Crítica: Movie Stars


 

No momento que me dirigia para assistir “Movie Stars” no teatro, me dei conta de que estávamos apenas em maio e coincidentemente já era a 3ª vez só nesse ano que assistia a algum espetáculo com a presença de Alessandra Verney. Já havia assistido sua participação em “Formidable” e principalmente em “Beatles num Céu com Diamantes”. Se fosse a 10ª vez, não teria problema, assistir Alessandra cantando em cima de um palco é sempre um enorme prazer. Dessa vez dividia o palco com Gottsha, sua companheira de outras empreitadas pelo mundo dos musicais.

“Movie Stars” não é inédito, já foi apresentado anteriormente em 2005 no Teatro Rival. Dessa vez o palco é outro, o Theatro Net Rio, mais conhecido em outros tempos como Teatro Tereza Raquel. É um grande presente para nós cariocas termos novamente esse espaço tradicional das artes cênicas cariocas, lindo, todo reformado, que estava sendo utilizado nos últimos anos como Igreja Evangélica. Depois de passar meus últimos anos assistindo teatro no circuito Gávea-Leblon, ao entrar no Theatro Net Rio dá aquela sensação de “isso sim é um teatro”.

Nesse espetáculo, Alessandra e Gottsha interpretam grandes canções do cinema nacional e internacional. Pela riqueza infindável do repertório disponível fico imaginando o sofrimento da dupla e da diretora musical Liliane Secco para selecionar o repertório. Quantas músicas maravilhosas não tiveram que ser cortadas para chegarem à seleção final.  Seleção esta, bem equilibrada, viajando pelas mais diversas fases do cinema.

Acompanhadas por um competente trio formado por Tony Lucchesi(piano), Omar Cavalheiro(Contra-baixo acústico e elétrico) e Affonso Netto(bateiria), todos trajados de tons pretos, inclusive as cantoras, num cenário simples e com fundo da mesma cor, Alessandra e Gottsha desfilam durante 1 hora e 20  minutos graça, talento e bom humor, encantando o público com inesquecíveis canções da 7ª arte. Desde Cole Porter, passando pela época de ouro de Hollywood como “Diamonds Are A Girls Best Friends”, incluindo passagens pelos desenhos da Disney como “Rei Leão” e “Mogli”. Entre os grandes momentos, responsáveis por levar ao delírio o público que lotava o Terezão, estava a sequência das trilhas de Roberto Carlos e de alguns filmes da década de 80 como “Fame”, “Flashdance” e “Xanadu”. Lógico que também não podia faltar o tema dos Bee Gees para “Os Embalos de Sábado à Noite” e aquela canção de Burt Bacharach que não consegue deixar ninguém indiferente “I Say a Little Prayer For You”.

O sublime também se fez presente quando ouvimos os primeiros acordes da trilha incidental de “Central do Brasil” emendando com “Pecado Original”, canção de Caetano Veloso para “Dama do Lotação”. Outro momento impossível não destacar, talvez o maior artisticamente falando, começa com a introdução da linda canção de Michel Legrand para “Verão de 42” imediatamente atacada por Alessandra cantando “Manhã de Carnaval” e simultaneamente, de maneira sutil (quase desapercebidamente), Gottsha entra com “My Funny Valentine””.

Durante essa temporada, a cada semana Alessandra e Gottscha contam com 1 convidado por espetáculo, são eles Claudio Botelho, Leo Jaime, Márcio Gomes, Alexandre Nero, Emílio Santiago e Miguel Falabella. Na sessão que presenciei o convidado era Leo Jaime. Fiquei aguardando ansiosamente que ele começasse a cantarolar “quem sou/quem é você/nessa história não sei dizer…”, mas a música tema de “Rock Estrela” não fazia parte de sua apresentação.

No palco, Gottscha e Alessandra formam uma dupla afiada. Gottsha, no que parecia um improviso, definiu bem a personalidade de ambas “Eu sou a bagunceira enquanto Alessandra é fina”! Gottsha demonstra isso, parecendo sempre muito à vontade, dando a impressão de sempre querer sair do roteiro. Esses aparentes momentos de improviso ajudaram a quebrar o gelo da plateia que no início parecia um pouco solene.

Mas no fim, “Movie Stars” concede aos espectadores momentos de rara felicidade. Aplaudidas de pé ao final e com o publico ao seus pés, ainda fui obrigado a ouvir de uma mala atrás de mim: “Não reconheci nenhuma música”. Ao que sua companheira replicou, “Ué? Nem ‘Singing in the Rain”?


Palpites para este texto:

  1. Alessandra Verney -

    Oi Renato. Acabei de ler e adorei, muitíssimo obrigada! Uma delícia ler esse texto, parabéns! Muito bacana seu site. Vou compartilhar aqui! Só tem uma correçãozinha, caso vc queira fazê-la. A música que a Gottsha canta junto com Manhã de Carnaval é My Funny Valentine. Obrigada pela atenção, estaremos em contato! Vou repassar à Gottsha tb. Ri muito ao final do texto, tinha que ter um “mala”… rsrs Tudo de melhor pra vc.

  2. Alessandra. Te agradeço pela correção, já consertei. Fico feliz que você gostou. Obrigado pela sua atenção

  3. Aquela de “Central do Brasil” é linda.

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