Na Estrada


 

Cotação: Muito Bom.

Nova York, década de 40, após a morte do pai, Sal Paradise(Sam Riley), um jovem aspirante a escritor tem a vida sacudida ao conhecer Dean Moriarty(Garrett Herdlund), um jovem já possuidor de uma ficha penal, com uma moral muito particular, dono de um espirito contagiante e libertário, que desvenda ao jovem Sal todo um mundo de novas possibilidades emocionais e sensoriais, repleta de liberdade, sexo e drogas. Com a companhia da namorada de Dean, Marilou(Kristen Stewart), o trio viaja pelo interior dos Estados Unidos à procura da última fronteira e de si mesmos, sempre abertos a novas experiências, deixando para trás seus mundinhos ordinários. Após longas e infrutíferas tentativas de inúmeros cineastas e produtores, Walter Salles conseguiu levar para as telas a adaptação do clássico e cultuado “On the Road”, o romance de Jack Kerouac responsável por lançar as bases do movimento beat, que influenciou gerações de intelectuais e artistas nas décadas seguintes.

Ao assistir a “Na Estrada” acabei concordando com o artigo que o filósofo francês Bernard-Henri Levy escreveu sobre o filme em sua coluna no “Le Point”: “ “…mais un Walter Salles que l’on n’avait jamais vu si maître de son art...”, traduzindo: “um Walter Salles mestre de sua arte como jamais havíamos visto”. Talvez não seja seu melhor filme, mas é onde realmente demonstra ser um “mestre de sua arte”, exercendo-a  maneira plena, optando por uma decupagem livre, com uma câmera que acompanha bem de perto seus personagens e sempre postada para captar as emoções que afloram dos rostos dos seus protagonistas, sob a luz natural da exuberante paisagem de um Estados Unidos por vezes até selvagem e virgem, que acabam por contribuir para a construção de uma viagem que parte para  todas as direções físicas, mentais e sensoriais, sempre ritmadas pelo jazz, pela benzedrina e por muito sexo. Um sexo com excesso, sem culpas e sem pudores.

Por mais redundante que possa parecer, o mais importante protagonista do filme é a própria estrada, com a infinita paisagem do interior de um país que não existe mais, Denver, Minesota, Dakota, Mississipi, o país vai se revelando longe do cosmopolitismo de Nova York e absorvido pelo trio de personagens. Esse trio, Riley, Herdlund e Stewart, parece realmente estar vivendo com intensidade infinita e emoção à flor da pele as experiências vividas dos seus respectivos personagens. Riley em meio a tal turbilhão emocional consegue dar um ar reflexivo e discretamente melancólico ao seu personagem que é o fio condutor(o alter-ego de Kerouac), um jovem no fundo careta e conservador que mergulha de cabeça nesse universo alucinado. Kristen Stewart, de quem sempre me falaram cobras e lagartos e que pouco conhecia, transborda sensualidade e sexo da sua ninfeta Marilou.

Tecnicamente perfeito, Salles se fez acompanhar de vários companheiros de viagem de “Diários de Motocicleta”, Gustavo Santaolalla fez uma trilha sonora impecável e mais uma vez a fotografia do francês Eric Gaultier é genial, utilizando-se com precisão da saturação das cores para revelar esse “pequeno” país escondido dentro do grande País.

Demorei um pouco para engrenar no filme, talvez por não ter lido o livro e ter necessitado de algum tempo para decodificar esse universo. Mas a partir do momento em que consegui absorvê-lo pude mergulhar de cabeça na viagem proposta. Mas é bom alertar que não é um filme que agradará a todos, quem não conseguir embarcar na trip tenderá a achar o filme bem chatinho.


Palpites para este texto:

  1. adorei a crítica! vou ver se assisto!

  2. Acho que vale a pena ver, mas não é um filme que agrada todo mundo. A Adriana não gostou.

  3. Tendo o garrett no filme já me agrada muuito! hahahahha

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