Nos Bastidores do Teatro Infantil – Série de Entrevistas: 1.Anderson Oliveira


 

 Hoje começamos uma nova série de entrevistas no Botequim Cultural, “Nos Bastidores do Teatro Infantil“, aonde traremos nomes que vem se destacando nesse universo. São atores, diretores, autores, enfim, todos aqueles que dedicam grande parte de sua vida profissional no entretenimento, na educação e na formação dos nossos filhos.

O 1º entrevistado de nossa série é Anderson Oliveira. Ator, diretor, produtor e dramaturgo. Responsável pela montagem de alguns dos mais interessantes espetáculos infantis em cartaz no Rio de Janeiro. Em 2013 apresentou “João e Maria“, “O Rapto do Papai Noel” e “A Princesa e o Sapo“(ainda em cartaz). Anderson agora está preparando  mais um espetáculo infantil: “Os Músicos de Bremen“.

O Elenco de "A Princesa e o Sapo recebe o Prêmio Botequim Cultural

Anderson Oliveira gentilmente cedeu seu precioso tempo, afinal o homem não para, para conversar com o Botequim Cultural sobre teatro infantil


BC
: – Qual a grande dificuldade para viabilizar um projeto de peça infantil?
AO: – As mesmas de qualquer projeto de teatro. Os maior dificuldade, ainda é o patrocínio e o fato de ser tão difícil fazer sem ele.
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BC: – Quando você procura viabilizar um projeto, existe uma maior aceitação por adaptações de contos de fada em detrimento de roteiros originais? Ou é indiferente, depende mesmo da qualidade do projeto?
AO: -Eu acredito que depende do qualidade do projeto e principalmente da forma que você aborda. Se for interessante a criança ela vai curtir.
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BC: – O fato de você ter sua própria companhia é fundamental para você estruturar suas ideias e projetos?
AO: – Facilita muito, pois todo o nosso grupo opina nas montagens, todos agregam ideias para definir conceito, roteiro tudo. O resultado tem sido muito bom. O fato de sermos todos sócios do projeto deixa tudo mais viável. Se der certo, todo mundo ganha, se não der certo seguimos em frente.
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BC: – E dentro do teatro, qual a grande dificuldade em montar um espetáculo infantil? Existe uma preocupação na montagem dos cenários para não atrapalhar a cenografia do espetáculo principal da noite?
AO: – Esse é o maior problema, o espaço físico dos teatros para guardar material, que em sua maioria está destinado aos espetáculos do horário nobre. Isso é sempre um problema, pois temos que pensar, além do conceito da peça, que os cenários devem ser  práticos, fáceis e rápidos de guardar.
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BC: – Observo que existe muita rotatividade nos elencos de muitas peças infantis. Elas estreiam com o elenco bonitinho, todo certinho, mas você volta 2 meses depois e ele está todo modificado, com atores mudando de papeis, mesmo sem ter o “physique du rôle” adequado. Não noto essa rotatividade nas suas peças. Como você faz para manter seu elenco do início ao fim da temporada?
AO: – Como disse somos como uma família. Trabalhamos juntos há sete anos e nós pensamos juntos em cada espetáculo, em cada temporada. Quando há uma substituição, o que é muito raro,  é feito por alguém do mesmo grupo.
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BC: – Um dos aspectos mais encantadores dos seus espetáculos é como você “brinca” com a escolha das músicas. Em “A Princesa e o Sapo” você foi do clássico ao brega da canção nordestina(de Geraldo Azevedo a Aviões do Forró). Em “O Rapto do Papai Noel” você se utilizou de “Noite Feliz” até Assis Valente (“Boas Festas”). Agora em “Os Músicos de Bremen” você está trabalhando em cima do repertório de Chico Buarque e Milton Nascimento. Qual o seu critério na escolha do repertório e como você trabalha na criação dos arranjos vocais com os atores?
AO: – A escolha das músicas é feita sempre por mim e pelo Domingos Santana. Escolhemos primeiro o compositor, depois procuramos músicas que nos ajudam a contar a história. Eu termino de contextualizar. Nos músicos de Bremen os arranjos estão sendo feito pelo Dalton Coelho que está fazendo um trabalho bem mais elaborado do que o apresentado na “Princesa” e no “Rapto”. Também temos músicas autorais como no caso do Pinocchio que esteve em cartaz em 2011 e 2012. Daí as músicas foram compostas por mim, pelo Jardel Muniz e pelo Luiz Lopes, sempre com os pitacos do Domingos.(rs)
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BC: – Em algumas peças você procurou trazer o universo clássico para uma realidade brasileira. É um preocupação sua essa contextualização?
AO: – Acho engraçado tentar pensar como seria o ponto de vista da criança de hoje, em relação as histórias, como no “Rapto” que as crianças vão ao polo norte de avião e pagam com o cartão de crédito do pai. Na “Princesa“, a mocinha não beija o sapo para cumprir um acordo, como no original…mas ela é levada a isso quando eles fazem as pazes depois de uma briga. A situação é de um beijo que parte da ingenuidade.
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BC: – Seu próximo projeto, “Os Músicos de Bremen” parece ser um projeto bem ambicioso e interessante, fale um pouco sobre ele.
AO: – O ponto de partida foi a história alemã do animais cantores, que aqui foram transformados em quatro pessoas que vivem numa fazenda no interior de Minas Gerais, sob os maus tratos de um barão, e resolvem seguir seu caminho em busca da felicidade. No meio da aventura eles vão descobrindo que tem um enorme potencial e que juntos fazem uma enorme diferença. O legal do espetáculo são as referências .O espetáculo se passa em algo por volta dos anos 20 aos 40 e os nossos protagonistas chegam até a semana de arte de São Paulo, onde finalmente ficam famosos.  A peça é narrada por dois contadores de causos que exageram os fatos e contam passagens fantásticas como do barão que pegava fogo de raiva, da menina que morria de amor, dos namorados que faziam chover flores e por ai vai.
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BC: – Como você explica o êxito da sua montagem de “A Princesa e o Sapo” e a empatia que essa peça desperta no público?
AO: – A Princesa e o Sapo foi uma ideia simples e, talvez, pela simplicidade, ela tenha agradado tanto. Os tecidos de chitas, as músicas brasileiras, a princesa fora do padrão… Os elementos juntos viraram uma história romântica e divertida que agradou adultos e crianças. As músicas ajudam, pois está na memória dos pais, que cantam junto e se emocionam. Acho que a peça virou um programa para a família onde os adultos e as crianças se divertem igualmente.

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BC: – É possível se viver de teatro infantil?
AO: – É muito difícil viver de teatro, tanto adulto quanto infantil. Você tem que amar demais o seu trabalho. Eu vivo de teatro desde sempre e sou um apaixonado. Estou em cartaz atualmente com três espetáculos ao mesmo tempo, e mais os projetos em shoppings como no Barra World ( Recreio), no Barra Garden ( Barra), no Parque Shopping ( Campo Grande) e no Via Parque ( Barra), onde apresento programação teatral infantil durante todo o ano. Tudo isso dá um trabalho enorme, mas eu amo.
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BC: – Você é feliz fazendo teatro infantil?
AO: – Nossa! Muito feliz!


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