Crítica: My Way – O Mito Além da Música


 

My Way – O Mito Além da Música” é um filme ruim, mas eu adorei! Essa sentença é paradoxal, mas a cinebiografia do cantor e compositor francês Claude François é tão enigmática quanto o artista retratado. Analisando academicamente, o filme é ruim. Vendo com o coração, o filme pode até ser fascinante.

Claude François é um dos campeões do hit parede do meu youtube. Uma figura que me deixa hipnotizado diante do computador vendo os números musicais daquele sujeito baixinho, com disfarçados saltos sob os sapatos, vestindo roupas brilhantes, calça boca de sino, dando seus passinho ridículos e cercado por suas Claudettes(dançarinas que o acompanhavam). Uma figura bizarra, mas ao mesmo não consigo tirar o olho dele.

Dirigido por Florent-Emilio Siri, sua estrutura é bem careta, com um roteiro todo explicadinho. Narra de forma cronológica toda a sua vida e ascensão ao estrelato, mas tem a virtude de não ser chapa-branca. Mostra além de números musicais, seu temperamento explosivo, sua ambição desmedida, seu ciúme doentio e possessivo, seu gigantesco ego, perfeccionismo, manias, a luta para se manter permanentemente no topo do sucesso, a autopromoção permanente, a falta de escrúpulos e o “processo de imbecilização” que desenvolve. O roteiro vai explicando tudo bem direitinho, até o auge de sua carreira quando teve sua canção “Comme d’Habitude” vertida para o inglês, “My Way” e gravada por Frank Sinatra. Tem o cuidado de não deixar nenhuma lacuna para o espectador e mesmo quem não é lá muito afeito ao star-system francês vai reconhecer(ou pelo menos entender) quem era e que papel desenrolou na vida de Claude François, nomes como France Gall(com quem teve um romance, fato que eu desconhecia), Gilbert Bécaud, Edy Mitchell e Johnny Halliday.

Quanto a Johnny Halliday, é interessante observar a obsessão que Claude François desenvolve com a gigantesca notoriedade que ele possui. Notoriedade que para mim é um dos maiores mistérios da música francesa. Acho Johnny tão vazio quanto François.  Na França é tão idolatrado quanto, por exemplo, um Roberto Carlos é no Brasil.

O trabalho de composição de Jérémie Renier é perfeito, vivendo todas as idiossincrasias do seu personagem. Inclusive, fisicamente, está muito parecido com Claude. O filme tem quase 150 minutos, mas poderia perfeitamente ter pelos menos uns 30/40 minutos a menos, isso se deve pelo excesso de informações e situações desnecessárias e que nada acrescentam a produção. O título, que no original se chama apenas “My Way”, ganhou na versão brasileira o complemento “O Mito Além da Música”. Complemento cafona, bem ao estilo de Claude François.

Sim, o filme é ruim, mas apesar de todas as ponderações e restrições acima eu ficaria mais tempo no cinema vendo esse filme. Claude François, definitivamente, me fascina.


Palpites para este texto:

  1. eu também gostei do filme apesar de ser ruim…rsss

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