Nos Bastidores do Teatro Infantil – Série de Entrevistas: 2.Sabrina Korgut


 

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 Atriz, diretora, cantora e bailarina, Sabrina Korgut é a 2ª entrevistada da nossa série “Nos Bastidores do Teatro Infantil”. Sabrina está neste momento em cartaz com 2 espetáculos infantis dirigidos em parceria com Leandro Mariz: “Pinóquio” no Teatro dos 4  e “Branca de Neve” no teatro Miguel Falabella.

Encaminhamos o mesmo questionário para ambos, já que inicialmente a ideia era fazer um post com as 2 entrevistas. Mas diante da percepção de uma complexidade no ponto de vista tanto de Leandro quanto de Sabrina, decidi que seria melhor fazer 2 posts separados e independentes, embora com as mesmas perguntas.

Então deixamos aqui com nossos leitores a entrevista que nos foi concedida por Sabrina Korgut.

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1 - 8 - M_B_9781BC: -Na ficha técnica dos espetáculos de vocês, consta que o texto e direção são de Leandro Mariz e que a direção geral é de Sabrina Korgut. Na prática, como se dá a divisão do trabalho entre vocês dois? Como vocês trabalham juntos a concepção e a direção dos espetáculos?
SK: – Leandro é autor dos textos. Então ele como ninguém sabe e visualiza o que quer. Então partindo disso, conversamos e traçamos nosso cronograma de levantamento do espetáculo. Geralmente Leandro dá o start inicial com os atores levantando um borrão da peça . Partindo desse esqueleto eu venho e faço a “faxina” ajustando e colocando todas as peças no lugar. 

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BC: – Qual a grande dificuldade encontrada para viabilizar e captar verba para uma peça infantil?
SK: – Eu sinceramente não consigo entender essa dificuldade, pois pra mim estamos trabalhando dentro de um mesmo segmento artístico, no caso, o teatro, só que para um outro tipo de público. E é tão rentável quanto o público adulto desde que tenhamos apoio financeiro pra somar e concretizar o projeto, pois as dificuldades de se levantar uma produção independente são reais. Tudo tem um custo, além de todo material humano envolvido. Então se conseguirmos subsídios que nos ajudem a concretizar o projeto com o objetivo maior que é trazer entretenimento às crianças chegaremos a formula perfeita.

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BC: – Ao contrário do que se pensa, teatro infantil não tem nada de amador. Existe um mercado, atores que se dedicam ao gênero, criadores, técnicos. Mas vocês não acha que esse mercado tem um enorme potencial que ainda não foi atingido?
SK: – Acho que essa resposta complementa a anterior. Lógico que tem. Público infantil também é público. E digo mais, crianças não vão sozinhas ao teatro. Geralmente vai a família toda. Então atinge também os adultos. Com recursos poderemos realizar projetos cada vez mais atrativos, interessantes e criativos pra justamente sair do lugar comum e da fama que o teatro infantil tem de ser ruim. Muitas vezes acabam sendo ruins porque não há como fazer bem feito devido aos custos de uma produção. Mais muitas pessoas não deixam de realizar seus sonhos por causa disso. E independente de serem boas ou ruins, pelo menos foram lá e tentaram algo.

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BC: – Você e Leandro Mariz estão simultaneamente com 2 espetáculos em cartaz na cidade: “Branca de Neve” e “Pinóquio”. Ambos contos de fada. É mais fácil viabilizar um projeto adaptado de um clássico em detrimento de um roteiro original? Ou é indiferente?
SK: – Acredito ser mais fácil sim. Clássico é clássico. Atinge todas as gerações e estão na cabeceira de todas as crianças. Nada melhor do que tirá-las das páginas dos livros e darmos vida a estes personagens. Defender um texto autoral certamente requer mais esforço em lançar, digamos assim, essa nova fábula.

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BC: – Algo que me chama a atenção nos espetáculos de vocês é a originalidade dos cenários. No caso de “Pinóquio”, vocês dividem o palco do Teatro dos 4 com “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, que possui um enorme equipamento giratório no meio do palco, que creio ser de difícil desmontagem. Como é o desafio de criar cenários tão originais diante de tantas limitações?
SK: – Quando criamos o cenário nem pensamos em possíveis problemas ou limitações. Geralmente adaptamos o cenário ao teatro que vamos estar em cartaz. E acredite, com ajuda dos deuses do teatro, tudo sempre dá certo.

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BC: – Depois de “Pinóquio” e “Branca de Neve”, existe outro projeto já sendo preparado?
SK: – Certamente Leandro já deve estar mirabolando algo. Mais ainda é segredo.

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BC: – Em “Branca de Neve” vocês procuram fugir da narrativa convencional, mas sem perder a essência da história, recriando em cima do clássico. O resultado é muito bem sucedido, mas não houve uma certa apreensão de que pudesse ocorrer alguma rejeição por parte do público infantil?
SK: – Não. Quando criamos a concepção acreditamos nela até o fim. Ao contrário, trazer essa modernidade, essa nova releitura é instigante para nós e atrativo para o publico.

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BC: – Qual a diferença em escrever para teatro infantil e para teatro adulto?
SK: – São linguagens e focos diferentes. O texto adulto de repente nos permite ir mais a fundo de determinados assuntos. O texto infantil deve ser lúdico e mexer com o imaginário das crianças.

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BC: – Mais que diretores, ambos são atores. Conhecem como poucos o processo criativo de um ator, suas angústias, dores, inseguranças. Que relação vocês mantém com seus atores? Mantém um distanciamento necessário ou seguem uma linha mais fraternal?
SK: – Nossa relação é sempre no processo de troca. Troca de experiências e opiniões de ambos os lados. Isso deixa todos à vontade. E nós diretores estamos ali pra ajustar esse equilíbrio. Tem dado muito certo.

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BC: – É possível se viver de teatro infantil no Brasil?
SK: – Infelizmente não. É impossível viver só de teatro no Brasil, sejamos realistas. Não temos uma cultura, uma educação que incentive as pessoas a frequentarem o teatro. Hoje o público acaba indo assistir peças mais pelos artistas famosos de TV do que pelo espetáculo e seu conteúdo. 


Palpites para este texto:

  1. Renato , parabens por essa serie de entrevistas , to adorando ler e reler as entrevistas , pois me servira como material de estudo para Monografia , Parabens Botequim Cultural por esta linda iniciativa perante ao Teatro Infantil . viva

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