Nos Bastidores do Teatro Infantil – Série de Entrevistas: 9.Nando Moretzsohn


 

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Nando Moretzsohn é no momento um dos atores mais atuantes dentro do universo do teatro infantil. Acabou de estrear mais um musical infantil: “O Mágico de Oz, uma Aventura em Busca do Sonho“, com direção de Carla Reis e em cartaz no Teatro Vanucci. Nando Moretzsohn é o nosso 9º entrevistado da série “Nos Bastidores do Teatro Infantil“, aonde nos fala do seu trabalho nos palcos, de sua paixão pela arte e pelo mundo do circo.

 

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Nando Moretzsohn em cena no musical “A Bela e a Fera”

 BC: “A Bela e a Fera”, “Pequena Sereia” e agora “O Mágico de Oz”, só para listar alguns dos seus recentes espetáculos. Por que essa sua opção por mergulhar no universo infantil?

NM: Desde criança, sou apaixonado pela arte e a mágica que ela pode transmitir para o público. Comecei me apresentando em rodas de capoeira, depois fui para o circo e então me foi dada a oportunidade de estar em cena atuando e fazendo também acrobacias.

O teatro em si, é muito gostoso, pois estamos ali para encantar o público e particularmente falando do teatro infantil, estamos ali para encantar um dos públicos mais exigentes de todos, que é o público infantil. As crianças veem cada detalhe, cada suspiro e cada sentimento que ali depositamos. Acho que foi esse sentimento e exigência que me conquistou e me incentivou a mergulhar de cabeça nesse universo tão maravilhoso.

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BC: Ao contrário do que o grande público pensa, o teatro infantil não tem nada de amador. São inúmeros técnicos, atores e diretores trabalhando nesse segmento. Você não acredita que o teatro infantil tem um enorme potencial que ainda não foi atingido ou corretamente explorado?

NM: Acredito que o teatro é um dos lugares mais difíceis para se atuar. O público infantil por incrível que pareça, é um dos públicos mais exigentes e críticos que existem. Se você está ali por estar, faz um cenário por fazer, ou simplesmente subestima a inteligência e imaginação de uma criança, eles percebem na hora. A criança tem uma pureza que a permite ser sincera e não esconder suas opiniões. Se a peça está ruim ou chata, a criança vai querer sair do teatro, vai se distrair com outra coisa e não vai ficar satisfeita. Por isso que nos nossos espetáculos, nós procuramos dar o nosso melhor em todos os setores. Temos que ter essa delicadeza de fazer a linguagem infantil sem subestimar a inteligência das crianças e ao mesmo tempo sem subestimar seus pais, tendo a preocupação e objetivo de despertar a criança interior de cada um independente da idade.

O teatro infantil tem sim um enorme potencial e por muitos motivos é visto como teatro amador, ou melhor dizendo, “teatrinho”.

O hábito de se ir ao teatro, é construído desde criança e vem de casa, é uma cultura que falta em nosso país. Ultimamente, não é vista uma valorização nesse meio, pode-se dizer que por não termos essa cultura de ir ao teatro quando criança, que não temos muita curiosidade ou mesmo uma admiração pelo teatro quando adultos.

E teatro é teatro, adulto ou infantil, está dentro de uma mesma forma de arte, não existe uma separação tão grande.

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BC: O teatro infantil exige do ator características e atributos distintos do teatro convencional. Em que aspecto seu trabalho no teatro infantil te ajudou a se desenvolver como ator?

NM: Não só no teatro infantil, como no teatro adulto ou em qualquer outra forma de arte da qual você esteja em cena. Ali, não basta entrar e dar o texto. Você tem que se entregar àquela verdade, tem que viver aquele momento.

Não foi só o teatro que me ensinou isso, mas ele foi o maior influenciador de minha evolução. Ele me ensinou a me entregar e viver daquele momento não só em cena, mas também em cada momento da vida.

Tanto no teatro infantil, como no adulto, como no picadeiro, o sentimento deve ser verdadeiro. O momento deve ser vivido. A crença do personagem, a verdade ali depositada deve ser explícita.

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Em “O Mágico de Oz”, contracenando com Lorena Ramos

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O elenco de “O Mágico de Oz”: Fernanda Biancamano, Nando Moretzsohn, Jean Pontes, Lorena Ramos, Thiago Carvalho, Vinicius Teixeira, Marcela Dias e Pedro Thomas

BC: Vocês acabaram de estrear o musical “O Mágico de Oz”. Quais são as suas expectativas, objetivos, como foi a preparação e ensaios? Enfim, gostaria que você falasse um pouco sobre esse espetáculo.

NM: Sempre que um espetáculo é estreado, temos aquela expectativa de agradar e ter respostas positivas de todos os envolvidos e do público. Sempre esperamos que seja um sucesso e que seja bem criticado. Afinal de contas o “boca a boca” é essencial para nós.

O processo sempre é bem trabalhoso, tem bastante gente envolvida e é um processo de descoberta e criação. Quando o texto e a proposta chegam até nós atores, chegam de uma maneira fria e começamos a “brincadeira” de transformação.

No nosso caso, por sermos um grupo que se conhece a bastante tempo, é algo mais confortante e fluido. Todos na equipe e em todos os setores (direção, camareira, diretor de palco, produção, iluminação, som, etc, TODOS sem tirar nem pôr) fazem um excelente e importantíssimo trabalho de construção. Sendo cada um indispensável no processo.

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vivendo o papel título em "O Mágico de Oz"

vivendo o papel título em “O Mágico de Oz”

BC: Em “O Mágico de Oz” existe uma mesma base no elenco de espetáculos anteriores. O fato de ser um elenco que já se conhece bem, em que aspecto isso ajuda no resultado final do espetáculo?

NM: Bom, estamos vindo desde 2012 com praticamente o mesmo elenco. Já nos tornamos uma família e temos uma intimidade que nos permite explorar e conhecer mais do “suco” que podemos extrair de cada um. Nossa intimidade pessoal e profissional nos dá uma liberdade durante o processo de criação, onde todos damos opiniões e ideias ao longo do caminho, obviamente que a palavra final é da direção que por sinal, só tenho elogios. E isso também nos ajuda a ficar mais confortáveis em cena um com o outro. Não que sejamos um elenco fechado e ninguém possa entrar. Muitos passaram por aqui e como somos uma “família”, sempre recebemos o próximo de portas e braços abertos.

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BC: Fora do universo do teatro infantil, quais são seus próximos projetos profissionais?

NM: Além do teatro infantil, eu trabalho também com circo. Sou aluno recém formado na Escola Nacional de Circo onde realizei alguns projetos, espetáculos e atualmente faço produções em festas e eventos com atividades de entretenimento. Já tive a oportunidade de dirigir espetáculos circenses. Também trabalho com Carnaval, onde desfilo e ajudo na escalação de elenco. E com TV, em comerciais e publicidade, onde meu último trabalho foi para o comercial da Bacardí, gravado em Ouro Preto – MG.

Como acabamos de estrear o espetáculo, o foco continua sendo o mesmo e ainda estamos num processo de estreia. Sou ator e sempre tenho desejos e metas de trabalhar mais tanto no teatro como também na TV, publicidade e etc.

Em "A Pequena Sereia", em cena com Giovanna Rangel

Em “A Pequena Sereia”, em cena com Giovanna Rangel

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BC: Fale-nos um pouco de sua formação como ator. Quais foram suas referência e influências?

NM:A partir do momento que pude me inserir no mundo da arte, fui fazendo cursos de teatro, canto, interpretação e me integrando cada vez mais nesse universo artístico. Sempre gostei de ver espetáculos e filmes onde o artista se entrega completamente deixando pra trás o “mundo real”. Tenho muitos artistas que me foram referências e influências. Charles Spencer Chaplin (mais conhecido como Charlie Chaplin) grande referência de que podemos transmitir nossos sentimentos e verdades através de um simples olhar; George Savalla Gomes (Palhaço Carequinha) que também mostra a verdade em sua arte; Antônio Renato Aragão (Didi Mocó) que assim como eu tem sua paixão pela arte em geral, seja no picadeiro, seja na frente das câmeras ou seja no palco de teatro. Esses são um dos muitos artistas que me influenciaram e ainda me influenciam até hoje. E com certeza muitos outros virão por aí para me encantar e influenciar o universo artístico.

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BC: Você tem tido uma longa relação com o Teatro Vanucci, no shopping da Gávea, fazendo uma peça atrás da outra por lá. Você poderia nos dar uma ideia como funcionam as relações e vínculos trabalhistas nesse meio? Vocês fazem contratos por espetáculos ou existe algum contrato com o próprio teatro?

NM: Isso varia muito de espetáculo para espetáculo e de produção para produção.

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BC: É Possível viver de teatro infantil no Brasil?

NM: Nós vivemos em um mundo onde a arte não é um assunto levado a sério, não só o teatro infantil, mas toda a partitura que a arte cobre. Dá sim pra viver da arte, mas muitas vezes nós “sobrevivemos” dela. E teatro é teatro, não é viver de teatro infantil, mas sim, viver sendo Ator, sendo Artista.

Muitos de meus amigos que assim como eu, vivemos disso, fazemos mais de um espetáculo em um único dia ou temos mais do que esse emprego para podermos viver num país tão caro.

Tem uma frase que gosto muito de citar que é mais ou menos assim: “Sou um artista. Isso não significa que vou trabalhar de graça. Tenho contas para pagar assim como você. Obrigado por compreender”.

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Em “A Bela e a Fera”

A Bela e a Fera

 

 

 


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