Os 10 Melhores Discos Brasileiros


 

O jornal “Estado de São Paulo”  e a radio “Eldorado” estão fazendo uma interessante enquete para eleger o melhor disco brasileiro de todos os tempos. Olhei a relação dos 30 finalistas e achei bem interessante, está bem equilibrada. Acrescentaria somente um ou outro e tiraria alguns outros que considero inócuos.

Mas essas votações são assim mesmo, impossível concordar inteiramente.De início achei curioso o fato de a grande maioria dos discos fossem da década de 70 e quando fiz minha lista pessoal percebi que tal tendência se repetia. Seria como se a música brasileira só existisse após a bossa nova? Lógico que tal afirmação seria uma injustiça tremenda, mas é possível entender essa predominância.

O vinil só foi inventado em 1948, antes disso só existiam os discos de 78 rotações que só permitia uma canção por face. A ideia e o conceito do álbum, do disco como conhecemos hoje, só passou a vigorar mesmo no Brasil a partir de fins dos anos 50. A década de 70 foi o apogeu criativo e o amadurecimento da estupenda geração surgida na década de 60, como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Edu Lobo, Marcos Valle, Dori Caymmi, Roberto Carlos, etc. A melhor geração surgida desde aquela notável da década de 30, quando nossa indústria fonográfica ainda estava na sua pré-história.

Portanto, segue abaixo os meus 10 melhores discos brasileiros de todos os tempos:
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10º) Secos e Molhados – Secos e Molhados 1973

Uma verdadeira paulada em plena ditadura militar. Somente o disco dos tropicalista anos antes teve essa força. Recordo-me daqueles cebeludos ripongas, todos pintados(precursores do Kiss), que à noite,  eram responsáveis por inúmeros pesadelos meus(ainda uma criança de 3/4 anos) com um iniciante Ney Matogrosso dançando e mexendo a cintura cantando “vira vira vira homem/vira vira/ vira vira lobisomem”. Um verdadeiro furacão, passou intenso, forte, demolidor e rápido.
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9º) Tom Jobim e Elis Regina – Tom & Elis 1974

Dizem que apesar dos inúmeros sorrisos e trocas de olhares cúmplices, a produção desse disco histórico foi tenso e que a relação de Tom e Elis não foi das melhores. Pouco importa, o disco é brilhante(aliás, impossível não sê-lo). Regravada inúmeras vezes, se encontra nesse disco a gravação definitiva de “Águas de Março”, acho todas as outras sem graça comparado. A destacar ainda “Chovendo na Roseira”, “Retrato em Branco e Preto”, “Só Tinha de Ser com Você”, “Modinha”, entre outros clássicos da fase bossa novista anterior de Tom.

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8º) Chico Buarque e Edu Lobo – O Grande Circo Místico 1982

Um disco impecável da primeira a última faixa. Feito sob encomenda para o ballet do Teatro Guaíra com a participação de vários cantores, deixou clássicos eternos como “A História de Lili Braun”, “Ciranda da Bailarina”, “Sobre Todas as Coisas”, “Na Carreira”,  e principalmente: a gravação antológica de “Beatriz” feita por Milton Nascimento. Mesmo outras canções que não viraram clássicos, são lindas demais, tais como “Opereta do Casamento”, “O Circo Místico”, “A Bela e a Fera”. Um disco que até os dias atuais soa muito moderno e contemporâneo.

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7º) Roberto Carlos – Roberto Carlos 1971

Com o fim da Jovem Guarda e dos ies-ies-ies bobos que levavam multidões à histeria, Roberto Carlos entra na sua fase madura, antes de ficar burocrático. “Detalhes”, “Como Dois e Dois”, “Todos Estão Surdos” e “Debaixo dos Caracóis” fazem parte desse álbum maravilhoso, que possui arranjos belíssimos feitos por Jimmy Wisner, antes de Roberto partir para os arranjos cafonas de Eduardo Lage.

 

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6º) Tropicália – Panis et Circenses 1968

Outra paulada em plenas barbas da ditadura. Estavam todos ali, Tom Zé, Caetano, Gil, Gal, Mutantes, Capinam, Torquato Neto e o maestro Rogério Duprat. Um momento mágico em que um grupo de pessoas geniais se unem para produzir um trabalho arrebatador, quase que uma febre criativa. Tal como Os Secos e Molhados anos depois, era psicodelia pura.

 

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5º) Cartola – Cartola 1976

O que falar de um disco de Cartola que tenha músicas da grandeza de “Preciso Me Encontrar”, “As Rosas Não Falam” e “Sala de Recepção”? Tem mais, “O Mundo é um Moinho”, “Ensaboa”, “Senhora Tentação”, “Nervos de Aço”. Meu Deus…

 

 

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4º) Chico Buarque – Meus Caros Amigos 1976

 

Já muito mais visado pela ditadura do que em “Construção”, que já conheciam seus subterfúgios, ainda assim conseguiu encaixar algumas canções aparentemente inofensivas que davam seu recado, a começar pelo chorinho em parceria com Francis Hime “Meu Caro Amigo”, ou “O Que Será”, com a participação de Milton Nascimento. Seu tão decantado lado feminino aparece com força em “Mulheres de Atenas” e “Olhos nos Olhos” e o cronista romântico dá suas caras em “Vai Trabalhar Vagabundo”. Ou seja, utiliza-se de todas as suas personalidades ao longo do disco: O cronista, o político, o trovador e a mulher.

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3º) Maria Creuza, Toquinho e Vinícius de Moraes – Eu Sei que Vou Te Amar… 1972

Vocês não podem imaginar o número de arranhões que esse meu disco possui de tantas vezes que tocou na minha vitrola(ou no meu 3 em 1, para ser mais moderno). Só tem música antológica, começa como “Catendê” de Antônio Carlos e Jocafi, passa por “Que Maravilha”, “Eu Sei que Vou te Amar”, Felicidade” e desemboca em “Irene” de Caetano. Tudo na voz linda de Maria Creuza, no violão de Toquinho e as récitas do poetinha.

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2º) João Gilberto – Chega de Saudade 1959

O disco que ousou lançar até um “cantor desafinado” e que mudou para sempre os rumos da música brasileira. Estava lançado o marco inaugural da Bossa Nova, com músicas de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Newton Mendonça. Um divisor de águas, que lançou a reboque toda uma nova geração(ao mesmo tempo acabou jogando no ostracismo outra geração) e fazendo com que tudo que foi feito antes virasse peça de museu. Um disco fundamental para o que viria a ser a música brasileira.

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1º) Chico Buarque – Construção 1971

 

Como se não bastasse a música “Construção”, uma das mais perfeitas e contundentes letras da história da música brasileira, nota-se uma mudança de rumo na obra de Chico. As suas melodias ganham mais riqueza melódica, deixando para trás os sambinhas(no bom sentido da palavra) de estilo mais tradicional e acadêmico. Aonde o artista se coloca diante da sociedade, a sociedade do General Médici. Não há uma música que não seja avassaladora, que não seja arrebatadora.  Versos fortes e contundentes já na abertura: “Por esse pão pra comer/Por esse chão pra dormir/ Deus lhe pagueeeee. Segue entre outras com “Cotidiano”, “Cordão”, “Samba de Orly”, “Valsinha”, “Minha História” e termina, quase que ironicamente, depois de tanta paulada com “Acalanto”.

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UPDATE – 08/09/2012 – 10:48

 

o Jornal Estado de São Paulo divulgou hoje o resultado da sua votação. Segue o resultado final:

1º) Los Hermanos – Ventura(2003) – 2816 votos
2º) Milton Nascimento e Lô Borges – Clube da Esquina(1972) – 2294 votos
3º) Legião Urbana – Dois(1986) – 2172 votos
4º) Elis Regina e Tom Jobim – Elis & Tom(1974) – 2047 votos
5º) Raul Seixas – King-há,Bandolo!(1973) – 1773 votos
6º) Chico Buarque – Construção(1971) – 1575 votos
7º) Titãs – Cabeça Dinossauro(1986) – 1324 votos
8º) Novos Baianos – Acabou Chorare(1972) – 1168 votos
Secos e Molhados – Secos e Molhados(1973) – 1168 votos
9º) Tropicália – Panis et Circences(1968) – 903 votos
10º) Roberto Carlos – Roberto Carlos(1971) – 829 Votos


Palpites para este texto:

  1. Tua lista é ótima.Porém,Roberto Carlos – apesar de ser um grande artista popular-romântico,destoa do conjunto.

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