Nos Bastidores do Teatro Infantil – Série de Entrevistas: 3.Leandro Mariz


 

 

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O Ator e diretor Leandro Mariz é o 3º entrevistado da nossa série “Nos Bastidores do Teatro Infantil”. Leandro está neste momento em cartaz com 2 espetáculos dirigidos por ele em parceria com Sabrina Korgut no Rio de Janeiro: “Pinóquio” no Teatro dos 4 e “Branca de Neve” no teatro Miguel Falabella.

 Inicialmente a ideia era fazer um post com a entrevista de ambos, para quem encaminhamos o mesmo questionário. Mas diante das interessantes respostas tanto de Leandro, quanto de Sabrina e em alguns casos, segundo minha percepção, da complexidade do pontos de vista da dupla, achei que seria mais adequado fazer posts independentes desses 2 diretores que responsáveis por alguns dos mais belos espetáculos infantis em cartaz na cidade.

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BC: -Na ficha técnica dos espetáculos de vocês, consta que o texto e direção são de Leandro Mariz e que a direção geral é de Sabrina Korgut. Na prática, como se dá a divisão do trabalho entre vocês dois? Como vocês trabalham juntos a concepção e a direção dos espetáculos?
LM: – Bom, como a ideia inicial parte geralmente na hora de escrever, depois do texto pronto discutimos a melhor forma de levantar a estrutura do espetáculo. Eu tenho uma forma de trabalho que se ajusta perfeitamente ao trabalho dela e isto faz com que ambos saiam satisfeitos com o resultado final. Tudo é muito pensado, as movimentações, as personagens, ajustes de cenário e figurinos, limpeza dos movimentos, trilha sonora, maquiagem, adereços… Tudo passa pela aprovação dos dois.

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BC: – Qual a grande dificuldade encontrada para viabilizar e captar verba para uma peça infantil?
LM: – Ainda enfrentamos este tipo de problema que é geral. Não somente para os espetáculos para crianças, mas também para os espetáculos para adultos. 

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BC: – Ao contrário do que se pensa, teatro infantil não tem nada de amador. Existe um mercado, atores que se dedicam ao gênero, criadores, técnicos. Mas você não acha que esse mercado tem um enorme potencial que ainda não foi atingido?
LM: – É de fato muito grande. E muitas vezes até mais difícil de colocar em cena. A criança é muito exigente, se ela não gosta, você tem a resposta na hora. E para tudo ficar pronto ao gosto delas é necessário ter zelo e cuidado redobrado com tudo. E todos precisam ter esse cuidado.

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BC: – Você e Sabrina Korgut estão simultaneamente com 2 espetáculos em cartaz na cidade: “Branca de Neve” e “Pinóquio”. Ambos contos de fada. É mais fácil viabilizar um projeto adaptado de um clássico em detrimento de um roteiro original? Ou é indiferente?
LM: – Muitas pessoas não conhecem os roteiros originais e nestes trabalhos estamos tendo a oportunidade de trabalhar com eles, acrescentando, claro, pitadas de humor contemporâneo. Outra coisa muito importante salientar é que cada conto tem mensagens de valores que precisam ser resgatados e é nesses valores que focamos.

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BC: – Algo que me chama a atenção nos espetáculos de vocês é a originalidade dos cenários. No caso de “Pinóquio”, vocês dividem o palco do Teatro dos 4 com “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, que possui um enorme equipamento giratório no meio do palco, que creio ser de difícil desmontagem. Como é o desafio de criar cenários tão originais diante de tantas limitações?
LM: – Em geral os infantis, precisam se adaptar aos adultos, e isso é um problema recorrente. Para isto procuramos soluções, muitas vezes conversando com as próprias produções que ocupam o mesmo espaço e tentamos chegar ao máximo de consenso para que nenhuma das produções saiam prejudicadas, normalmente acontece. Mas sim, é fato, as produções infantis estão sempre abrindo mão e por muitas vezes são as mais prejudicadas.
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BC: – Depois de “Pinóquio” e “Branca de Neve”, existe outro projeto já sendo preparado?
LM: – Ainda não há previsão para outro projeto este ano. O “Pinóquio” acabou de nascer e ainda tem muita vida pela frente. E “Branca de Neve” está firme e forte em suas temporadas.

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BC: – Em “Branca de Neve” vocês procuram fugir da narrativa convencional, mas sem perder a essência da história, recriando em cima do clássico. O resultado é muito bem sucedido, mas não houve uma certa apreensão de que pudesse ocorrer alguma rejeição por parte do público infantil?
 LM: – A criança de hoje está muito mais antenada do que imaginamos. Elas usam celulares, tablets e tantos outros aparelhos tecnológicos melhor do que seus avós. Apreensivo sempre ficamos, isto é normal. Porém, o trabalho é sempre feito com muito carinho e atenção para que a criança sinta-se à vontade. 

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BC: – Qual a diferença em escrever para teatro infantil e para teatro adulto?
LM: – Desde 1993 escrevo para crianças, ainda não tive a oportunidade de escrever para adultos, acho mais interessante participar da formação da criança, tentando mostrar através dos textos caráter e personalidades que podemos seguir de exemplo ou não.

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BC: – Mais que diretores, ambos são atores. Conhecem como poucos o processo criativo de um ator, suas angústias, dores, inseguranças. Que relação vocês mantém com seus atores? Mantém um distanciamento necessário ou seguem uma linha mais fraternal?
LM: – Procuro ao máximo fazer com que entendam tecnicamente como vai funcionar o espetáculo a partir do que eu acredito como funciona, e os atores são sempre muito criativos e tento aproveitar e sugar o máximo do que eles tem para levar a cena. É preciso que todos estejam conectados no entendimento do projeto para que todos possam falar a mesma língua. O resultado é muito bom, porque criamos um espetáculo vivo todos os dias, com direito a erros e acertos. Todo ator precisa se experimentar em cena, o que funciona permanece e se não funciona é jogado fora. É surpreendente ver que todos os dias o espetáculo muda e esse é o propósito de se fazer teatro.
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BC: – É possível se viver de teatro infantil no Brasil?
LM: – Todos temos dificuldades no início, mas é possível, pelo menos comigo está sendo. Trabalho com teatro desde 1991 e de lá pra cá, não mudei de profissão. É preciso manter o foco.


Palpites para este texto:

  1. Parabéns ao Site por esta entrevista. Parabéns Leandro Mariz, profissional que tanto respeito e admiro. Viva o Teatro!

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