Crítica: O Homens São de Marte…e É pra Lá que Eu Vou!


 

Após tantos anos em cartaz, tinha a sensação que só eu não tinha visto ainda “Os Homens São de Marte… e É pra Lá que Eu Vou!”, monólogo escrito e interpretado por Mônica Martelli, com direção do argentino Victor García Peralta. Passando pela porta do Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, decidi que era hora de finalmente assistir ao espetáculo.

A peça que estreou há mais de 6 anos se transformou num imenso sucesso boca-a-boca e levou Mônica Martelli a ser indicada ao prêmio Shell por sua interpretação. Permaneceu todos esses anos circulando pelo Brasil, sendo que aqui no Rio já saiu e entrou várias vezes de cartaz e tem fôlego para ficar mais alguns anos nessa toada. Acabada mais uma temporada carioca, ela desembarca agora em Brasília e depois vai para Portugal. Teve recentemente seus direitos vendidos para o cinema, produção que estará nas mãos de Bianca Villar(ex-sócia de Beto Brant).

Lembrou-me uma outra boa peça que esteve em cartaz há alguns anos, “Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido”, um monólogo com Zezé Polessa e igualmente dirigida por Victor García Peralta. Mas “Os Homens São de Marte...” é mais engraçada. Outra peça recente (embora não seja monólogo) que me remete esta peça de Mônica Martelli é “O Divã”, mas quanto a essa última, embora tenham me elogiado muito, achei chatérrima quando assisti.

Em “Os Homens São de Marte…”, Fernanda, a personagem de Martelli, uma balzaquina na beira dos 40, narra como se estivesse numa sessão de psicanálise seu desespero para casar enquanto luta contra seu relógio biológico, para atingir seu fim acaba caindo na lábia( e dando) para os mais díspares tipos de homens, do político de Brasília, do milionário playboy,  ao bicho-grilo de Caraíva . Trata-se de um ponto-de-vista muito bem humorado da mulher atual diante de valores retrógrados, mas ainda vigentes de nossa sociedade, desesperada para encontrar um homem para chamar de seu.

Martelli, possuidora de um enorme carisma, de uma grande presença cênica e de um timing de comédia perfeito, emociona, surpreende e principalmente, faz rir muito.  Chega também a brincar com a plateia, mas na medida certa, até porque existe hoje em dia uma tendência de se procurar um incauto na plateia para riducularizar. O espetáculo foi o que eu esperava, muito divertida e quando saímos do teatro a gente vai jantar e esquece da peça. Mas creio que a pretensão de Mônica Martelli quando a idealizou e escreveu devia ser essa mesmo.

Na saída Adriana comentou comigo: – Adorei! Mas se eu fosse solteira ia ficar muito pau da vida.

Em relação ao Teatro das Artes, creio que é pertinente um comentário: Considero um dos piores da Zona Sul. Já assisti várias peças ali e sempre me incomodo com ele. Recordo-me do tempo que era um cinema de arte e que depois transformaram em teatro. Acaba parecendo um teatro improvisado, a começar pela visibilidade ruim, se sentar alguém alto na sua frente certamente você terá problemas, pois a inclinação da sala é mínima(acho que nem existe inclinação). Mas o pior é a distância entre as cadeiras, Nesta peça meu lugar ficava no meio e para chegar lá foi um sufoco, com as pessoas quase que tendo que se levantar e sair da fileira para que eu pudesse passar. Os engenheiros do ramo deveriam mirar no exemplo do teatro Nelson Rodrigues, aquilo sim é um teatro perfeito para o bom conforto do espectador(e olha que foi projetado no início dos anos 70 pelos arquitetos do extinto BNH).


Palpites para este texto:

  1. tambem nao vi! vou ter q esperar voltar

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