15: “Pixote” e “Lucio Flavio, o passageiro da Agonia”, que acho 2 filmaços. Senti vontade sim, mas tive que fazer a opção final.
      Abração

      • Obrigado pelo comentário. Pois é… é tentador fazer listas e às vezes elas próprias se voltam contra nós, como a criatura de Frankenstein se voltando contra o criador. Inevitavelmente seremos um pouco injustos quando tentamos “fechar” uma lista em 10, 100 ou até 1000 itens.

        Na verdade, minha resposta não foi uma crítica a sua lista (muito pelo contrário)e sim porque eu também queria ler o título do filme do Babenco nesta página (nem que fosse escrito por mim RSRSRS).

        Felicidades.

        • Sem problemas, Moreno(hehehe). “Pixote” merece sempre um registro. Fique tranquilo porque não entendi como crítica, e mesmo se fosse crítica não haveria problema.

          Fazer lista é muito complicado, mas ao mesmo tempo muito tentador, mesmo sabendo que ninguém concordará contigo, até porque elas refletem opiniões pessoais. Mas adoro fazê-las.

          Abração

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