Nos Bastidores do Teatro Infantil – Série de Entrevistas: 11.Marcela Dias


 

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Por Renato Mello.

3 - Marcela Dias 2Nem bem saiu de “O Mágico de Oz” e Marcela Dias já está com uma nova produção em cartaz, o infantil “A Rainha da Neve“. Assim é Marcela, uma das atrizes de teatro infantil mais requisitadas da atualidade e também uma das mais talentosas.

Confesso que me tornei um grande admirador do trabalho de Marcela Dias e a convidei para ser a 11ª entrevistada da nossa coluna “Nos Bastidores do Teatro Infantil“. Entre mil atividades que faz ao mesmo tempo, Marcela conseguiu um tempo para responder nossas perguntas. Deixo aqui meu profundo agradecimento.

Quem quiser conhecer melhor seu trabalho pode assisti-la no Teatro dos Quatro, aonde está interpretando a Senhora do Verão, no espetáculo infantil “A Rainha da Neve“, com direção de Leandro Mariz e Sabrina Korgut.

A seguir a entrevista que nos foi concedida por Marcela Dias:

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BC: – Você acabou de terminar sua participação no espetáculo “O Mágico de Oz” e já está  em um novo projeto, “A Rainha da Neve”. Por que essa sua opção pelo teatro infantil?
MD: – Nem sei se diria que é uma “opção” sabe. Eu sou atriz e amo fazer teatro. As coisas foram acontecendo de modo que eu tenho trabalhado para o público infantil quase que ininterruptamente desde 2012. E eu AMO trabalhar para crianças também. Então acho que juntei o útil ao agradável, estou exercendo a minha profissão e me deliciando em trabalhar para os pequenos. Sou realmente fã do universo lúdico das crianças. E acredito que nada é por acaso, a gente acaba atraindo o que nos pertence, então acho que o teatro infantil é realmente a “minha praia”.

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BC: – Seu novo projeto, “A Rainha da Neve”, uma história de Hans Christian Andersen, com direção de Leandro Mariz e Sabrina Korgut e você interpreta a Senhora do Verão.  Quais são suas expectativas com esse espetáculo? Como foram os ensaios e a preparação?
MD: – A expectativa é sempre de se fazer um trabalho de qualidade, que seja bonito esteticamente e com conteúdo. Os ensaios estavam a todo o vapor e é sempre emocionante formar uma nova “família”. Esse mês que antecede a estreia estava sendo uma loucura deliciosa com ensaios quase todos os dias e muito estudo. Por causa deles estou te entregando essa entrevista respondida no final de semana da estreia! Mil desculpas rs!

11 - image1Marcela Dias e Francine Flach nos ensaios de “A Rainha da Neve”

BC: – Fale um pouco sobre a Senhora do Verão. Quem é essa personagem? O que ela está exigindo de você?
MD: – A Senhora do Verão no conto original é apenas uma mulher solitária que deseja ter companhia. Mas nessa releitura, ela entra como contraponto da Rainha da Neve. As duas são irmãs, porém uma controla o frio e a outra o calor. E isso influi diretamente na personalidade das duas. A senhora do verão tem energia de sobra e às vezes nem ela mesma sabe como lidar com tanta emoção. Ela é impulsiva, fala muito e é muito transparente com seus sentimentos. Ela pode parecer meio doidinha, mas no fundo ela apenas quer amar e ser amada. Ela está me exigindo um timing e um trabalho corporal muito específico que a Sabrina e o Leandro me pediram. Até ficar orgânico eu tenho que prestar atenção o tempo todo nos meus movimentos, já que a Senhora do Verão deve parecer um desenho animado.

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BC: – Como você avalia sua experiência em “O Mágico de Oz”? O que você leva dessa temporada no Teatro Vanucci?
MD: – Eu amo O Mágico de Oz! A bruxa má foi um presente! Eu tenho um prazer enorme em ter feito parte desse elenco. E foi muito legal o processo de criar a bruxa, de entender o caminho dela ao longo da peça… Cada trabalho é um aprendizado enorme e eu levo lembranças incríveis dessa temporada no Teatro Vannucci, tanto dentro como fora de cena. Jogar com esse elenco foi incrível, todos se doaram de corpo e alma e fizeram o mágico mundo de oz e seus habitantes realmente ganhar vida. O sentimento maior no fim de tudo é de muita gratidão por ter tido essa vivência.

1O Mágico de OZ (63)_assMarcela em “O Mágico de Oz”

BC: – Ao contrário do que se pensa, teatro infantil não tem nada de amador. Existe um mercado, atores que se dedicam ao gênero, criadores, técnicos. Mas você não acha que esse mercado tem um enorme potencial que ainda não foi atingido?
MD: – Ah, com toda certeza. Fazer qualquer tipo de trabalho voltado para o público infantil requer um enorme cuidado. E não apenas o teatro infantil, mas o teatro em si tem um potencial enorme que, numa capital turística mundial como o Rio de Janeiro, está longe de ter sido atingido… Podíamos ser como Londres ou Nova Iorque e ter espetáculos de grande, médio e pequeno porte acontecendo ao longo de todos os dias da semana com atores recebendo salários dignos e um público assíduo. Mas para que isso aconteça muita coisa tem que mudar… principalmente o valor que se dá à cultura e aos artistas no nosso país. Precisamos de muita educação em todos os níveis da nossa sociedade. Só através da educação vamos construir uma sociedade que aprecia e compra arte e cultura.

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A Bela e a Fera

BC: – Você se sente recompensada e reconhecida como atriz fazendo teatro infantil?
MD: – Sim, eu amo fazer teatro infantil. Pessoalmente me sinto sim realizada, principalmente com o feedback dos pequenos. Eu amo interagir com o público infantil, principalmente após o espetáculo. As reações dos pequenos são muito sinceras e me enchem de alegria. Mas, ao mesmo tempo, caio na mesma da resposta anterior… muita coisa ainda precisa mudar para que o artista brasileiro seja realmente valorizado, receba salários dignos etc. E é claro que eu também adoraria trabalhar em outras vertentes, principalmente cinema. Fazer cinema é um sonho meu. Quem sabe um dia!?

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BC: – Você faz sapateado, canta, representa, faz espetáculo de improviso. Essa extensa quantidade de atributos se tornou nos últimos anos uma necessidade da profissão ou ainda é um diferencial?
MD: – Olha, acho que um pouco dos dois. É como qualquer profissão, você tem um conhecimento geral e acaba se especializando em algumas coisas. Eu adoro arte e acho que teria que viver muitas vidas para poder dar conta de tudo que eu gostaria de aprender e desenvolver. Eu vou ficando com as atividades que me deixam mais feliz! E como disse antes, acredito que a gente acaba atraindo para si o que deve fazer, então eu vou abraçando as coisas que aparecem. Algumas acabam sendo um diferencial sim, como o sapateado. Quando decidi que queria ser atriz sabia que teria que trabalhar meu corpo, então fui pro ballet clássico. As aulas de ballet foram essenciais porque serviram de base pra muita coisa e me trouxeram muita consciência corporal, mas eu sabia que aquilo ali não era pra mim, entende? Eu nunca iria ser uma bailarina. Então, depois de um tempo, migrei pro sapateado e me encontrei! Encontrei a dança que funcionava pra mim e investi nela.

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BC: – Falando sobre musicais: Quais foram suas influências e sua formação como atriz/cantora?
MD: – Olha, costumo dizer que é tudo culpa da Disney! Rs! Eu venho de uma família muito conservadora de médicos, advogados etc. Nunca tive ligação nenhuma com nenhum tipo de arte performática até os 23 anos. Minha forma de arte na adolescência era pintura e desenho. Sonhava em ser ilustradora dos estúdios Disney porque amava os filmes de animação. Acabei me formando em desenho industrial mas sabia que faltava alguma coisa. Acabei ligando os pontos e entendendo que na verdade o que eu queria era contar histórias, criar personagens etc. E o musical veio forte por causa da referência musical dos filmes da Disney. Comecei com cursos livres de interpretação e aulas de canto enquanto trabalhava em escritórios de design e não parei mais. Era um curso atrás do outro, muitas aulas, muito estudo, muita correria pra conciliar as coisas… Trabalhei em escritório até 2012, sempre reduzindo minha carga horária até que finalmente consegui abandonar essa vida de escritório. Continuo trabalhando como designer e ilustradora freelancer (a arte da Rainha da Neve, por exemplo, fui eu que fiz). Mas a prioridade é ser atriz. Fiz uma pós graduação na Unirio em teatro musicado entre 2009 e 2010. Acabou sendo a única turma, mas me rendeu muitos frutos! Principalmente a criação do meu próprio grupo de teatro musical, As Sadomusicistas.

MuitaMulherParaPoucoMusicalCom as Sadomusicistas: “Muita Mulher Pra Pouco Musical”

BC: – Você está atuando também no espetáculo de improvisação “#Se Joga”? Acredito que seja um enorme exercício para o ator. Como você desenvolve e trabalha esse lado da improvisação?
MD: – Sim, é um super exercício e eu AMO jogar! Conheci o improviso no Tablado, onde estudei de 2007 a 2010. Principalmente com os incríveis Lionel Fischer e Bernardo Jablonski, que considero serem meus grandes professores de interpretação. A minha base eu aprendi toda com eles. Fiquei afastada do improviso por um tempo e ai surgiu a oportunidade de fazer o Se Joga e eu literalmente me joguei! Nunca tinha efetivamente participado de um espetáculo de impro e simplesmente amei a experiência. A Ana Luisa Leite que também está no elenco é uma sadomusicista e improvisadora de primeira, foi ótimo estar com ela também nesse projeto e confesso que foi mais um ponto de segurança pra mim estar em cena com ela.

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BC: – Fora do teatro infantil, quais são seus próximos projetos?
MD: – Atualmente estou apresentando o último projeto das Sadomusicistas, o Novelas – O Musical, em sescs e festivais. Nossa próxima apresentação será no Sesc Tijuca no final desse mês. E por enquanto é isso pra esse ano. Ainda acho que o Novelas tem muito a render, as Sadomusicistas são prioridade no momento. Por enquanto não tenho nenhum projeto concreto em vista para o ano que vem, mas tenho certeza que parada eu não fico rs! E se nada “aparecer”, é sempre bom tirar um tempo pra fazer um curso, estudar. No começo de 2014 estava meio parada e investi no curso de montagem da Avenida Q do Ceftem e foi simplesmente maravilhoso. Como eu disse, vamos ver o que a vida vai me apresentar daqui pra frente.


Palpites para este texto:

  1. Maria Claudia M Dias Pinto -

    Adorei a entrevista e admiro muito a Marcela. Seu esforço e sua alegria ao interpretar é transmitida a todos!
    Espero ve-la atuando cada vez mais e esbanjando todo este talento!!!!
    Parabéns a ela.

    • Bem vinda, Maria Claudia. Concordo com tudo que você falou sobre a Marcela. Sinto-me privilegiado de poder publicar essa entrevista que a Marcela gentilmente topou nos dar. Que bom que vc gostou.

  2. Marcela é uma atriz que além de muito competente, é especialmente compromissada!!! A entrevista mostra uma pessoa que consegue reunir talento e a vocação – raridade hoje em dia! Compartilhar o exemplo dela com as pessoas – artistas ou não – faz parte desse processo de educação fundamental para a sociedade! Parabéns pela entrevista!

  3. Adoro o trabalho da Marcela, é genial, simplesmente fantástico vê-la em cena.

  4. heloisa motta e silva -

    Parabéns Marcela. Sucesso em seu trabalho.

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