Nos Bastidores do Teatro Infantil – Série de Entrevistas: 14.Cleiton Morais


 

CLEITON MORAIS 10

Por Renato Mello.

4O reinício da temporada de teatro infantil no Rio de Janeiro é promissor, com vários  espetáculos de enorme potencial artístico estreando simultaneamente. Sem dúvida um dos projetos mais aguardados é “Chapeuzinho Vermelho, Como Você Nunca Viu – O Musical“, com direção de Cleiton Morais e Vinicius Olivo, que estreia dia no dia 10 de janeiro no Theatro Net Rio, em Copacabana.

Cleiton Morais, ator, diretor, produtor é justamente o 14º entrevistado da nossa série “Nos Bastidores do Teatro Infantil” em que nos fala desse projeto. Cleiton também pode ser visto em cena no musical “Constellation”, que vem lotando todas as sessões do teatro Vanucci.

Fotos: Rogério Neves

d1

BC: – O que vocês trazem de novidade nessa recriação do conto de fadas de Chapeuzinho Vermelho? Como foi o processo de adaptação do texto para um musical?
CM: – Sem dúvidas o mais interessante foi o processo criativo. Nessa montagem juntamos diversas linguagens que até então não foram vistas nas montagens anteriores de Chapeuzinho Vermelho. As novidades são muitas, contamos com um elenco diferenciado, bailarinos, numero de sapateado, entre outros atrativos o cenário interage com o espetáculo e isso chama muito a atenção do público. Quanto à adaptação, se olharmos por uma vertente musical, Chapeuzinho Vermelho por si só é lembrada pela mais conhecida canção “pela estrada afora…”. Isso instigou a mim e a Vinicius Olivo, meu sócio e também diretor do espetáculo, a desenvolvermos melhor o lado musical ganhando vida com canções originais. Muitos nos perguntam se as canções já existiam, pois eles nunca haviam ouvido tais músicas, com isso nos orgulhamos, pois vemos que as canções são tão parte do espetáculo que as pessoas não identificam que são originais e sim tem a impressão de que já existiam e eles não conheciam. É incrível ter esse feedback.

BC: – Para se conseguir o êxito num musical é fundamental o encaixe perfeito entre texto e música. Vocês contam na trilha sonora com 2 músicos estupendos como Bruno Camurati e Tony Lucchesi.  Conte-nos um pouco de como se dá esse processo de criação conjunta entre o autor(você) e os compositores.
CM: – Sem dúvidas, estupendos define os profissionais que eles são, Bruno e Tony fizeram um trabalho deslumbrante que tira elogios a cada nova apresentação. O processo inicial foi muito gostoso, as musicas foram apresentadas e logo nos identificamos e chegamos a um consenso, incrível como eles entenderam nossos ideais e fizeram um trabalho do qual nos orgulhamos muito.

A direção musical em especial tem seu charme único, não só pelos belos arranjos vocais, mas a maneira com que foram encaixados e preenchem lindamente a letra da música mesclado as coreografias, o efeito é incrível.

Coreografias que não podemos deixar de Lembrar, feitas por Rodrigo Marcel, são de brilhar os olhos.

 1070015_526282424105962_1477255331_n

 

BC: – Você divide a direção com Vinicius Olivo. Na prática, como se dá a divisão do trabalho entre vocês?
CM: – Foi nossa primeira experiência trabalhando juntos, eu e Vinicius somos amigos há muitos anos e na busca de desenvolver novos projetos nos unimos e amadurecemos a ideia de um musical infantil. Quanto à divisão, aos poucos fomos estabelecendo funções e aproveitando o máximo do potencial de cada um, identificando as facilidades para um e para outro, isso que criou acima de tudo confiança e respeito recíproco onde a palavra final não existe, e sim o acordo final. É muito bom ter uma opinião objetiva e direta quando se trata de criar, desenvolver algo novo, e isso nós fazemos muito bem.

 

BC: – “Chapeuzinho Vermelho, Como Você Nunca Viu – o Musical” exige uma série de qualidades e conhecimentos do elenco. Qual o grande desafio para montar um elenco que exija tantos predicados?
CM: – Temos muitos atores no Rio de Janeiro, na época dos testes ficamos muito felizes em ver quantas pessoas se interessaram e conhecer nosso trabalho, enquanto “novos” no mercado a credibilidade é fundamental.

Somos muito exigentes, somos atores acima de tudo e isso nos torna sensíveis a minúcia na hora da escolha. Queríamos fazer diferente, dar oportunidade a novos rostos e conseguimos, nosso elenco é formado por artistas incríveis e cada um tem seu toque especial.

 66701_290684331075919_1564351495_n

BC: – Essa montagem tem uma dimensão atípica dentro do universo do teatro infantil. Qual a grande dificuldade de viabilizar uma produção desse tamanho?
CM: – Até agora, nossa maior dificuldade é em encontrar teatros que comportem o espetáculo. Temos grandes palcos no Rio, porém, nem todos estruturados com os ideais de direção e desenvolvimento que idealizamos para nosso espetáculo. Na prática, nosso cenário não é pequeno e às vezes o transporte nos causa uma certa dor de cabeça, fora isso, desde a concepção, até mesmo os pequenos adereços foram pensados de maneira a não nos limitar, por hora está tudo sob controle, RS.

 

BC: – Você é o responsável pelo texto, produção, direção e ainda atua. Você tem alguma preferência específica ou o que te agrada no teatro é poder criar e trabalhar das mais diversas formas?
CM: – Somos responsáveis. Toda a concepção do espetáculo foi feita em parceria com o Vinicius, o diferencial é que eu atuo como o Lobo no espetáculo.

Já minha preferência é estar fazendo arte, seja no palco ou na criação, amo o que faço. Vivo disso e para isso.

 44524_525949127472625_1624095786_n

BC: – Ao contrário do que se pensa, teatro infantil não tem nada de amador. Existe um mercado de atores, diretores, autores e toda uma cadeia de produção. Você não acha que existe nesse segmento um enorme potencial que ainda não foi atingido?
CM: – Acho que existe sim esse potencial. Mas confesso que sinto o mercado dos infantis um pouco defasado e feito por muitos de maneira amadora, porém vendido como profissional. Acredito muito que temos material humano pra desenvolver grandes espetáculos e fazer valer a pena, não só para as crianças, mas para os pais que não merecem ficar no mínimo um hora entediados com espetáculos que não cumprem o mínimo padrão de qualidade. Vejo críticas e estatísticas feitas por revistas teatrais que por falta de oferta enobrecem espetáculos que se tivessem o mínimo de exigência talvez nem estariam na lista dos selecionados.

Por outro lado, acredito que existe pouca oportunidade de mercado para desenvolvermos trabalhos diferenciados. Isso dificulta elevarmos os níveis.

 

BC: – Paralelamente a Chapeuzinho Vermelho, você está em cartaz como ator em “Constellation”, um enorme sucesso de público no Teatro Vanucci. Como está sendo a experiência com esse espetáculo?
CM: – Incrível, uma equipe fantástica, que só de lembrar me deixa muito feliz.

Constellation está sendo um divisor de águas na minha vida. Não me considerava até então um ator de teatro musical, pois de fato nunca fui cantor. Mas tenho tido experiências incríveis com essa linguagem, já participei de 3 musicais como ator, dirigi Rita O Musical, e produzi o meu próprio. Concluí que está na hora de trilhar um caminho sólido e sinto que o teatro musical pode ser minha casa por muito tempo.

 1013150_526311107436427_1272334362_n

BC: – Para finalizar, quais são suas expectativas para essa temporada de “Chapeuzinho Vermelho”?
CM: – Nossas expectativas são as melhores. Temos todo o suporte midiático que o Theatro Net Rio oferece, isso é um privilégio, pois uma produção sem patrocínio sabe o valor de uma boa divulgação.

Contando que o Theatro Net Rio está sendo palco de espetáculos super conceituados, fazer parte disso nos alegra e nos enobrece como profissionais.

Chapeuzinho Vermelho Como Você Nunca Viu. O Musical.

JÁ É SUCESSO. 

992912_526254907442047_1984797147_n


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Calendário de postagens

maio 2017
D S T Q Q S S
« abr    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031